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Stranger Things: temporada 2?...

Stranger Things: temporada 2?...

Para quem, como eu, nunca gostou de ficção científica, fantástico, terror ou terror psicológico, ficar viciada na série Stranger Things é, no mínimo, estranho. Mas aconteceu. E não tive medo, não me enrolei debaixo da manta nem escorreguei no sofá como quem se quer esconder de alguma coisa.

Subscrevi o serviço e, perante a variedade de opções, decidi pedir sugestões... 

Stranger Things foi várias vezes referida e, de todas as que recebi, a menos provável para mim. Fui espreitar e pensei que só poderiam estar a gozar-me... Aquela imagem de capa parecia uma cópia barata de Encontros Imediatos do Terceiro Grau meets E.T., clássicos de ficção científica de Steven Spielberg... Acho que foi por isso mesmo que carreguei em play. Não estava a acreditar...

Depois do primeiro episódio, decidi continuar e a família juntou-se, incrédula perante a minha escolha. Não, não ficaram viciados...

Dos tempos de deslumbre com os efeitos especiais tenho registos vagos, raramente de um filme completo porque nunca segui as trilogias, sequelas e estreias deste género. Do E.T. aos Goonies, destes aos Gremlins, passando pelos restantes filmes criados a pensar na geração que cresceu nos anos 80, tenho memórias vagas. O que eu gosto mesmo é de narrativas que imitam a vida real, histórias de pessoas, do romance, dos encontros e desencontros, do drama e da acção barata, aquela com explosões e perseguições que não serve para mais nada senão passar o tempo. Nunca esperei que o cinema me ensinasse nada, para isso tinha os livros e a música. Opções...

Na verdade, Stranger Things e é tudo isto e muito mais, porque é um drama romântico, um mistério e thriller psicológico, crime e aventura, envolvendo-nos num ambiente de ficção científica. Tudo para correr mal, portanto. Contudo, poderia ter assistido à primeira temporada sem interrupções e não me teria importado. Como?!...

Não sei. A história está bem montada e agarra-nos até ao final, mesmo que já tenhamos percebido quem é o mostro e o que lhe vai acontecer. Sabemos, mas temos a secreta esperança de que o final seja diferente, enquanto sabemos que vamos confirmar as nossas expectativas. Confuso?

Para quem não conhece, Stranger Things é uma série com uma história muito simples: numa pequena cidade norte-americana, um rapaz desaparece, a mãe não se conforma, os amigos não acreditam e o chefe da polícia fica com a pulga atrás da orelha. Juntos, mas actuando isoladamente, vão tentar descobrir o seu paradeiro. É isto. Mas é mais do que isso...

Sem promessas ou expectativas, começa assim, envolvendo-nos de imediato pelas inúmeras referências à cultura popular dos anos 70 e 80, a iconografia dos filmes da época, a música que nos recorda as nossas próprias mixtapes e, claro, a curiosidade em saber onde está Will, o rapaz desaparecido. Os estereótipos estão todos lá e não nos importamos, porque enriquecem a narrativa e definem personagens. Os amigos recordam-nos o nosso grupo de amigos e as escolhas de outfit típicas da escola, algures na década de 80. Os rufias que aparecem a chatear, as bicicletas remetem-nos para a liberdade da pré-adolescência e o encanto de E.T. mas, também, os pseudo-problemas da adolescência, os namoros e as amizades, a afirmação pessoal e a redenção das personagens porque, afinal, o amor vence tudo.

Há na história uma bofetada ao Governo norte-americano e às suas supostas experiências, fazendo-nos regressar ao tempo da Guerra Fria e a coisas que não sabemos mas que imaginamos que aconteceram e que, neste caso, criam o contexto e mistério e horror de Stranger Things. Esta noite dormi menos horas (quem nunca?...) e terminei a história, que termina abrindo caminho para a sua continuação porque, afinal, nisto de monstros, vencemos a batalha mas a guerra continua...

 

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