olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Amor é tudo o que precisamos...

Amor é tudo o que precisamos...

Neste caso, amor por aquilo que fazemos.

Eu sei que este é o tipo de artigo que no interessa à maior parte das pessoas. Porque muitas pessoas não interessam pelos bastidores da rádio. Manos ainda pela minha paixão confessa. Ainda assim, porque é dia do amor (namorados celebram o quê?...), acrescento algumas ideias sobre o dia de ontem.

O dia mundial da rádio foi sempre para mim um dia muito importante. Primeiro pela novidade (de criação de um dia dedicado à rádio) e vontade de celebrar este meio tão importante, depois pela responsabilidade de ter dado início a essas celebrações, pelo menos, em Lisboa. Que primeiro dia, deste Dia Mundial da Rádio!... Também por fazer parte de um grupo que tem levado muitas pessoas novas à rádio. Na verdade, por tantas razões que fazem deste, o meu dia. De tal forma que lancei um livro, que não é sobre rádio mas que também explora a rádio, neste dia, há um ano.

Desta vez, é diferente. Não sei se por já não ser provedora do ouvinte e sentir uma leveza na ausência da representação institucional que o cargo em si, encerra, se pela liberdade de poder ouvir o canal que me apetecer, ou pelo facto de saber que posso fazer tantas outras coisas na rádio para além de mediar a relação entre os ouvintes e a rádio pública. Talvez por isso e outras decisões do foro pessoal, com implicações profissionais, este dia, este ano, seja encarado de forma mais despreocupada. Talvez por isso não tenha perdido muito tempo a ponderar o que escrevo, porque escrevo com o coração. E, dizem, quando o fazemos, é tudo mais verdadeiro.

A verdade é que a rádio, o universo do audio, é a minha essência. Mesmo que me renda à evidência de um vídeo sem grande história com mais visualizações numa semana do que todos os podcasts que já publiquei no urbanista. Mesmo que as imagens (que nem sempre valem mais do que mil palavras) tenham resultados muito superiores às de qualquer audio. Mesmo que não tenhamos as mesmas ferramentas para promover um conteúdo audio, como temos para o texto, vídeo e imagem, o som será sempre especial. Mesmo com YouTubers como profissão ou instagrammers populares, numa escala incomparavelmente superior à de um podcaster.

Foi aqui que comecei porque quis muito começar aqui e será aqui que espero, um dia, terminar. Seguramente numa coisa à qual também possamos chamar rádio, um novo nome para um conceito que já mudou, sem que tivéssemos tomado a devida atenção. Como em todos os domínios da vida há sempre diferentes velocidades e a transformação acontece em simultâneo. Não comecem já com a abordagem que procura contrariar as minhas afirmações... O FM está para durar e os comportamentos de escuta não mudam assim tão rapidamente. Mas convém pensar no seguinte: se os jovens chegam à rádio principalmente quando começam a conduzir, se afirmam que a ouvem quando vão no carro e se defendem a necessidade de maior diversidade contra o excesso de repetição, que lugar para a rádio no futuro, quando uma nova geração para quem o vídeo vale mais do que qualquer outro formato, numa altura em que o parque automóvel terá outro nível de sofisticação, que a sincronização entre o smartphone e o auto-rádio se fizer automaticamente? Eles reclamam mais podcast, mais conversa connosco, sobre os temas que nos interessam. E diversidade. Não é de hoje. Há 15 anos que me dedico a tentar ensinar rádio. Todos os anos faço as mesmas perguntas e todos os anos recebo as mesmas respostas. Há lá melhor estudo de mercado sobre a relação entre os jovens e a rádio? É meramente empírico mas é continuado, entre os 18 e os 21 anos. Não tenho duvida: é a propriedade do automóvel que faz a diferença, mesmo quando dizem que gostam de ouvir a sua música, e que o rádio serve para variar. O problema é a sua ausência de variedade. O que querem eles da rádio? O mesmo que todos nós. O que quero eu? Uma rádio feita a sério, pensadas para o ouvinte independentemente daquilo que foi sempre o paradigma, do que eu, editor, penso que deve ser feito, do que sei fazer é sempre fiz. Já chega da conversa de que a rádio precisa de arrojo e interactividade.

Já percebemos. Agora façam.

o amor

o amor

Rádio, pois claro

Rádio, pois claro