olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

O estado das coisas

O estado das coisas

O estado das coisas é mau. Isso já sabemos. Resta saber de que coisas falamos porque há tantas coisas que estão mal... Fiz por ignorar esperando que a coisa se diluísse na espuma dos dias, que corre muito depressa nos sites de redes sociais, ignorando simultaneamente (de forma deliberada) que, apesar de na maior parte das vezes serem apenasfogacho, algumas discussões na rede tendem a reacender-se até à exaustão.

É uma pena perdermos tanto tempo e espaço com coisas inúteis. Não nos dedicarmos mais tempo para depois dizermos que não temos tempo. Ler mais. Ouvir podcasts. Aprender. Ficar de barriga para o ar a olhar o tecto. Quem, com mais de 8 anos fica deitado a olhar o tecto indagando-se? Ninguém. E depois andamos a discutir temas como o da Porto Editora. Continuem a ler. Não é sobre o estranho casos dos livros de actividades retirados do mercado.

Cansam-me duas coisas que todos reconhecemos, criticamos e para as quais colaboramos: a futilidade e ausência de profundidade dos chamados temas da silly season (que se estende cada vez até mais tarde - ou que nunca chega a terminar...); a tendência dos meios de comunicação social em usarem sites de redes sociais como fontes de informação enquanto despejam para a rede notícias, ou conteúdo polémico, para lhes garantir cliques, visualizações, associada à estratégia, já estafada, "falem bem, ou falem mal, mas falem de mim". 

O problema não são os livros, ou os exercícios, de cada um deles mas a assumpção (tão estafada quanto a estratégia que referi acima) de que as meninas são de Vénus e os meninos de Marte, que eles se vestem de azul e elas de cor-de-rosa. A culpa, como no desenrolar da tal estratégia, também é nossa, e não é por vestirmos uma menina de rosa ou um menino de azul, mas por assumirmos, por definição, que à mulher cabem determinadas tarefas (que também podem ser desempenharas por um homem), que a um homem fica mal ou que uma mulher não deve ocupar-se com determinadas tarefas. O exemplo do fraldário do pediatra Mário Cordeiro é disso um excelente exemplo. 

Se é certo que há características físicas, decorrentes das diferenças biológicas que separam os dois géneros, também é verdade que a maior parte das afirmações que fazemos decorre de ideias pré-concebidas, associadas a um preconceito social que nos mina da cabeça aos pés.

Ser feminista não deveria ser vergonha para ninguém pelo simples facto de que, da mesma maneira que o racismo é escusado, homens e mulheres são pessoas, donde, deverão ter direitos e deveres iguais. A história quis que o presente fosse diferente e se, em países como Portugal muitos dizem que somos umas meninas mimadas que se queixam de uns piropos ou da suposta falta de oportunidades (porque se afinal algumas chegam a cargos de direcção, então não há desigualdade...), outros há em que a discussão se coloca ao nível dos direitos fundamentais: QUE AS MULHERES NÃO TÊM. Por isso, também por isto da Porto Editora, folhear uns livros de actividades e vir encher a praça pública com uma discussão que não toca ao de leve a razão pela qual os livros desencadearam essa mesma discussão é limitarmos-nos a sermos silly.

Há estudos, livros, teses, ensaios e artigos científicos mais do que suficientes para explicar, comprovando (e justificando) pela biologia, as diferenças entre homens e mulheres, bem como as suas implicações comportamentais. Só quem prefere insistir em discutir temas da silly season pode encontrar argumentos que justifiquem perdermos tempo com estas coisas quando Pyongyang nos pode tocar à porta. Se os livros eram bons ou maus, não sei. Não cheguei a tempo de os folhear (obrigada por isso queridas férias). Mas sei que vamos a tempo de pensar em discutir os temas quentes e nada silly cá do burgo, enquanto deitamos o olho ao que se passa no mundo, não vá este rebentar-nos nas mãos...

Imagem: @jdsimcoe

Super pessoas. Super estudantes. Super tudo. Para quê?

Super pessoas. Super estudantes. Super tudo. Para quê?

Regressar nem sempre significa voltar

Regressar nem sempre significa voltar