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Luxo: 21 aspectos que definem o verdadeiro luxo

Luxo: 21 aspectos que definem o verdadeiro luxo

A palavra luxo remete-nos, imediatamente, para a ideia associada à sua aparente definição, de um modo de vida aparatoso, baseado no supérfluo e ostentação. Mas o luxo é, também, conforto e prazer, independentemente de tudo. Como afirmava Coco Chanel, se não for confortável, não é luxo. Talvez por isso tantas vezes pensamos na tangibilidade do luxo quando, o verdadeiro luxo nem sempre é palpável.

A conferência organizada pela Condé Nast, The Language of Luxury, que este ano se realizou em Lisboa, é tudo menos supérflua. É um luxo. Arrisco a dizer que é uma das melhores conferências em que participei nos últimos anos. Há muito tempo que não era surpreendida de forma tão positiva pela riqueza do conteúdo. Que banho de mundo e conhecimento.

Luxo. No melhor sentido da palavra.

Gostei particularmente de perceber que a linguagem - e o negócio - do luxo ultrapassam, em muito, a ideia de um apelo ao consumo excessivo ou de uma apologia de um certo materialismo sem sentido. Gostei sobretudo de me confrontar com a nossa pequenez, quando pensamos que o mundo é isto que conhecemos, esquecendo-nos, tantas vezes, que há um mundo inteiro por descobrir. A verdade é que nos limitamos demasiadas vezes ao contexto em que nos movimentamos, convencidos de que essa janela chamada internet nos coloca o mundo na mão quando, na verdade, temos acesso apenas a uma fracção das suas infinitas possibilidades. 

Na conferência estiveram diferentes aspectos em discussão, relacionando-se nas suas já existentes co-relações e potenciando novas interligações entre o negócio, a cultura, a sociedade, a identidade - individual, local  e global - a digitalização, a gestão das marcas, ideias futuristas e a realidade para depois de amanhã. 

Dos conselhos da Rimowa relativamente às marcas que vão atrás das tendências focando-se apenas nisso, esquecendo como integrar as tendências na sua própria identidade, à mensagem editora da Vogue na China, relembrando que nos social media a mensagem pode perder-se no meio do ruído causado pelo fluxo contínuo de mensagens, passando pela ideia de que a inovação também passa pela transformação das narrativas que conhecemos até aqui, houve ainda tempo para perceber que temos de aprender a relacionarmo-nos com a inteligência artificial para criarmos uma nova linguagem que irá redefinir a forma como comunicamos com as máquinas, apontando ao futuro para deixar claro que cabe a todos e, principalmente, às marcas, a definição de estratégias de sustentabilidade, garantindo uma economia mais justa e o futuro do planeta.

Foi, de facto, um momento que me fez pensar sobre o luxo e perceber que, também a indústria do luxo privilegia a experiência ou seja, aquilo que, para mim, será a verdadeira definição do luxo:

o ser em detrimento do parecer.

A maior parte destas marcas assenta numa lógica de slow fashion, criando produtos únicos, de grande qualidade. O preço elevado resulta do processo criativo que lhe está associado, da qualidade da matéria prima utilizada e dos custos de produção que resultam em produtos de elevada durabilidade, qualidade e estética. A minha questão prende-se com outras marcas que se posicionam enquanto tal, confundindo o consumidor através de uma comunicação de marca assente no pressuposto do luxo sendo, na verdade, apenas marcas mais caras do que outras, exactamente iguais. Bullshit, portanto. São estas as marcas que critico, censurando igualmente um consumo burguês baseado na ostentação, da mesma forma que, em consciência, não posso - não podemos - continuar numa lógica de fast fashion inconsequente. É urgente questionar quem produz o quê, em que condições e com que matéria prima.

Qual terá sido o custo de produção de camisolas de algodão que se vendem a 3€?

Simultaneamente, podemos também pensar melhor  como nos tornámos tão materialistas e na forma como este consumo desenfreado se baseia numa lógica de baixo custo e rápida substituição. Estou consciente de que o mercado do luxo não é para todos - não é seguramente para mim - mas estou segura de que, independente no dinheiro que temos no bolso, necessitamos de adoptar uma postura mais consciente em relação ao consumo e às marcas, fazer escolhas informadas, menos emocionais e impulsivas, comprando menos e melhor. Cedo muitas vezes ao preço das marcas que oferecem grande variedade a baixo custo mas, hoje, olhando para as fotografias que tirei, constatei, uma vez mais, que o estilo não depende da moda e que, em situações destas, acabo sempre por escolher as peças (quase) intemporais, com as quais estou mais confortável. Já antes vos deixei dicas para melhores compras [LER], gastando menos dinheiro mas, hoje, em torno da palavra luxo, não posso deixar de pensar, como referiu também Alexandre Arnault Co-CEO da Rimowa, que tudo se resume às experiências que temos e que, também essas precisam de acessórios para se materializarem, figurando naquela espécie de auto-biografia que vamos escrevendo no instagram ou snapchat.

A questão é:  o que queremos mostrar? A pessoa que somos ou o que podemos comprar?

Quero acreditar na segunda hipótese e, para os que leram até aqui, esta é uma tentativa de criar uma lista que define o verdadeiro luxo, baseando-se em aspectos tangíveis e intangíveis, pensando na forma como conseguimos alcançar os tangíveis e na importância que podem, ou não, ter na nossa vida. O verdadeiro luxo é:

1. não usar despertador para acordar

2. poder assistir ao pôr-do-sol só porque sim

3. respirar ar puro

4. ir a pé para o trabalho (significa que moramos perto)

5. estar são e salvo num ambiente pacífico

6. dormir uma noite inteira sem interrupções

7. gerir conscientemente as nossas finanças e não contar tostões até ao final do mês

8. viver com saúde e bem estar, sem doenças

9. poder comprar um relógio automático para a vida, uma designer bag que não perde valor por estar usada ou uma trenchcoat que também valoriza com os anos

10. ter liberdade de expressão

11. ter informação e conhecimento para um espírito crítico em relação ao mundo

12. trabalhar no que se gosta e poder gerir os períodos de férias 

13. conhecer-se a si próprio e ser capaz de assumir as suas decisões

14. gostamos de nós como somos e não cedermos à pressão de agradar aos outros

15. chocolate quente

16. saber que a vida pode mudar ao estalar de um dedo

17. aproveitar cada dia com um sorriso e gratidão 

18. poder comprar alimentos com qualidade, produzidos localmente

19. usar sapatos confortáveis; melhor: pés na areia

20. ser capaz de dizer não

21. viver para ter tempo para ler e usufruir de diferentes expressões artísticas ou desportivas

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