olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

A realidade real? Não é a que conhecemos...

A realidade real? Não é a que conhecemos...

Vivemos tempos contraditórios. Confusos e complicados.

O paradoxo está instalado e não há como escapar-lhe. São tempos de menos é mais e de apelo constante ao consumo. Da obesidade mórbida e da excessiva preocupação com a alimentação e saúde. Da liberdade para sermos, fazermos ou vestirmos o que queremos e da crítica bacouca sobre saias justas ou calças mal escolhidas. São também tempos de uma nova censura e do activismoextremado que não se concretiza para além do Facebook. Ou Twitter. Vai dar ao mesmo porque depois, no terreno, são poucos os que dão a cara.

Vivemos dominados por algoritmos que não entendemos e que fazem tudo por nos conhecer quando, na realidade, estão sempre muito ao lado....São também estes os responsáveis por este estado de coisas, enquanto filtram, limitam ou mostram aquilo que supostamente queremos ver. As notícias não estão - nunca estarão - nos sites de redes sociais. Nestas plataformas estão representações de uma realidade fabricada de acordo com um paradigma que não corresponde à realidade real.

Se a construção da realidade social já depende de umas quantas escolhas, e essas escolhas dependem de um conjunto de factores que relacionam os indivíduos que as fazem com o contexto em que se inserem, a organização que representam e a sociedade em geral, aquilo que é disparado pelas organizações noticiosas para o Facebook (e outros sites ou aplicações do género) obedece a um outro conjunto de escolhas, nas quais, novamente, prevalece a subjectividade individual em relação à subjetividade associada à marca de media que representam. Uff... Se a isto juntarmos as categorias que determinam o que o algoritmo de cada um destes sites nos vai mostrar, então é demasiado óbvio que estamos perante um real pré (e mal) fabricado que resulta principalmente em excesso de repetição e muito sensacionalismo.

Estes são, para mim, tempos em que também se perdeu a noção de bom senso, simplesmente isso. Tempos do vale tudo, esse desporto em que apenas os olhos ficam no lugar. E porque vale tudo, descemos além do nível 0 da comunicação e da decência para explorar uma certa curiosidade mórbida tão típica do ser humano. Somos melhores do que isto. Podemos ser mais do que (agora) somos, desde que tenhamos a tenacidade de contrariar a tendência, pousar o telefone, desligar o computador e simplesmente ver o mundo lá fora. Pelos nossos olhos.

Vida interrompida

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Fátima, Futebol e Fado não são nem religião, música ou um jogo

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