olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

To love or not to....

To love or not to....

Amor é amar, sem pensarmos na cor ou no tamanho, no volume ou falta dele. 

Amar é gostarmos de alguém não por aquilo que esta pessoa parece mas por aquilo que é. E se, efectivamente, as leis da atracção podem ditar muita coisa na relação que se pode estabelecer entre duas pessoas, se é verdade que há características físicas que nos podem atrair ou afastar, também é verdade que quem ama o feio bonito lhe parece, que importa o ser e não o parecer. Na verdade, apaixonano-nos porque sim. E nunca pensei que a cor da pele fosse um tema, quando se fala de amor.

Na verdade sei que é um tema mas prefiro pensar que não. Normalmente olho para as pessoas. Admito pensar sobre o seu aspecto físico, independentemente de serem brancas ou pretas, árabes, latinas ou orientais. O mundo é uma mistura enorme e estou segura de que muitos brancos que pensam que outros são igualmente caucasianos estão redondamente enganados. Há muito que o conceito acabou sem que perdêssemos tempo a pensar sobre isso, ou a educar a sociedade para este contexto. Parte-se do princípio que aceitamos naturalmente as coisas. Na verdade, somos racistas uns com os outros. Até entre raças fazemos diferenças porque há sempre quem ache que há uns melhores do que outros. Lamento dizer-vos que não há. O que há são pessoas melhores do que outras, independentemente da sua herança genética que lhe dá traços característicos de uma determinada raça. Ou etnia. Primeiro: o conceito de raça não se aplica, excepto quando nos queremos diferenciar dos animais. O que existe é a raça humana com diferentes características biológicas, sociais e culturais. Diferentes etnias sim, para uma mesma raça: a humana. Por isso, quando alguém afirma a "raça negra" está a dizer o maior dos disparates. Porque, da mesma forma que não existe a raça chinesa ou a raça branca, também não existe outra raça para além da humana. HU MA NA, got it?

Isto porque este vídeo que, seguramente, já viram, mostra um very british professor a ser interrompido por duas crianças pequenas. No vídeo aparece também uma mulher que tenta resolver a situação. O professor fala sobre a Coreia do Sul e, por coincidência, a mulher é asiática... Os comentários sobre a suposta nanny não se fizeram esperar et voilá, a nanny é a mãe das crianças e mulher do professor. Afinal, contra todos os nossos preconceitos, o professor não está em Oxford com uma empregada asiática - e descuidada - que lhe interrompe a entrevista televisiva. Afinal, o inglês vive na Coreia, é casado com uma coreana e pai de dois filhos. Um casal multir-racial. Estranho? Parece que, para algumas pessoas, sim.

Decidi sair à rua e fazer perguntas para perceber se este preconceito realmente existe. Será que as pessoas olham de forma diferente para um casal multi-racial? Será que, em Portugal, este conceito de casal multi-racial se aplica e faz sentido? Será que estes casais sentem algum tipo e preconceito? E as famílias? Aceitam ou criticam?

Falei com seis casais diferentes e percebi que somos generosos e tolerantes. Acima de tudo que não tecemos grandes considerações sobre o tema, a ponto de alguns casais considerarem esta, uma não-questão. Foi nesta altura que me senti preconceituosa e racista por fazer estas perguntas, quase como se me fitassem questionando-se - questionando-me - sobre o que me levaria a pensar assim. Não penso. Acredito que nos apaixonamos por uma pessoa e não pelo seu tom de pele e, sem chegar ao tom trágico, pensei encontrar histórias shakespearianas de famílias que se odeiam, melodramas iguais aos das telenovelas e finais felizes como nos filmes. Só há finais felizes e apontamentos tão banais quanto os dos jovens que, na noite, já bem bebidos e muito parvos, gritam para quem quiser ouvir "larga o osso, oh preto", das avós que se preocupam sempre com as suas meninas, mais ainda quando ele não é da mesma cor, ou das mães que receiam a outra família. A sogra é, e será sempre, a sogra... Nestas famílias, o branco e o preto há muito que se misturam, com outros casais inter-raciais e membros da família brancos e pretos. O mesmo para os indianos com quem falei, bem como para o único casal com um membro latino. Destes casais, três têm uma experiência de vida internacional e relatam o factor multiculturalidade como elemento que faz a diferença na aceitação. A Luisa vive no Norte da Europa e foi lá que encontrou o amor. Como afirmou, a surpresa inicial quando os conhecem nunca foi de reprovação e o facto do contexto em que se movem ser essencialmente internacional, urbano e cosmopolita ajuda, pois são pessoas que convivem regularmente com outras nacionalidades. Contudo, há quem relate alguns pormenores da vid profissional que indicam algum preconceito. para com a pessoa, não a sua relação. Já o Tiago, apesar de um certo ar magrebino, nunca sentiu qualquer reprovação, apesar de ter vivido no centro da Europa em plena época de atentados terroristas. Da mesma forma, os indianos casados com portugueses nada têm a relatar, afirmando que sentiram alguma reprovação social de forma individual e não como parte de um casal multi-racial, esse conceito cuja expressão me provoca comichão, porque, de facto, somos todos feitos do mesmo, ou não fossemos humanos

Londres aqui tão perto

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Eu não fui à Moda Lisboa

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