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Bater com a porta à escravatura do glamour

Bater com a porta à escravatura do glamour

Quem trabalha na área da moda, na televisão, nas revistas femininas e, mesmo, na rádio é habitualmente olhado com um misto de admiração e inveja. Há um glamour associado a estas áreas que, infelizmente, não tem exacta correspondência com o real. Não conheço bem outros sectores profissionais mas sei que consultores, advogados, farmacêuticos ou arquitectos sofrem do mesmo problema. Uma idealização profissional que, sendo verdade, não é verdadeira. Sobretudo no que respeita à salários e condições de trabalho...

Sei quem é a Pureza Fleming mas não a conheço pessoalmente. Editora de moda em várias publicações e com um percurso consolidado nesta área publicou no Facebook um texto crú e muito real sobre o mercado de trabalho em Portugal.

São cada vez mais os profissionais com um percurso relevante a abandonar um sistema impossível de descrever. Começamos por pensar que são os jovens e inexperientes a não encontrar espaço para penetrarem no mercado de trabalho. A seguir percebemos que, para além disso, são explorados: trabalham muito e ganham pouco. Gradualmente vamos verificando que não se trata de uma panaceia geral nos media, indústrias criativas ou trabalhos intelectuais em regime autónomo. O problema alastrou-se a inúmeras áreas profissionais. Quando ouvimos dizer que fulano bateu com a porta, pensamos ser um caso isolado. Passou-se, afirmamos em surdina... Entretanto sai outro. Depois outro e a seguir mais um, seguidos de tantos outros que só ouvimos dizer e estabelecemos um padrão: o das pessoas que se fartaram de ser exploradas e mal tratadas. A quem já não interessa o jogo de aparências do "o meu trabalho é mais glamouroso do que o teu" porque é tudo uma fachada para esconder pequenas misérias de quem anda a contar trocos até ao final do mês. Trabalhei como consultora e fui bem paga. Mas também fiz muita consultoria de graça e nem o reconhecimento me valeu. Esta ideia de que podemos trabalhar sem custos para a empresa porque estamos a promover, a expor o trabalho ou a fazer networking tem de acabar. Se para um jovem que não tem provas dadas e que precisa de um projecto para mostrar o seu valor isto pode - atenção, poderá - fazer sentido, o mesmo não se aplica a quem é contactado por ser a pessoa certa seja lá para o que for. Da mesma forma, não pode, nenhum profissional, ser remunerado abaixo das suas qualificações e experiência sob pena de a porta se abrir para uma fila interminável de novos candidatos. Isto é a escravatura do século XXI que traz consigo um considerável número de questões psicológicas que derivam em problemas físicos e, para as quais, muitos encontram saída fora de portas ou mergulhando de corpo e alma numa espiritualidade que lhes salva a vida e, esperam, as finanças. Como em tudo, não podemos ir todos por esse caminho e não faz muito sentido voltar para casa dos pais depois dos 30 anos....

Quota parte feminina

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Abraços que queimam

Abraços que queimam