olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Não é tolerância, é respeito.

Não é tolerância, é respeito.

Morreu o Professor Paquete de Oliveira. Vou poupar-me - e poupar-vos - às descrições generalistas que qualquer pesquisa no Google reproduz porque, para mim, foi uma pessoa muito importante. Mesmo na morte, continuou a ensinar-me.

Conheci-o quando integrou o júri das minhas provas de mestrado. Se uma prova desta natureza é assustadora, se o júri mete sempre medo, ter uma figura de proa da sociologia em Portugal, no júri de uma tese sobre rádio, faz-nos sentir (ainda) mais pequenos do que possamos ser. Não me recordo com exactidão das provas, mas recordo-me da tranquilidade que o Professor Paquete transmitia, garantindo que não esquecemos o que sabemos, e que conseguimos aprender algo, a partir da nossa ignorância. Os anos foram passando. Recentemente tive a honra de ser sua colega de júri numas provas de doutoramento. Continuei a aprender.

Sempre que nos cruzávamos, tinha o cuidado de me perguntar pelo meu percurso, talvez para se assegurar que estaria no bom caminho ou que o caminho não me abandonaria. Senti sempre uma preocupação verdadeira, para além das perguntas que tantos nos fazem, sem escutarem as respostas. Sinto-me feliz por isso e triste porque a doença o impediu de presenciar uma das minhas últimas realizações, o lançamento do meu livro, em Fevereiro. Morreu este fim-de-semana. Voltou a ensinar-me. Na cerimónia do funeral, família e amigos falaram sobre o Zé Manel. Fizeram referência ao nosso comportamento em sociedade porque, mais do que tolerar, temos de respeitar. Respeitar o outro como ele é, as suas opções e características. Porquê isto, hoje?

Porque respeito é algo que nos falta quando pensamos, quando falamos, quando interagimos com pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo.

As fufas. Os paneleiros.

Já não soa tão bem, escrito assim, não é? Pois. É assim que a maior parte pensa - e diz - quando se refere a pessoas iguais a nós. Porque são. Mesmo que, quando a luz se apaga, possam gostar de forma diferente da maioria. Que maioria? Gostaria de pensar que a tolerância não faz falta. Porque, simplesmente, passámos todos a tratar o outro da forma que gostaríamos de ser tratados.

Morreram pessoas que exerciam o seu direito a estar. Dançar. Namorar.

Liberdade, conhecem?

Não morreram no Boko Haram. A atravessar o Mediterrâneo. Na Síria. Palestina ou qualquer outro local devastado pela guerra. Não morreram acidentalmente. Morreram fruto da incompreensão e dessa outra liberdade que é a de possuir uma arma. Mas essa não nos dá - não pode dar -  liberdade para limitar os outros. Mesmo quando não gostamos deles. Os outros. Porque não é para gostar. É para respeitar.

Produtividade e cenas das quais os patrões gostam. So not cool...

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Do amor e do elitismo cultural. About love and wicked presumptions

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