olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Profissão: feliz. Ocupação: várias.

Profissão: feliz. Ocupação: várias.

Isto de ser nem, nem está com nada. Esta é a continuação do nem-nem.

Foram muitas as mensagens confirmando o que escrevi, sobre este fenómeno dos que nem estudam nem trabalham. O tema não se esgota porque há muitas histórias sobre o tema. Muitas. Demasiadas.

Nunca fui nem-nem, mas sou outro tipo de nem e conheço uma outra categoria, não classificada, que também é nem-nem. Os que nem são arranjam trabalho e nem são reformados. Os que nem podem candidatar-se e nem devem arranjar trabalho. Uns têm experiência a menos. Outros a mais. Uns têm poucas qualificações, outros têm-nas a mais. Uns são demasiado jovens, outros passaram da idade, mas ainda não podem encostar à box e receber por aquilo que foram descontando ao longo da vida. Que mundo injusto este, em que tantos profissionais de valor são deixados à sua sorte ou mendigam migalhas que o Estado dá, precisando comprovar de várias formas a sua necessidade de apoio? 

Por vezes tenho a sensação de que crescemos demasiado depressa e de forma pouco sustentada. Uma espécie de bolha que rebentou criando uma mais pequena, deixando fora dela muitos dos que foram chamados a contribuir para esse crescimento.

Fazer parte de qualquer um dos grupos nem é frustrante porque dá a sensação de incompetência, de inabilidade, de solidão. Viver como se isso nem nos afectasse é mentir porque afecta. Uns optam por estar entre projectos, evitando a palavra desemprego, que tende a colar-se a nós como um carrapato, definindo quem somos. O que somos. Nada mais errado. Outros decidem desenvolver projectos pessoais, mesmo que esse projecto seja apenas plantar ervas aromáticas na varanda lá de casa. Qualquer coisa serve para manter a aparência de actividade na expectativa de iludir a inactividade e estimular a curiosidade. Afinal, não dizem que é mais fácil arranjarmos emprego quando estamos empregados?

Também há os que se fartam disto tudo e apanham um avião. Quando regressam já trabalham, foram interessantes para alguma empresa e desistem de voltar. Será que não cabemos cá todos?

Outros desistem dos seus sonhos, esquecem tudo o que aprenderam e dedicam-se à primeira coisa que lhes pague as contas. Ninguém vive do ar. E se também é certo que há muitos profissionais com um elevado grau de mediocridade, também é verdade que parte deles consegue estar a trabalhar. Como? Não sei. Como também não são apenas os bons que ficam foram do mercado de trabalho. Alguns não são empenhados, dedicados ou suficientemente profissionais e, por isso, são os primeiros a sair. Mas também acontece saírem primeiro os que chegaram há menos tempo, porque a indemnização é mais baixa ou o contrato a termo. Escolham. De qualquer forma, se o problema fossem as competências, qualidade e habilitações o mercado faria as suas escolhas. A questão é maior, mais grave e, admito, não sei como se resolve.

Para fazer, não fazemos sozinhos. Para mudar, não mudamos sozinhos. O mundo depende de uma teia de relações e, no que respeita ao mercado laboral, essas relações são fundamentais, sobrepondo-se, muitas vezes, às questões objectivas da relação entre o profissional e o trabalho. Poderemos continuar a deixar que este tipo de relação interfira directamente no que fazemos e no sucesso dos nossos projectos? Poderemos continuar a esperar depender de subsídios para subsistir ou apoios para progredir? Poderemos continuar a encontrar obstáculos na lei, nos impostos e nos processos? Ou podemos tornar tudo mais simples e, simplesmente, deixar fazer? Tudo menos deixar andar.

Nem uma coisa, nem outra. Apenas, ser feliz.

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