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urbanista

a vida como ela é

as velhas mais bonitonas do pedaço têm um velho entre elas

as velhas mais bonitonas do pedaço têm um velho entre elas

Em 2016 fui a uma conferência e conheci a Maria que me apresentou as velhas pelas quais me apaixonei. O seu projecto de pintura chama-se Velhas Bonitonas e retrata a força da velhice sem desculpas, subterfúgios e, principalmente, sem photoshop, porque há algo de belo e muito forte na história que as rugas destas velhas contam. Há uma velha à qual chamo velha urbanista por muitas razões mas, principalmente, porque me cruzei com ela no momento certo da minha vida, inspirando-me. Para além disso, gosto, principalmente, da ausência de preconceito em relação à palavra "velhas" e a descontracção da palavra "bonitonas".

A Maria Seruya está de volta ao Urbanista porque o seu trabalho cresce de dia para dia, sempre com coisas novas para contar e mostrar, e inaugurou esta semana a exposição Velhas Bonitonas, na antiga carpintaria do Museu da Carris.

Numa sociedade que valoriza desmesuradamente a beleza, um projecto como as Velhas Bonitonas é uma espécie de pedra no charco porque consegue retratar a velhice de uma forma muito moderna e bela. Não há uma única velha macambúzia, tristonha ou, simplesmente, velha, correspondendo ao estereótipo da velhice que tanto se esforçaram por mostrar. Na verdade, existem inúmeras actividades destinadas a uma população sénior crescente e, no domínio da saúde, estamos mais em modo de tratamento do que prevenção. O facto é que vamos todos para velhos. Envelhecemos diariamente e, mesmo para aqueles cuja ideia de velhice é longínqua e associada aos avós, crescer é envelhecer e envelhecer é mudar.

Todos os dias.

A ideia de preparar a nossa velhice não pode começar quando somos velhos nem estar apenas associada à reforma (para termos meios de subsistência), ao exercício e bem estar físico (para mantermos o corpo a funcionar), à saúde (para nos mantermos saudáveis, sem recurso a medicamentos) ou ao conhecimento, para evitar a degenerescência mental. Porque envelhecemos um bocadinho todos os dias é importante pensarmos onde e como queremos estar quando as rugas se instalarem. Eu sei que vou querer estar e ser como estas velhas, que se apresentam ao mundo divertidas, imunes ao preconceito associado à idade, sensuais (e sexuais), muito capazes, interventivas, bonitas e, principalmente, livres.

 a venda do Velho Bonitão reverte a favor da  Associação Cabelos Brancos

a venda do Velho Bonitão reverte a favor da Associação Cabelos Brancos

A verdadeira beleza é a que se auto proclama em cada um de nós através da liberdade de nos assumirmos perante o mundo. Despidos de ideias feitas, inveja e ganância e vestidos como estas mulheres: de amor. Escutem a Maria Seruya que, apaixonadamente, fala do amor que coloca em cada uma das suas criações...

Guitarras ao alto

Guitarras ao alto

A inspiração é muito transpirante, profundamente dolorosa

A inspiração é muito transpirante, profundamente dolorosa