olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

dos dias úteis: como trabalhar e ser feliz

dos dias úteis: como trabalhar e ser feliz

Vivemos todos os dias felizes da multidisciplinariedade e da capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Serão mesmo estes os dias felizes ou andamos todos enganados, vivendo a um ritmo que não é o nosso, que assumimos como se fosse? 

Faço parte daquele estranho grupo de pessoas que não sabe estar quieta e que, quando não tem o que fazer, inventa. Que se envolve em muitas coisas simultaneamente como se fosse possível gerir dois - ou três - contextos ao mesmo tempo. Talvez seja. Mas cansa. Por isso, de vez em quando a ansiedade instala-se, interferindo no meu bem estar. Mesmo que possamos parecer de pedra, somo todos emoção e esta tem implicações directas para a forma como nos apresentamos ao mundo, bem como para a saúde. Quando em Agosto decidi parar e abrandar estava certa. Quando encontrei o que tanto procurava, mais ainda. A alegria entusiasma-nos e esse entusiasmo aumenta a nossa confiança, motivando-nos para a concretização de objectivos.

Esta semana já gravei dois episódios de dois podcasts diferentes, já dancei e alonguei, estou sentada a escrever, já li a avaliação das minhas disciplinas - consequentemente, a avaliação da minha prestação enquanto professora na faculdade - já almocei (daqueles encontros completamente casuais) com um profissional da rádio que respeito muito, e já soube que foi indigitado o novo Provedor do Ouvinte. Muito para um dia que ainda não acabou e ao qual irei acrescentar o lançamento de notas de alguns alunos que adiaram a sua avaliação, uma ida ao ballet com a #lovelyrita e a preparação do kit boas vidas para a nova estagiária e os colaboradores do #urbanista. Muito para um dia? Provavelmente, se a isto acrescentarmos tudo o resto que todos fazemos, que faz parte da rotina de todos os dias. E ainda conto namorar. Um bocadinho...

Dizem que quem corre por gosto não cansa. Não é verdade. Contudo, o cansaço que decorre de uma actividade que nos dá um grande prazer traduz-se num paradoxo: estamos cansados mas queremos continuar. Ao longo do tempo e, especialmente nos tempos mais recentes, aprendi a confiar mais no instinto, acreditando que temos todas as respostas dentro de nós. Na maior parte das vezes a vida resolve-se sozinha, só temos de saber observar e aguardar. Quando tal não acontece, não devemos ceder ao primeiro impulso mas analisá-lo como fazemos para qualquer decisão de carácter objectivo. Se é certo que cedermos às nossas emoções e intuição pode ser altamente questionável, por outro, sabemos sempre o que é melhor para nós. Só temos de ser capazes de isolar esse sentimento do resto. 

Para evitar o cansaço há outros truques que resultam: não nos deixarmos dominar pela tecnologia, usando-a como ferramenta. Entre outros aspectos negativos, os novos dispositivos são uma das grandes fontes de dispêndio de energia. O tempo que passamos em modo scroll down pode ser usado de forma mais produtiva. Da mesma forma, o correio electrónico não é uma mensagem instantânea, pelo que pode esperar. Ou seja, não devemos interromper o que estamos a fazer para responder a mensagens de correio electrónico razão pela qual, desligar as notificações deste serviço é mais produtivo do que se possa pensar. O mesmo para as do telefone que, quando queremos estar concentrados só servem para atrapalhar.

O mundo pode esperar um bocadinho. O nosso bem estar não.

Para além da tecnologia há outros aspectos que contribuem para aumentar esse bem estar e evitar o cansaço. Pois: alimentação e exercício físico. Mas isso já vocês sabiam, não é?

Reinventar a alimentação foi a melhor decisão de toda a minha vida. Há quem diga que estou mais magra mas não é verdade. Tenho menor acumulação de líquidos no organismo, o que me faz parecer mais seca e com menos gordura. Como melhor, o que significa que também acúmulo menos gordura, daquela que só serve para estar a mais. Reforcei os hidratos de carbono - oh yes I did - de absorção lenta e baixo índice glicémico (integrais, por exemplo) o que me garante mais energia durante mais tempo. Passei a beber café - watt?! - que é um estimulante com efeitos positivos quando não bebido em excesso. Sem açúcar e com canela, provocando uma libertação mais lenta e duradoura. Muita fruta e muitos vegetais, dos quais fugi quase toda a vida. Aprendi a temperar de forma saudável e a integrá-los nas refeições, que são hoje mais coloridas e saborosas. Têm menos calorias do que muitas coisas supostamente saborosas e saudáveis que comemos, garantindo energia por causa das vitaminas e minerais na sua composição. Continuo a comer coisas doces, cozinhadas com produtos naturalmente açucarados como o côco ou as tâmaras. E se perdemos na textura, porque as farinhas e o açúcar refinado garantem bolos mais fofos, ganhamos no sabor e no facto de comermos um bolo que não é prejudicial à nossa saúde. 

Em conclusão: o que fazer para fazermos o que gostamos, mesmo quando não gostamos lá muito do emprego que temos, evitarmos o cansaço e nos sentirmos felizes?

Organizar o tempo, comer bem e praticar exercício. Não chega?... Não.

É preciso avaliar a forma como ocupamos o tempo ao longo do dia, quanto desse tempo é perdido com pormenores inúteis e quanto investimos em nós, no nosso bem estar e na nossa família.

Se a equação tombar para o lado inútil ou o trabalho tiver um peso excessivo, é tempo de reavaliar. Só cá estamos por empréstimo, que não dura muito, portanto, o melhor é mesmo aproveitar. E quando vos contratarem para uma função de sonho que, afinal, corresponde ao trabalho de quatro pessoas, respirem fundo e façam-se à vida. Mandem-nos às urtigas e procurem quem vos valorize. 

Eu conheço quem o fez e não poderia ter feito melhor. Se não formos nós a fazer valer os nossos direitos - por vezes mais básicos - entramos numa espiral de escravidão da qual é muito difícil sair. É nestes momentos que devemos estar gratos, não é? Hashtag #gratitude para todos.

Ohhhh maaaeee...

Ohhhh maaaeee...

Eles. E nós.

Eles. E nós.