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SALDOS em estilo

SALDOS em estilo

Correndo o risco de me repetir porque sou, assumidamente, fã de saldos, fui confirmar e são mesmo muitos, os artigos urbanista com a palavra saldos... Ups... Das principais razões para esta obsessão com os saldos, o preço vem em primeiro lugar porque, se a marca pode vender peças da colecção da época a metade do preço, sem estar em stock out, então isso só pode significar que estamos a pagar mais para sermos os primeiros a comprar. Precisamos mesmo de ser os primeiros a usar aquela camisola que está no top das tendências?

Não.

Moda e estilo são coisas diferentes que, muitas vezes, se confundem. 

A moda define-se como o gosto de um determinando momento, criando tendências que ultrapassam, em muito, a roupa que vestimos. O estilo é outra coisa e não depende directamente das peças que escolhemos usar. Por isso, antes de sairmos para comprar, pensemos na forma como podemos inventar ou (re)inventar o nosso estilo que, apesar de depender da roupa que está à venda nas lojas, é único porque é nosso. Mesmo quando estamos a usar uma statement shirt igual à das outras pessoas. Vale para homens e mulheres, não tem género, especialmente numa época em que o assalto ao guarda-roupa deles está na moda para elas.

Vamos ao que importa:

- Esqueçam as peças que viram nas montras ou no instagram. Vá, podem comprar uma. Mas só uma porque rapidamente vão perceber que perderam toda a originalidade...

Esta é outra das razões pelas quais só compro nos saldos: as promoções chegam cada vez mais depressa e os saldos começam imediatamente a seguir ao Natal o que quer dizer que já tive tempo de ver a passarela da vida real, identificando as peças que marcam a estação para as ignorar deliberadamente, comprando outras que ainda não saíram à rua e que podem ser boas apostas para a estação seguinte (tecidos mais leves e não as lãs, certo?...)

- Não ataquem as mesas cheias de roupa desarrumada como se o mundo fosse acabar, arrebatando todas as peças da colecção Outono/Inverno, porque não vão querer sair à rua com peças novas da cabeça aos pés. É piroso e sugere que estão completamente na moda. Ou seja, ausência total de estilo. A não ser que as peças sejam os básicos e esses, querem-se sempre impecáveis! Mas, como ninguém usa básicos da cabeça aos pés, moderem-se nas escolhas e comprem com sabedoria. Como?

- Antes de sair, abram as gavetas, as portas dos roupeiros, dos armários dos sapatos, acessórios e tudo o que se possa comprar em lojas de roupa. Revejam tudo. O que não se veste há mais de um ano tem dois caminhos: o do adeus ou o das caixas "pode ser que se volte a usar" (peças clássicas das quais já nos cansámos) ou "para ocasiões muito especiais" (aquelas peças de festa que poderemos voltar a usar). As peças que nos deixam em dúvida ficam de lado para decisão pós-saldos e as que não vamos voltar a usar vão para um saco. Há quem precise e não custa nada ajudar.

- Comprar em saldo piscando o olho às peças que não estão em saldo porque, ainda que não sejam avanço de temporada, já dão uma pequena ideia do que está para vir.

Já detectei a cor (peças com cores fortes, tal como na colecção de Inverno; nomeadamente o vermelho, amarelo e azulão), os florais (estilo anos 60) mas também os padrões semi-tropicais (a lembrar as férias...), as referências à pop culture, os bordados, as peças em vinil (estilo saco de plástico...), as peúgas fancy em rede ou qualquer outro material igualmente pouco confortável, as franjas, animal prints e o athleisure (roupa com inspiração desportiva a lembrar os anos 80), válido também para eles, num estilo cada vez mais misturado e andrógino que recupera alguma inspiração do final dos anos setenta e anos oitenta, sem os exageros destas épocas.

- Circular pela loja observando as peças que as outras pessoas têm nas mãos. Nada de comprar o vestido boho comprido com bordados que saberá andar sozinho nas ruas, porque foi a peça que todas as pessoas compraram...

- Visitar as lojas mais improváveis. Já aqui provei que há de tudo para todos nas marcas de grande consumo de moda, a.k.a. Inditex e outras, pelo que, as miúdas mais novas podem encontrar acessórios incríveis nas lojas mais clássicas, e as miúdas mais velhas podem muito bem encontrar a peça mais irreverente nas lojas das miúdas. 

- Aguardar, aguardar, aguardar. Assim que compramos dá vontade de usar imediatamente, verdade? Paciência é a palavra de ordem por duas razões:

- o preço da peça pode baixar e, se o nosso tamanho ainda estiver disponível podemos devolver e comprar a um preço mais baixo;

- a peça que comprámos pode, repentinamente, tornar-se num big no porque todas as pessoas também a compraram... Esperar dá-nos maior probabilidade de não andarmos iguais ao resto do mundo...

- Tecidos e formas importam. Os saldos são o momento certo para nos impingirem tecidos de menor qualidade porque nos assobiam com o preço e, na confusão, vai tudo. Não vai. Não pode ir. Aproveitem para comprar tecidos (mais) nobres a um preço mais baixo e deixar as fibras manhosas para aquele momento de fraqueza em que compramos fora dos saldos. Há caxemira na zara, se procurarmos bem, e boas lãs em todas estas lojas de fast fashion, da mesma forma que há fibras de melhor e pior qualidade, dependendo das percentagens dos seus componentes. Não há pior do que comprar uma peça que, 3 semanas depois, está esgaçada ou cheia de borboto, não é?

Não interessa se o que está na moda são os sacos de serapilheira se isso vos ficar mal. Os casacões de lã, oversized, não ficam bem a todas as pessoas, da mesma forma que muitas outras peças estão proibidas dependendo da altura e tipo de corpo. Não comprem a pensar no corpo que gostariam de ter mas naquele que têm. Custa ouvir mas a verdade é esta: o verdadeiro estilo é aceitarmo-nos e vestimo-nos de acordo com as nossas características físicas, sejam elas o facto de sermos de pele muito clara ou muito escura, termos um metro e oitenta ou um metro e meio, estamos no peso certo, acima ou abaixo do peso ideal. 

- Online, online, online. As marcas investem cada vez mais neste canal que nos dá, também a possibilidade de fazer compras em marcas menos conhecidas ou que não existem (ainda) no nosso país. Temos sempre o risco de não acertar no tamanho ou na forma mas, para tshirts, sweatshirts, camisolas e camisolões, não tem como enganar. Gosto da Monki e da Arket, por exemplo, ou da American Eagle. Para as mais cépticas, outra opção é visitar as lojas em zonas fora da vossa área de influência (onde moram ou trabalham) para encontrarem peças diferentes. Caso não saibam, as grandes cadeias internacionais respeitam a colecção mas têm um conjunto de peças seleccionadas de acordo com o público-alvo da zona em que estão...

Finalmente... cuidado com as pérolas... são o detalhe mais tricky dos últimos tempos!

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