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a vida como ela é

Empreendedores sem nome ou "guita" no bolso? Não dá.

Empreendedores sem nome ou "guita" no bolso? Não dá.

Ainda estamos em Setembro e este é, oficialmente, o mês do regresso às aulas, correspondendo também ao fecho de um ritmo de estender a toalha e mergulhar no mar. É também neste mês que, inspirados pelo som das ondas, voltamos ao quotidiano urbano prontos para mudar o mundo. Ou, pelo menos, o nosso mundo. Está na moda ter coragem para seguir os nossos sonhos e mudar de vida. Depois da vaga de pessoas atiradas de cabeça para um certo empreendedorismo forçado, por culpa da crise e o desemprego que esta provocou, temos os jovens a quem faltam (outras) opções e sobram ideias. Também há os outros: os que têm ideias e (ainda) menos opções do que os jovens, porque já passaram da idade e não há incentivos para se largarem à aventura. Finalmente, o empreendedor.

Fala-se muito na importância da criação do próprio emprego, na necessidade de encontrar alternativas para corresponder a nichos de mercado não satisfeitos por uma oferta massificada das grandes empresas. Como começar? Tornar-se empreendedor não depende apenas da vontade e o desejo de criar algo de raíz. Resulta, em boa medida, da nossa capacidade para desenvolver relações, estabelecer conexões e conhecer as pessoas certas. Principalmente essas. Não tem de ser o paizinho a ajudar e não está dependente da famosa cunha mas, ter amigos, ajuda muito. Como concluiu o estudo da Fundação Manuel dos Santos, o meio socio-económico em que se nasce é determinante na nossa vida: a escola que frequentamos, os clubes a que pertencemos (e aqueles a que pertencem ou pertenceram os nossos pais) e as actividades em que nos envolvemos criam a nossa rede social que depois irá suportar o empreendedor. Se, hoje é mais fácil subir na vida, ainda dependemos muito de apelidos para conseguir desbloquear uma certa estagnação social que o estudo revela.

Na verdade, há um trabalho que não acaba atrás da palavra freelancer ou empreendedor porque, mesmo com amigos, o trabalho não aparece se estivermos sentados à beira mar, esperando que a vida aconteça. A maior parte dos projectos de empreendedorismo não se concretiza junto do grande público e, quando os clientes são particulares, até conseguirmos uma massa critica razoável, a instabilidade é muito grande. É na relação com organizações de vários tipos que está o segredo da suposta liberdade do empreendedor. Dessa pessoa que largou tudo, seguiu o seu sonho e é (mais) feliz. 

Também não chega migrar para o digital e esperar que tudo aconteça. Há milhares de websites, páginas de Facebook ou contas de Instagram de outros que fazem o mesmo que nós. Neste contexto somos, como na vida real, mais um escritor, mais um programador, mais um professor de ioga... A presença digital é um excelente cartão de visita para as empresas nos darem trabalho ou conseguirmos fazer o que faz um bom empreendedor: encontrar financiamento e criar um negócio. Dá mais trabalho do que o famoso "das nove às cinco" e, para algumas pessoas, garante a satisfação dever cumprido, estimula-as a sair da cama mais cedo e de sorriso no rosto, mesmo que com um olho aberto e outro fechado (o empreendedor também tem sono) mas, nunca se esqueçam do pormenor que faz a diferença e nunca é relatado: empreendedor não tem apenas amigos. Tem connections e amigos com nomes bonitos que têm outras connections, que é mesmo que dizer que conhece as pessoas certas para que a sua ideia não seja apenas um sonho...

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