olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Tramp, though not TRUMP.

Tramp, though not TRUMP.

Everything happens for a reason. I'm still wondering the reason why this happened. 

Podia limitar-me a escrever esta frase. Todos ou, pelo menos, uma grande parte, iriam entender. 

A manhã começou igual a tantas outras.  

Um som irreconhecível, ao longe, muito longe que subitamente se torna familiar... Uma mão que alcança um botão para o silenciar. O ritual de enroscar, mimar, virar e pensar que são apenas mais cinco minutos. Sentir o corpo a recusar-se, a deixar-se embalar no quente confortável... Mais cinco minutos e sabemos que não são apenas cinco. Uma coragem que nos chega não sabemos de onde. O corpo estica-se. Espreguiçar. Abrir os olhos. Sair da cama com os olhos semi cerrados. Lá fora amanhece. Céu cinzento. Estrada molhada. Movimentos que se repetem, acções voluntárias que conhecemos de cor. Depois, na mesa, as notícias. Na rádio as palavras que se sucedem sem dizerem o que queremos. Subitamente. A frase inquestionável. Continuamos como se nada fosse. Como se não nos afectasse. É impossível ignorar. Tentamos manter a normalidade e comentamos a vitória de Trump. Não estamos surpresos, embora queiramos pensar que sim. Estamos siderados embora queiramos reagir. Aconteceu o que sabíamos que provavelmente iria acontecer e que preferimos pensar que jamais poderia acontecer. 

He didn't beat the odds. He managed the odds. 

Como numa relação que está morta, tentamos ignorar os sinais, mesmo quando sabemos serem reais. Como a fast food da qual tantos querem fugir sem lhe conseguirem resistir. Como aquela shameless selfie que nos pode arriscar a vida mas que não desistirmos de conseguir.

A nossa atracção pelo abismo vem de uma necessidade humana de enfrentar os nossos medos mais profundos, de nos testarmos e avaliarmos. Como as crianças, de esticar a corda ao limite a ver se parte. Sabemos que irá acontecer mas teimamos em não acreditar que será assim.

Convencemo-nos de que seria uma mulher a ocupar a presidência dos Estados Unidos da América. Afinal, a evolução social e cultural da sociedade iria nesse caminho, não é? Depois do Obama, uma mulher. Depois de uma mulher, um homossexual. Depois? Não pensámos nisso. Como também nos esquecemos de observar  o mundo e ouvir as suas vozes, revolta e lamentos. Na Turquia, na Hungria, em toda a Europa... Radicalismo que nos ataca e se entranha como um atentado à democracia. Governos inesperados que se formam aqui e ali. Coligações e interacções nas quais jamais iríamos apostar.

Ninguém sabe o que virá a seguir. Não só pela imprevisibilidade que lhe está associada, como pela inexperiência em matérias políticas sérias. É rude, não tem filtro. Talvez por isso tenha cativado um machismo velado que ainda existe na nossa sociedade tão supostamente pró-feminista. Não é. Parece. O mesmo se aplica ao racismo. Aos imigrantes. Somos todos iguais até ao momento em que é mesmo preciso acreditar que somos. 

Para além de ser um bully, um rebelde fora do sistema, Trump é também espertalhão. Não fez mais do que aproveitar as fragilidades de cada um de nós, pavonear-se sem conteúdo ou substância enquanto debitava frases feitas que ecoam como aquelas musicas más que nos ficam no ouvido dias inteiros. Apelou e usou as brechas abertas pelo próprio sistema, cavalgando em cima das tendências, dos gritos de revolta. Não deu voz a ninguém nem será a voz dos oprimidos porque os ignora. Situou-se na zona de sombra que a maior parte dos políticos quer ignorar por ser a mais difícil. Apanhou-lhe o jeito e foi repetindo a receita até chegar à Casa Branca.

E não é que chegou? 

Teoria do caos

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About misconceptions (mal entendidos)

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