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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Networking no feminino?

Networking no feminino?

Há networking só para mulheres? Precisamos disso? Quer isso dizer feminismo? Não. Networking no feminino quer dizer exactamente o mesmo que as relações entre empresários do sexo masculino. Simboliza um tipo de relação de proximidade - direi mesmo, irmandade - que também existe entre os homens sem que estes sejam, negativamente apelidados de machistas ou qualquer outro sufixo com tais conotações. Talvez por isso, por essa associação tão pouco agradável, muitas mulheres prefiram omitir os seus valores ou ideologias, resguardando-se atrás da ideia dos direitos iguais que é, no fundo, o fundamento do feminismo.

Não sou feminista. Não naquele sentido de quem... Ou de quem anda a queimar soutiens.

Ontem ouvi duas mulheres diferentes, executivas de sucesso que trilharam o seu caminho num meio essencialmente masculino, que gerem empresas com lucros acima do milhão de euros resguardarem-se em relação à palavra feminismo, enquanto afirmavam um dos seus principais valores: direitos iguais. São mulheres poderosas que reconhecem a necessidade de se apoiarem mutuamente, que afirmam a necessidade dos direitos serem iguais, que discordam da mentalidade antiquada na qual a mulher deve ficar em casa a cuidar dos filhos. No entanto, não se assumem feministas. Ao fundo, uma voz experiente afirmava, com orgulho, ser feminista. E outra, para além de feminista, recordava ser, também, feminina. Não consigo deixar de pensar na razão pela qual a palavra feminismo deixa tantas mulheres desconfortáveis, da mesma forma que tantas outras, que defendem direitos iguais, não se querem conotar com o feminismo. O que é, afinal, o feminismo? Existem diferentes tipos de feminismo? Estaremos perante um certo neo-feminismo, uma outra corrente paralela a um certo feminismo exacerbado - ou da ideia de feminismo exacerbado - caricaturado por uma imagem de mulheres que odeiam homens? Estamos todos confusos entre aquilo que sempre tomamos por certo e o que muitas mulheres reclamam para si.

E porquê esta questão, hoje? Ontem a direcção da WPO mudou de mãos em Portugal. Helena de Abreu e Rodrigues (fundadora e CEO do Allby Group)  irá, a partir de agora, conduzir a Women Presidents’ Organization, Inc. (WPO), uma ONG para mulheres presidentes de empresas que facturam pelo menos 1 milhão de dólares (B2B) ou 2 milhões (B2C). É muito. Ao contrário do que se possa pensar, há muitas mulheres na condução destes negócios de milhões. Não tantas quantas deveriam, contudo. Por isso, a WPO existe para facilitar as relações entre estas mulheres e acelerar o crescimento dos seus negócios. Na verdade, todos queremos chegar ao primeiro milhão. Só não sabemos como...

Independentemente do que consideramos ser o feminismo e de sermos feministas (ou de termos essa consciência) na verdade,  o empreendedorismo ou a gestão dos negócios depende muito de uma rede de contactos estruturada, organizada e criada de forma a apoiar o desenvolvimento de cada uma de nós e, consequentemente, da empresa. As mulheres, todos sabemos, combinam tarefas de gestão empresarial com a da família, a maternidade e outros aparentes detalhes da sua vida pelo que, uma organização que as ajuda a aprender a fazer crescer o seu negócio sem que se sintam sozinhas nesse processo, faz todo o sentido. A partilha de conhecimento e o apoio no desenvolvimento das actividades é fundamental para um crescimento sustentado. Fundamental, especialmente numa altura em que Portugal parece uma incubadora de ideias e empresas. De micro empresas a start ups, nunca antes conhecemos tamanho dinamismo empresarial. E mesmo que muitas fiquem pelo caminho, o facto de entre as maiores haver uma rede de contactos e suporte pode ajudar a que outras também consigam crescer. O mundo presta atenção ao papel da mulher no mundo empresarial e as mulheres, com ou sem apoios, fazem crescer negócios tradicionais renovando a sua oferta. A WPO serve para as apoiar. Em Portugal, a nossa extrema humildade, timidez, desconfiança e fechamento terá muito a ganhar com uma lógica que vem contrariar esta postura, abrindo portas à partilha, para aprendermos umas com as outras e os restantes membros da WPO espalhados pelo mundo.

Quanto o Urbanista atingir o milhão eu explico como foi!!

Há muito que deixei de acreditar...

Há muito que deixei de acreditar...

As coisas que nos dizem

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