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urbanista

a vida como ela é

#vacay ou o elogio da hashtag mais importante das nossas vidas

#vacay ou o elogio da hashtag mais importante das nossas vidas

Comecei a ler um livro que diz que devemos ir de férias antes de termos vontade, ou seja, antes de estarmos de tal forma exaustos que as férias parecem uma miragem, ao longe e, sobretudo, antes dessa exaustão nos impedir de apreciar o melhor das férias. Atire a primeira pedra que não passa (ou perde) os primeiros dias de férias semi-inerte, sem vontade de nada, dormindo horas infindáveis em qualquer lugar ou posição, ignorando, por completo, o cenário paradisíaco em que (talvez) se encontra ou, simplesmente, não sendo capaz de abandonar o sofá lá de casa. Pior do que o cansaço é a incapacidade para gerir os seus limites e, ainda pior, é ficarmos cansados dias depois de termos regressado porque, simplesmente, fazemos o trabalho de quatro, estamos desmotivados ou no chamado beco sem saída...

Com excepção de quem não pode escolher as datas das suas férias, o ideal é dividi-las ao longo do ano para gerir as pausas e recuperar forças.

Contudo, o problema não é parar, menos ainda a impossibilidade de vivermos permanentemente em férias. O problema é o ritmo a que nos submetemos, mesmo quando não queremos, porque a regra agora, é esta: rapidez, eficiência, produtividade e multi tarefa. Somos todos assim, assoberbados entre o trabalho que temos de fazer e o que escolhemos completar, horas intermináveis sentados em cadeiras desconfortáveis, parados a acumular calorias para depois corrermos (literalmente) à pressa numa passadeira, como hamsters na sua rotina diária. Vamos ao ginásio gastar calorias que temos a mais pelas horas que ocupamos nessas tarefas que se limitam a fazer mexer os dedos, olhando para o ecrã de um computador. Precisamos contrariar todos os erros que o nosso estilo de vida, pessoal e profissional, nos obriga a cometer. Sabemo-lo mas continuamos a insistir no erro porque já não sabemos viver de outra forma, hiperactivos e freneticamente ligados a algo que nem sabemos bem o que é.

Por outro lado, no Elogio da Lentidão, o neurocirurgião Lamberto Maffei diz que o nosso pensamento lento - o estado natural do cérebro - é posto em causa, anulando a capacidade de reflexão, agindo por instinto e de forma imediata, tomando as piores decisões. Fala também nesta cultura da solidão porque se trata de uma consequência da tecnologia e não apenas do foro sociológico. O cérebro, perante o excesso de estímulos visuais, desenvolve mais o pensamento rápido e as emoções, diminuindo a linguagem falada e as funções racionais.

Ring a bell? Pois ring.

Evitamos conversar, trocando mensagens porque é mais fácil, sem pensarmos no que isso, verdadeiramente significa. Quem não acompanha é implacavelmente colocado à parte, independentemente da idade. Novos e velhos têm de alinhar nesta ligação hiperactiva mas, na verdade, de qualquer das formas, acabamos sozinhos. Regresso, por isso, a um livro de que gostei muito e sobre o qual já falei, chamado o silêncio na era do ruído, porque é preciso menos barulho na nossa vida, reintroduzindo aquilo que mais nos assusta: a capacidade de ficarmos sozinhos com os nossos pensamentos para, dessa forma, sermos capazes de apreciar o mundo lá fora sem ignorar o melhor que o mundo tem: o nosso próprio mundo.

O sucesso és tu, não necessariamente tu, uma grande empresa

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G'anda pinta!

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