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a vida como ela é

Tudo parece estúpido quando falha mas falhar faz parte do processo. 5 ideias para decidir o que fazer da vida.

Tudo parece estúpido quando falha mas falhar faz parte do processo. 5 ideias para decidir o que fazer da vida.

Vivemos numa era de permanente crise existencial. Queremos muito saber o que fazer e não temos como saber ou seja, ignoramos a nossa intuição, colocamos de lado a paixão e focamo-nos naquilo que é mais objectivo porque “a vida é assim”... A seguir, encolhemos os ombros e dizemos que vamos andando.

Somos bombardeados com imagens dos que têm uma vida de sonho ganhando dinheiro a viajar ou a promover produtos, ao mesmo tempo que nos invadem frases e imagens apelando à procura do sentido da vida, do nosso propósito, da nossa luz. Uma confusão.

Se é verdade que somos uma geração que procura, de facto, dar sentido à vida além do 9 to 5 sem questões, também é verdade que o tema da paixão e do propósito nos persegue, deixando-nos sem saber o que fazer. Não há empregos, a ideia de emprego morreu e ninguém a avisou . Talvez por isso continue presente na mente de muitas pessoas. Já não há empregos para a vida porque simplesmente a ideia de emprego é contrária à da realização pessoal, intelectual e espiritual e muitos de nós não querem continuar a separar esta tríade da mind, body and soul, ou seja, o nossos sentido da vida passa mais por aquilo que queremos ser, enquanto pessoas, do que o emprego que nos possa definir enquanto tal. A carreira não morreu, adaptou-se. Passou a ser a agregação do que vamos fazendo ao longo da vida. Se a nossa vida tem fases, também a componente profissional pode - e deve - evoluir e mudar. Longe vai o século XIX em que filho de agricultor passaria a vida na terra ou do século XX em que os filhos seguiam as pisadas dos pais, ou procuravam um emprego estável, sempre a pensar na reforma. A sociedade ainda não o percebeu, continuando a tentar encaixar-nos em definições e papéis sociais que definem o estatuto social. Isso também já morreu. Façamos o funeral ao preconceito.

Contudo, o dilema hoje é maior do que alguma vez possa ter sido porque temos mais opções e a escolha é o elemento mais difícil da vida de cada um de nós. As profissões são altamente voláteis e as carreiras permeáveis. Não sabemos o que, ou como fazer. O pior, parece-me, começa na escola, quando nos confrontam com o que queremos ser quando formos grandes e a pressão para encontrarmos uma resposta. A pressão é real, prejudicando-nos no sentido da obrigação, do preconceito e do julgamento social, porque a vida é entendida como uma comédia romântica. Mesmo nos filmes, nem sempre as coisas são apenas em tons de rosa.

Quem és tu e o que queres fazer?

Qual o teu propósito de vida?

Qual a tua paixão?

Parece-me que perdemos demasiado tempo a pensar nisto, ocupando pouco tempo a experimentar coisas. Ter interesses diferentes é normal (e saudável, creio…), da mesma forma que o que nos interessa num determinado momento também pode deixar de interessar, sem que isso seja apenas uma fantasia. A indústria da auto-ajuda concentra-se bastante no empoderamento do indivíduo, numa espécie de auto-masturbação para acreditarmos que podemos, mesmo que isso não pague as contas ao fim do mês. Esta é uma das maiores preocupações para muitas pessoas porque vivemos num país espectacular mas muito conservador, moderno mas avesso a ideias disruptivas, generoso mas com uma dimensão de mercado muito reduzida. Somos poucas pessoas, essa é a verdade. Compramos pouco mesmo quando gastamos muito. Os nossos nichos são os ultra nichos dos mercados mais dinâmicos e empreendedores que tanto nos inspiram.

Não há impossíveis, dizem-nos. Efectivamente, tudo é possível. Para encontrar aquilo que verdadeiramente gostamos, e que pode transformar-se numa profissão, não devemos nem ir atrás dos amigos (aquela coisa de ir para economia no secundário porque os amigos também vão), optar pelo caminho mais fácil (uma licenciatura em marketing tem saídas profissionais muito amplas), ouvir a voz da razão (as pessoas mais experientes que insistem no factor segurança e carreira) ou seguir as tendências.

É preciso parar e pensar no que nos deixava verdadeiramente felizes quando éramos crianças e, depois, quando éramos adolescentes.

O que fazíamos nessa altura que nos deixava mesmo numa boa?

A esta opção podemos juntar aqueles testes de personalidade bacoucos que as revistas têm e que estão espalhados na web. Não são científicos mas, na maior parte dos casos, até nos ajudam a perceber a nossa personalidade.

Depois? Depois é cruzar a pessoa que somos como que nos faz sentir bem e encontrar o caminho correspondente, preferencialmente numa actividade remunerada, não aceitar não como resposta, não deixar que outros escolham por nós ou escolher em função do que é “suposto”. Sobretudo, depois da escolha feita, não acumular colaborações gratuitas em troca da exposição. Há um limite para o trabalho que podemos oferecer aos outros.

Para quem já está no mercado e em fase de transição, o processo pode ser ainda mais difícil, perante a dúvida constante do “mas o que é que eu estou a fazer à minha vida”, face a anos de investimento em algo que não nos preenche ou que, simplesmente, deixou de preencher.

Temos um perfil e um título no Linkedin que nos define. O que acontece quando o que diz o Linkedin não corresponde à nossa paixão, numa espécie de traição pessoal entre a forma como o mundo nos vê e aquilo que verdadeiramente poderíamos ser? Frustração.

Sem as tretas do “tu consegues”, há que criar uma estratégia de transição baseada no que acreditamos e em objectivos exequíveis. Não me iria adiantar muito hoje, querer ser astronauta, se me faço entender… Ainda que o dinheiro faça, obviamente, parte desta equação, se trabalharmos apenas pela remuneração seremos infelizes para o resto da vida. Pessoas infelizes ficam doentes mais facilmente, são companhias menos agradáveis e… por aí fora. Por isso, repito, ainda que o dinheiro seja importante, o pensamento deve ser:

se tivesses de trabalhar todo o dia de graça, o que farias? É essa a tua paixão? Gostas tanto disso que o farias apenas porque sim?

Para quem trabalha e depende financeiramente dessa remuneração, encontrar a resposta a esta questão é encontrar a felicidade. Resta depois ser capaz de transformar a paixão numa actividade rentável.

Querer ser feliz não é um erro nem uma decisão estúpida, mesmo que para lá chegarmos tenhamos hesitações, erros de percurso e muitas decisões estúpidas. Somos educados a pensar sempre na melhor decisão quando, muitas vezes, é uma decisão supostamente errada que nos coloca no caminho certo. Pensem nisso.

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