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URBANISTA: definições e categorias interessam? Afinal, o que é que tu comes?

URBANISTA: definições e categorias interessam? Afinal, o que é que tu comes?

Acho que tudo começou quando uma amiga me perguntou:

“mas... afinal, o que é que tu comes?...” e eu, espantada, respondi “tudo”...


Para, então, explicar que como de tudo, que barro as torradas com manteiga se me apetecer. Biológica e meio sal. Que uso leites vegetais, que escolho fruta da época, que compro quilos de morangos na época para os congelar e comer no Inverno, que prefiro carne de origem biológica ou de produtores honestos que não fazem as vacas crescer em seis meses, que uso mais cereais e grãos do que massas refinadas, que não como bolos de pastelaria mas que continuo a comer bolos, preparados com frutas e adoçantes naturais...
Perante o seu “ahhh”, que não era nem de espanto nem de surpresa, decidi partilhar mais. Mostrar os bastidores da minha cozinha para, rapidamente, dar por mim a responder a perguntas que me faziam e tentar ajudar todos os que me abordam com dúvidas sobre como melhorar a sua alimentação.

Entre tantas modas e opções alimentares, estive, durante muito tempo, bastante confusa e, muitas vezes enganada, em relação ao que devemos comer. Até ao dia em que me limitei a pensar o óbvio: no tempo dos nossos avós, a incidência de cancro, a obesidade e as doenças cardio-vasculares era menor portanto…  tentei retroceder aos tempos em que não existia comida rápida, fácil e altamente processada, para me alimentar da forma (o) mais natural possível. Simultaneamente, comecei a procurar informação para me documentar. O processo continua porque não sou nutricionista e, agora que sei que há quem siga as minhas ideias, não quero defraudar expectativas. No processo, descobri, por exemplo, um estudo sobre os tipos de cancro na China que revelava mais de oito mil associações entre a alimentação e doenças, nomeadamente uma ligação directa entre a proteína animal e as doenças crónicas. Exposto assim, parece que não podemos comer nada que seja de origem naimal mas, na verdade, o problema é que comemos demasiada proteína animal e, sobretudo, reduzimos a nossa ideia de proteína à carne.

E, assim, fui introduzindo alterações que têm feito grandes diferenças na minha vida e bem estar. Por isso as partilho, tentando divulgar a ideia que uma dieta cheia de restrições é tudo menos divertida e que, para comermos bem, não precisamos aprender fisíca quântica. Basta regressar às origens e aguentar as piadinhas dos que, por exemplo, ainda acham que as sementes são para os pássaros. Da famosa chia às outras sementes, não restam dúvidas de que uma colher de sobremesa oferece fibra, ácidos gordos e vitaminas liposolúveis (soluveis na água).

A proteína, animal ou vegetal, deve fazer parte da nossa alimentação. Não creio que tenhamos todos de eliminar a carne e o peixe da nossa alimentação mas podemos, todos, ter um comportamento mais consciente em relação ao que comemos. Os aminoácidos da carne são importantes mas os minerais dos vegetais também. Convém pensar na forma como muitos animais são criados, na aquicultura dos peixes, na crueldade associada à produção em massa de vacas ou galinhas, do impacto que essa produção tem no ambiente e na forma como hormonas de crescimento, antibióticos ou calmantes (os porcos ficam altamente stressados quando vão para o matadoro pelo que lhes injectam calmantes para evitar os ataques cardíacos) também terão impacto na nossa saúde. Querem um bife ou uma dose de químicos? E a soja? Gostam de trangénicos? Pois. Os vegetais também têm químicos mas é cada vez mais fácil encontrar produtores cuja prioridade é a qualidade e não a quantidade.

Sou adepta convicta dos cereais desde que abandonei o consumo de cereais refinados e açucarados. Antes consumia-os como um guilty pleasure ou espécie de sobremesa. Substituí-os por cereais integrais a granel e passaram a fazer parte da minha alimentação diária, incluíndo, ainda, os que podemos usar como acompanhamento nas refeições. Os meus preferidos - e mais fáceis de cozinhar, porque ficam sempre bem - são o bulgur, couscus e quinoa que são, também fontes de proteína, ou seja, podemos usá-los misturados com legumes ou vegetais crús e o resultados é simplesmente delicioso. Se juntarmos queijo feta?… Uma delícia! 

