olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

branco. white.

branco. white.

Aparentemente a imagem nada tem a ver com o texto. O tema. Ou o título. Águas furtadas, tons excessivamente claros, no limiar da transparência, contrastando com as telhas vermelhas. Poesia? Não. Deveríamos ser mais brancos nas nossas atitudes e comportamentos. Se entendermos o branco na sua simbologia pura de paz e limpeza, que proporciona, sempre, a sensação de liberdade, então deveríamos ser mais claros. Branco é também a luz que reflecte todas as cores do espectro. Por isso a escolhi para ilustrar o texto de hoje, que é claro - não no sentido do branco - mas, no sentido literal do seu entendimento. 

#esefossecontigo não me sai da cabeça. Não pelo programa em si, antes pela mensagem, a música do Carlão e o vídeo, que me afectam mais do que qualquer programa encenado que a TV possa transmitir. Somos racistas, xenófobos, homofóbicos, sexistas, violentos. Mas podemos deixar de o ser, ou melhorar enquanto pessoas. Seres humanos. Admitirmos maior tolerância, abraçarmos a diversidade. Ontem ouvi alguém dizer que "não gostar de ciganos" era o último reduto de um racismo socialmente aceitável. E que a comunicação social tem muito pudor em chamar os pretos de pretos e os ciganos de ciganos, usando os negros e as pessoas de etnia cigana como expressões politicamente correctas. Não tenho nada contra pretos, ciganos ou muçulmanos, essa categoria recente dos ódios sociais. Tenho contra qualquer pessoa que me faça mal ou atente contra o meu bem estar. E há tantos brancos que encaixam na definição...

A questão centra-se, quase sempre, na medida da nossa aceitação. Se fosse "a tua filha a namorar com um preto", se fosses tu "a levar porrada", se fosses tu "a ser ostracizada pelas tuas opções sexuais", se fosse a ti que chamam "gorda"... Verdade. A relativização dos nossos comportamentos é real. Quando nos toca disparam os alarmes e entramos em modo "defesa", atacando quem nos ataca. O problema não é o tom da pele. Ou raramente é o tom da pele. Porque também eles, muitas vezes, não gostam de nós. Fala a caucasiana, claramente.

Gosto dos brancos - divertem-me, na verdade - que falam de pretos e de ciganos como se fossem todos marginais, ou de muçulmanos como terroristas sem excepção, esquecendo-se de todos os brancos que estão do lado de lá da Lei.

Na verdade, os brancos têm mais expressão mediática e, por isso, a exposição dos seus modos de pensamento tem maior notoriedade. Há inimizades em ambos os lados da barricada que deveria ser eliminada de uma vez. Há brancos burros quem nem um calhau e pretos muito inteligentes. Excepção à regra? Não. As pessoas são o que são. Porque a cor da pele não define capacidades ou comportamentos, mas sim a sociedade e as oportunidades que a mesma (quase) determina para cada grupo social, condicionando as competências que cada grupo pode obter. Somos fruto do que somos, mas também somos resultado do que a sociedade reserva para nós o que, em boa verdade, nem sempre é assim tão especial. 

Se a isto juntarmos o sexismo, especialmente o que ocorre entre mulheres ("a gaja assim vestida parece uma p****, ring a bell?), a falta de tolerância para as opções dos outros - desde as alimentares, quando falamos com desdém dos vegetarianos ou quando descrevemos quem opta por uma alimentação saudável como maníaco - estamos perante um cenário que tem muito pouco de branco mas que mostra, claramente, que o direito à diferença é pouco tolerado.

It’s not always about your skin. Most of the time it’s about who you are, your beliefs and our common misbeliefs.

Last Monday I wrote about prejudice. Generally, without a specific approach. Portuguese TV premiered a news TV show focusing on prejudice, with a special opening by two Portuguese hip hop /rap artists (Carlão & Boss AC). Both joined forces to tell us what we really need to know: 

What if it would happen to you?

Even if you don’t get the lyrics, take a few minutes to listen and watch the video. You’ll get the idea. I like it very much even if I’m not much into rap songs because it touches the key points: domestic violence, racism, homophobia, sexism, body image, transgender, women, children and elderly. 

“We never are, but we have friends who are” is one of Carlão's statements about racism. Maybe sexism, domestic violence?... I don’t know for sure since he might? be talking about any of these issues. Either way, we ignore it. Every time we can. As much as we can, focusing on ourselves and our tiny issues that we transform into supposed to be real problems.

Liberdade. Freedom.

Liberdade. Freedom.

Verdade. Truth.

Verdade. Truth.