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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Santos Populares

Santos Populares

É oficial: os Santos instalaram-se em Lisboa e não fazem milagres. As grinaldas estão em (quase) todas as ruas e há um aroma a sardinhas assadas no ar. Não vou mentir e fazer de conta que os Santos Populares são a alma do Urbanista. Não são. Estão mais para um #SoNotUrbanista do que qualquer outra coisa. Não atingem o "odeio mules" mas, como dizia a Leonor Wicke (a super estagiária urbanista) que todos os dias pesquisa e produz coisas muito urbanista, valerá a pena sair do conforto da minha casa, em véspera de feriado, para comer sardinhas oleosas e beber má sangria no meio de uma multidão ao som de música pimba?... Pois, I don't think so. Eu também. Mas gostava de gostar de me sentir espremida nas ruas de Alfama ou passear na Bica sem ver o chão. Sentir um cotovelo enfiar-se no meu estômago e levar com o suor dos outros. Como também dizia, alto e em bom som, acompanhada da Marta Cavaleiro, os Santos são Lisboa! Estão de tal forma enraizados na cultura lisboeta que seria um crime não visitar a cidade nestes dias e ver o que ela tem para oferecer. E, então, fomos ver. Ou melhor, elas levaram-me a ver e eu sobrevivi para contar tudo.

Roteiro dos Santos

Sítios diferentes para visitar

Da zona da Bica até à Graça, passando pelo Bairro Alto e por Alfama, o espírito dos Santos espalha-se por toda a cidade. É uma boa desculpa para descobrir os recantos e ruelas enfeitadas de grinaldas, sardinhas e manjericos, a pé ou de elétrico, e ficar a conhecer Lisboa um pouco melhor. E é tão bom fazê-lo durante o dia e antes da noite de 12 de Junho... Para ver as vistas incríveis de Lisboa é essencial visitar os vários miradouros. E fomos, feitas turistas ver o que já vimos vária vezes com o olhar de quem procura algo diferente.

O miradouro de Santa Catarina ou da Graça têm paisagens belíssimas e, se estiverem dispostos a caminhar um pouco mais, visitem o miradouro da Nossa Senhora do Monte, o mais alto. A vista é impressionante porque conseguimos ver praticamente toda a cidade. É um sítio fantástico para relaxar e beber algo fresco à sombra das árvores. Nas Vilas Bertas do costume não encontrámos grandes opções para fugir às usuais sardinhas e bifanas (e ao cheiro...) ou às tascas apertadas e mesas espalhadas pelas ruas e ruelas mas o objectivo não pode ser esse! Aguenta. Paga caro, come e bebe mal. E não chora. Não pode ser apenas o aroma a manjerico. Santos pede sangria que dá ressaca para ficar estendido na praia durante o feriado. Seremos menos lisboetas não indo aos Santos? Quero acreditar que Lisboa é tanto e não apenas uma festa popular com cheiro a sardinha. Mesmo porque estas festas são mais do que o pimba em que se transformaram para agradar e fazer dançar. É uma manifestação da devoção a Santo António e do solstício de Verão, menos encenado do que aquilo que hoje acontece. Não quero dizer que antigamente é que era bom, com os archotes e lampiões a iluminar o caminho, no que se viria a transformar nas marchas populares, mas era mais genuíno do que uma cidade cheia de grinaldas e arraiais, mesmo nos bairros onde tal nunca antes aconteceu. 

Para além da Vila Berta com o seu arraial típico (já famoso) a cidade está ao rubro esta noite. As marchas estão a descer a avenida e amanhã há casório com a benção de Santo António. A festa atinge o auge esta noite mas não termina: até ao fim do mês há arraiais por toda a cidade |ver aqui| e o Castelo de São Jorge tem várias atividades de dia e de noite no âmbito destas festividades.

Fotos: Leonor Wicke

Pesquisa: Marta Cavaleiro

O calor, o vento e os montes

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odeio mules

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