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A importância de não usar relógio e as apps que nos ajudam a gerir o tempo

A importância de não usar relógio e as apps que nos ajudam a gerir o tempo

Na praia não uso relógio. Ocupa demasiado espaço no pulso e é desnecessário. Comemos quando temos fome, descansamos quando estamos cansados, escondemo-nos do sol quando este queima. Nas férias, deixamo-nos regular pela intensidade da luz, despertando à medida que a luz do dia nos invade e acalmando quando o sol baixa no horizonte. 

Deveriam ser assim os nossos dias, mas teimamos em contornar o que é natural em nós, simulando a luz solar ou obrigando os olhos a abrirem antes desta aparecer. Vai sendo tempo de pensarmos de forma mais séria e concertada no que nos andamos a fazer. As doenças físicas e psicológicas não acontecem só porque sim. Não é um calhar. Estão directamente relacionadas com o nosso estilo e vida. Sim, sempre existiram porque há muito que andamos neste processo de driblar o adversário que, na verdade, somos nós próprios. A sociedade organizou-se de tal forma que é impossível escapar a este ritmo. 

Sempre me perguntei como seria possível permanecer no caos da cidade e, no entanto, encontrar o tempo e o espaço que as cidades, pela sua natureza, não têm. Por vezes parecem-me opressivas, quase não nos deixam respirar, por isso nos sabem tão bem aqueles dias que passamos longe disto tudo. 

Mas é possível viver melhor no caos urbano porque o tempo e o espaço estão dentro de nós. Sentei-me num local, que é tudo menos descontraído, com cinquenta minutos para queimar. Insuficiente para ir ao supermercado mas que suficiente para aproveitar os últimos vinte minutos de sol e desligar. Não ouvi os carros e autocarros e não sei quem passou por mim. Estive naquele limbo a que chamam meditação, sem meditar, e recomendo. Esta capacidade de abstração treina-se. Obriga uma respiração mais lenta e pausada, consciente do ar que circula, enquanto desligamos o sistema.

Para quem quer experimentar esta ideia de desligar no meio da confusão, a app calm pode dar uma boa ajuda. Tem-me ajudado à concentração enquanto trabalho, simulando vários ambientes que apelam à nossa calma e reproduzindo os sons desses ambientes: um lago numa montanha, o vento nos pinheiros, a chuva nas folhas, o pôr do sol na praia ou uma praia tropical... A aplicação é gratuita e foi criada para ajudar a meditar mas tem várias opções, incluindo selecções musicais para concentração ou relaxar. Naquele dia, em que me sentei a aproveitar os últimos raios de sol em Lisboa só tenho pena do ar, pesado, com excesso de monóxido de carbono, que senti afectar-me a cada inspiração. Pagamos um preço muito elevado pelo conforto de vivermos no centro da cidade e é tempo das mentalidades mudarem. Caminharmos mais, partilharmos as viaturas, encontrarmos soluções sustentáveis e menos poluentes porque as alterações climáticas não são um mito ou uma invenção. Sobram teorias da conspiração sobre as relações e correlações entre o aumento das temperaturas e os eventos climáticos extremos. Na verdade, independentemente de tudo, acreditemos ou não no fenómeno das alterações climáticas, não nos cai um braço por deitarmos o lixo no local adequado ou nos preocuparmos com a sua separação, por exemplo. Também não nos caem os parentes na lama se passarmos a ter uma preocupação genuína com a forma como tratamos o meio ambiente, se comprarmos um híbrido ou um carro eléctrico. Somos agentes de mudança e cada decisão que tomamos conta. Mesmo quando decidimos nada fazer.

Para quem tem muito que fazer e sente o tempo escorrer-lhe por entre os dedos, encontrei outra aplicação que podem ajudar: a WorkFlow Timer é isso mesmo, uma app que nos ajuda a criar blocos de tempo para usarmos o tempo de forma inteligente, concentrando a nossa atenção numa tarefa de cada vez, limitando as distracções para a concretizarmos no tempo definido até à pausa. Na primeira utilização pode transformar-se numa pressão enorme por vermos o tempo passar e nada fazer mas, à medida que vamos utilizando vamos percebendo que nos ajuda a definir o ritmo, ao mesmo tempo que nos damos conta da quantidade de disparates que nos fazem perder tempo... 

Hoje faço anos. Estreia-se, também, um novo serviço de car sharing, DriveNow, que inclui veículos eléctricos (BMWi3), ao qual podemos aceder através de uma aplicação móvel. Perfeito! Se preciso disto? Não. Tenho o meu carro que serve muito bem para as minhas necessidades mas, no entanto, se cada decisão conta, fica a dica para quem não tem viatura própria porque eu deixo cada vez mais vezes o carro à porta e vou a pé. Para quem prefere andar de cabelos ao vento existe o ecooltra (também com aplicação móvel) e, para quem, como eu, adora deslocar-se de bicicleta, a aplicação da Lisboa Bike Sharing (a fase piloto terminou, podem inscrever-se no site e aguardar novidades) pode transformar-se num potente aliado para dias mais divertidos, a pedalar em Lisboa.

 

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