Sobre os legumes, como já antes vos contei, nunca gostei de vegetais e, legumes, só na sopa. Acontece que eu não gosto (e nunca gostei) de sopa. Portanto… não comia. Achava, mesmo, que uma folha de alface, de quando em vez, seria suficiente. A regra é ao contrário: mais é mesmo mais porque os vegetais são fundamentais numa alimentação equilibrada.

Como consegui passar a gostar? Na verdade gosto assim-assim, mas aprendi a conjugar os vegetais e legumes com outros alimentos de que gosto muito, mastigando-os ao mesmo tempo para misturar os sabores. Nunca conjugo mais de quatro legumes numa refeição por várias razões: a mistura de sabores torna-se caótica e dificil de perceber e, dizem os especialistas, é mais difícil a absoção dos nutrientes. Por isso, regra geral uso três e vou alternando entre refeições, misturando com as sementes, os cereais, os queijos, a proteína, as leguminosas e, por vezes, superfoods. Se já ouviram falar e não sabem bem o que são ou para que servem, não se sintam mal. Acho que ninguém sabe ao certo se resultam mas, por via da dúvida, já as inclui na minha alimentação, especialmente nos sumos e smothies: a maca fornece energia, o camu-camu reforça o sistema imunitário, a spirulina é uma proteína vegetal e a lúcuma, excelente adoçante. Por falar em smothies - que faço pouco, optando pela leveza dos sumos naturais - há muito que abandonei o leite de vaca. Mantenho o ritual para a Rita, em fase de crescimento (nunca viram um mamífero adulto beber leite, pois não?…) e, por consumir uma quantidade razoavelmente mais pequena, optei por leite biológico. Apesar do preço bastante mais elevado, como compro menos quantidade, acaba por equilibrar a conta final. Também uso bebida de arroz (leite de arroz, como habitualmente dizemos) ou de aveia. O meu preferido é o de côco mas, para além de ser menos consensual em termos de sabor, é bastante mais caro. Sobre o “então, e o cálcio?!” Tenho uma resposta simples, que me deu um ortopedista há muitos anos: “menina, um punhado de bróculos tem muito mais cálcio do que um copo de leite”. E nunca mais bebi leite de vaca.

Creio que terão lido, no parágrafo anterior, a palavra adoçar… Açúcar, esse Diabo recente que nos foi injectado directamente no cérebo sem disso nos darmos conta? Cortem. Especialmente aquele não se vê e que está presente em centenas de alimentos. Vejam a tabela nutricional e, por cada 100g não devem consumir mais dos que 5g de açúcar. Agora é só procurar. E desesperar porque a maior parte do que encontramos ultrapassa largamente esta quantidade ou, pior, substitui o açúcar por outro ingrediente que não é contabilizado enquanto tal para garantir o sabor doce sem que a percentagem de açúcar seja muito elevada. Chamam-se edulcorantes ou aspartame prefiro não usar… Recorram ao mel, agave, açúcar de côco, geleia de milho para irem educando o vosso paladar ao sabor natural dos alimentos.

Nota final: light? Não creio que cresça nas árvores ou brote da terra. Está tudo dito.

Para responder à questão inicial: É isto que eu como.

Há um clássico neste processo que me faz sempre rir: quando um dia me disseram que os meus smoothies eram saborosos mas muito 'pesados'. A minha expressão de surpresa levou à explicação... “sim... custa-me a digestão do leite”. Nada do que preparo inclui leite de vaca. Sempre água ou bebidas vegetais! Foi quando percebi que estava, de facto, a influenciar alguém. Ou outra mensagem, mais recente, que revelava a surpresa em torno da fantástica mistura entre o quente das papas de aveia e o frio das framboesas congeladas... Sorri, de satisfação.

É bom perceber que podemos ajudar os outros.
Por isso, pensei que seria boa ideia juntar aqueles que tantas vezes brincam comigo por causa das papas e das sementes, os que se interessam verdadeiramente e os que me dizem constantemente que querem conhecer melhor as minhas receitas. Desafiei o Celeiro para fornecer os produtos, a Iswari para complementar, e o The Therapist para me emprestar a cozinha e a magia aconteceu:
O brunch urbanista vai acontecer este domingo e eu não poderia estar mais feliz, celebrando à mesa mais um aniversário deste projecto que é um blogue mas também um podcast, partilhando opções saudáveis muito fáceis de preparar! Acompanham-me?

Fotografia: © The Therapist

Unplug: verbo desligar.

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