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a vida como ela é

amor a granel

amor a granel

São lojas mas são, principalmente, histórias de amor. Criadas em bairros tradicionais de Lisboa, as novas lojas de venda de produtos a granel ameaçam tornar-se o novo normal ou, melhor, de novo normal, depois da invasão das embalagens de plástico durante os últimos cinquenta anos.

O baby boom e o crescimento económico trouxeram muita inovação, facilitaram em muito a vida doméstica e o nosso dia-a-dia mas, essa abordagem ameaça, agora, destruir o nosso confortável modo de vida que abre uma embalagem e a deita no lixo sem pensar, esperando que por magia de auto-destrua, que vá  para a algum lado, de preferência bem longe.  Longe da vista, longe do coração.

O mundo está cheio de lixo e precisamos fazer algo para mudar. Os grandes supermercados já têm venda a granel mas a sua apresentação não seduz. Para isso existem as lojas de bairro, bonitas, bem organizadas e com produtos que apetece trazer para casa. Em Lisboa: Maria Granel em Alvalade, Casa Granel em Campo de Ourique, #Granel em Benfica, Granel e Co. junto à Praça das Flores. Em comum? Produtos biológicos a granel e uma lógica de zero desperdício.

Já o escrevi outras vezes mas, sempre que começo a frase afirmando que o mundo está a mudar, sinto que mudou mais um bocadinho, numa lógica de mudança em retrocesso, recuperando o que de melhor já existiu no passado: ética, o valor da família, a palavra amor usada com significado desinteressado, as práticas mais simples e próximas da nossa natureza, e da natureza em termos ambientais. Depois, temos também as modas que se apoderam destas tendências usando-as a seu favor, criando produtos, marcas e serviços que, aparentemente, servem a nossa necessidade de regresso ao passado para reinventar o presente.

Conta a minha mãe que antigamente nos batiam à porta para entregar o leite do dia, que se vendia ao litro. Não existiam pacotes e não se ultrapasteurizava. A pressa dos tempos modernos obrigou a estes processos de conservação, muito práticos mas não necessariamente melhores ou mais saudáveis. Talvez por isso se comece a generalizar este regresso ao antigamente, com as lojas e os cafés decorados à moda antiga,  as cadeiras de madeira antigas, desirmanadas e recuperadas, as opções vintage ou a venda a granel.

Depois de as visitar tornei-me cliente. São projectos de carácter pessoal de quem percebeu que a venda a granel é bastante comum em outros países, aliada a preocupações com a alimentação saudável e sustentabilidade. Num produto embalado nem sempre conseguimos aproveitar todo o produto e, para além deste desperdício, a embalagem é, muitas vezes, absolutamente desnecessária.

A ideia de abrir a loja em bairros é também um reflexo desta tendência de voltarmos à essência da vida em comunidade: proximidade e partilha. Na Maria Granel, em Alvalade, a lógica é a de partilha de saberes e conhecimento com encontros e workshops. Em Campo de Ourique, a Casa Granel aposta na relação com a vizinhança que são, também, os seus principais clientes.  

O preço e a quantidade são factores muito importantes. Todos sabemos que as embalagens mais pequenas têm, normalmente, um preço por quilo mais elevado, pelo que normalmente pagamos mais para pagar menos, levando maior quantidade do que precisamos. Não ficamos a ganhar, embora pareça que sim... Nestas lojas o preço é sempre o mesmo, independentemente da quantidade que compramos. A maior parte dos produtos é nacional e podemos comprar uma pequena quantidade, provar antes de levar, cheirar e deixarmo-nos levar pela imaginação que a fusão de aromas provoca...

 

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