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a vida como ela é

no SAPO24: #LoveWhatYouDo é mais do que uma hashtag

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Há uma semana, escrevia sobre o amor, nas suas várias formas e, confesso, há muito que não tinha tanto prazer na escrita. Quem se dedica a um projecto como o urbanista tem de o fazer por amor, caso contrário, desiste ao fim de pouco tempo. O amor por aquilo que fazemos contribui para o nosso bem-estar, especialmente porque permite aquele cliché sobre saltar da cama com um sorriso... Estou segura em relação a essa determinante, bem como da sua importância para a nossa sanidade mental e consequente felicidade.

Estamos numa altura que tudo parece muito simples, que o digital tudo resolve e que as respostas estão todas no Google. Não estão. Mas estão dentro de nós, desde que as queiramos encontrar. O mundo, no entanto, é mais complexo do que alguma vez foi. Rápido e exigente, com mais opções e, contudo, limitando-nos perante cada uma delas, numa cultura social complexa, repleta de idiossincrasias paradoxais que nos fazem, muitas vezes, não perceber o que se passa, associada a uma cultura laboral que é tudo menos justa ou motivadora. A meritocracia é apenas uma palavra no dicionário e a liderança depende mais de autoridade do que do exemplo ou carisma. Trabalhamos horas a mais porque não nos organizamos, não deixam organizar ou porque parece mal acabar o trabalho a horas. Há inúmeros exemplos de liderança negativa que não só não lidera, como não sabe gerir, criando contextos laborais de insegurança e mau estar, baseando as relações profissionais na agressividade e, muitas vezes, no medo, principalmente o medo de perder o emprego. A Associação de Psicologia dos Estados Unidos alerta para esta relação entre a liderança e a nossa saúde: trabalhar com um chefe que nos deixa infeliz equivale a fumar um maço de cigarros por dia.

Eu, se fosse a vocês, deixava de fumar. 

Abandonar um vício é extremamente difícil, assim como a decisão de deixar um emprego que não nos faz feliz. Porquê? 

Está na moda dizer que a principal razão é o medo. Porque as pessoas são avessas à mudança, porque têm muito medo... Eu não concordo.

Este argumento do medo não desenvolve. Medo de quê? De mudar? Ou de perder?...

Reconheço que é, efectivamente, o medo que impede muitas pessoas de abandonarem um emprego de que não gostam. Trata-se, no entanto, de um medo muito realista e uma noção concreta de como funciona o mercado de trabalho, sobre o qual se diz que os Portugueses não querem trabalhar quando, na verdade, para trabalhadores qualificados - e altamente qualificados - não há propriamente grande variedade de oferta no mercado. Como escrevi a semana passada, a situação agudiza-se a partir dos 40 anos porque, consta, são profissionais cheios de vícios e com uma experiência cuja remuneração supõe um salário acima da média, se entendermos que a média está entre os 500 e os 1000€. É então que nos falam do propósito de vida e lixam isto tudo porque percebemos que estamos entre a espada e a parede: se ficamos e não arriscamos continuamos infelizes, se nos atiramos de cabeça acabamos, muitas vezes, a ter de transformar o nosso hobby num trabalho a tempo inteiro ou a acabar num emprego sem saída e muito mal pago. Todos sabemos que recomeçar só é fácil para os amigos dos amigos dos amigos que nunca ficam desempregados. Estão entre projectos.

O país também sofre com esse outro problema dos amiguismos. Não são as cunhas, porque essas só servem para criar os empregos de cabide, para pendurar pessoas numa empresa sem que estas sejam verdadeiramente úteis. Isto de amiguismos é um fenómeno que ocorre de forma natural, embora altamente prejudicial, porque favorece sempre os mesmos: os que têm amigos e que acabam por ser escolhidos em detrimento de qualquer outra pessoa que possa querer candidatar-se a uma determinada posição porque, simplesmente, esta não é anunciada. O amigo até pode ser a pessoa certa mas, disso, nunca teremos a certeza porque o processo de selecção se baseou exclusivamente no núcleo de pessoas que já conhecemos ou das que nos chegam recomendadas por outras. Os nossos amigos. E daqui não saímos, num clube para o qual também é difícil entrar. E que não é, exactamente, o tão afamado networking.

O networking funciona. Obviamente que sim, porque quando nos perguntam se conhecemos alguém para uma determinada função, pensamos imediatamente nos que nos são próximos, naqueles em quem confiamos e cujas competências são adequadas. Será que isso se consegue participando em eventos de networking que continuam a estar na berra?

Sim e não.

O networking que funciona não depende de cartões de visita que entregamos num contexto em que todos os trocam porque sim. O networking que funciona baseia-se em relações com pessoas que passam a conhecer o nosso trabalho, que gradualmente o vão respeitando para que, quando a oportunidade surja, poderem recomendar. Não acontece do dia para a noite, não depende que encontros fortuitos a que chamam networking, de feiras meetings, meet ups, conferências sectoriais ou de um Cv. Depende de relações desinteressadas que se desenvolvem numa lógica de entre-ajuda para a construção de um novo contexto profissional que possa servir melhor a todos e a cada um de nós, focado no que realmente interessa e que expliquei, também, no texto da passada semana: fazermos o que gostamos e sermos remunerados por isso.

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