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a vida como ela é

Unplug: verbo desligar.

Unplug: verbo desligar.

Sempre que planeio escrever sobre esta urgência em estar presente sem, efectivamente, estarmos, acabo sempre a pensar que pode ser paradoxal usar um blogue para propagar a ideia de que é ainda mais urgente a presença real, ou seja, o telefone em silêncio ou, mesmo, desligado.

Ninguém sabe como começou mas a verdade é que, gradualmente, fomos mergulhando num contexto em que damos por nós conectados ao mundo online 24/7, sem tempo para nós ou as relações com os outros.

No que toca aos amigos, a forma mais simples de combater aqueles almoços agendados que acabam por nunca acontecer passa por formar um grupo de pessoas que, tal como nós, também querem deixar o telemóvel por umas horas e respeitar o “depois combinamos”, combinando. Durante o encontro as regras são simples: pousar o telefone, não pensar nas selfies, ignorar as hashtags, focarmo-nos apenas na companhia dos nossos amigos. E não fotografar a comida...

Quantas vezes almoçam sozinhos, olhando as fotografias nas redes e ignorando que, na mesa ao lado, está um colega que também almoça sozinho? Nunca foi fácil e é cada vez mais difícil dizer “olá”, conversar, partilhar quando, online, temos tantos supostos amigos...

Em casa, quando deveríamos descansar ou, simplesmente, desligar, sentamo-nos olhando o que acontece do lado de lá, argumentando, mais tarde, que o dia passou e não tivemos tempo para nada. São as arrumações, redecorações ou as plantas no jardim que ficam a perder, da mesma forma que perdemos mais uma oportunidade de dar largas à imaginação ou, simplesmente, ler um livro.

Ah e tal, com esta vaga de emigração e não sei o quê tenho de me manter em contacto com a família...” É um facto. Mas toda aquela sequência de mensagens pode bem ser substituída por uma boa conversa no Skype, FaceTime ou qualquer outra que simule a presença. Não?

Talvez não porque já estamos de tal forma habituados a ser interrompidos pelo som ou vibração do telefone que, creio, já não saberíamos viver de outra forma. Por isso defendo que é tão importante colocar um travão a fundo e tentar recuperar velhos hábitos que fomos perdendo. Não sou apologista do regresso ao passado porque “antigamente é que era bom” mas de tentarmos equilibrar a nossa relação com algo que foi criado para ser uma ferramenta que nos ajuda a lidar com a realidade e que, gradualmente, se foi transformando na realidade em si mesma.

no-can-do !!

Vamos estar mais no momento presente, registá-lo mas não o publicar imediatamente como se disso dependesse a nossa felicidade. Se deixarmos que  a tecnologia consuma o nosso tempo estará, principalmente, a consumir-nos...  

Agora sim, desliguemos  ♡

 

A #casadocais matters mais do que pensamos

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