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Sustentável está na moda. Ainda bem. 5 marcas a não perder!

Sustentável está na moda. Ainda bem. 5 marcas a não perder!

Para mim, a moda e a roupa que vestimos deve ser algo que nos faz sentir bem, que é sofisticada e arrojada, que nos faz sonhar e transpor essa idealização para o mundo real, mesmo quando estamos com um estilo muito normal. Mas podemos fazer isto tudo de forma mais cuidadosa, minimalista e consciente. Falar é importante, mas fazer algo para contrariar a tendência também.

Dizemos muitas vezes que o mundo está a mudar mas, na verdade, são várias velocidades em simultâneo. Na moda também, especialmente porque vamos ganhando consciência de que não podemos continuar a comprar 5 tshirts a 1 euro cada uma. 

Tenho perdido algum tempo a informar-me sobre o tema e, mesmo que continue a vestir peças que, sei agora, não são sustentáveis ou éticas, o meu plano é alterar isso. Para começar, compro menos e escolho melhor.

Esta é a segunda indústria mais poluente. E para quê?... Durante muito tempo as marcas mais sustentáveis tinham um design duvidoso, normalmente tão óbvio que se tornou num estilo em si mesmo. Há, contudo, designers empenhados em mudar a nossa concepção de moda sustentável, a.k.a. feia, produzindo de forma amiga do ambiente, respeitando os direitos dos trabalhadores e criando peças muito atraentes.

Tudo começou quando a Casa Pau Brasil decidiu apresentar em Lisboa vários designers e criadores brasileiros. Para quem não conhece, a Casa Pau Brasil, na rua da Escola Politécnica, em Lisboa, é uma concept store com o melhor do Brasil contemporâneo.

Nesta visita os meus olhos fixaram-se de imediato numa mesa de madeira, meio rústica e artesanal que nos lembra de imediato a infância e a natureza que vibrava, simultaneamente de cor e alegria, com umas bolsas, pequeninas, lindas de morrer... Tive de tocar, sentir a textura (acetinada e, pensei, maravilhosa!) para perceber de que se tratava. Não fiquei indiferente ao crochet e achei a ideia do acabamento em metal uma inspiração urbana que faz destas, mais do que simples malinhas em crochet. São peças intemporais, de design puro e com um fecho de metal que realmente fecha, não como muitas vezes acontece, com imã que não agarra...

Em entrevista ao urbanista a marca levantou o véu sobre alguns pormenores que fazem a diferença, como o facto de serem totalmente transparentes no que respeita ao modo de funcionamento da cadeia de produção da moda de uma forma geral. A marca Catarina Mina desenvolve peças em croché com base no trabalho de crocheteiras residentes no Ceará. Nunca antes tinha ouvido a palavra e, confesso, não sabia que crocheteira poderia ser uma profissão. Pode. A Catarina Mina permite reinventar o artesanato, transformar horas de trabalho em produtos de design, bonitos e bem acabados. O nome da marca - desenganem-se se pensam que é o nome da sua criadora - é inspirado numa personagem histórica da nossa região nordeste. Catarina Mina foi uma bela e inteligente escrava do séc. XVIII, que se transformou em uma mulher muito influente e uma latifundiária muito rica.

Enquanto percorria as imagens da marca no instagram percebi que usavam uma hashtag muito específica, #umaconversasincera, sobre os processos e custos de produção. Esse aspecto fez-me apaixonar pela marca porque é algo único. Quis, por isso, perceber se os clientes reconhecem essa transparência ou se compram "porque é bonito". Na verdade, a Catarina Mina acredita que cada vez mais atitudes como esta estão a ser bem recebidas pelos consumidores, que entendem a necessidade da construção de uma sociedade com mais transparência e conversa sincera. A conversa prova que ainda temos muito o que aprender para construir um mundo mais sustentável.  

Depois da Catarina Mina, cruzei-me com uma marca que expõem, em cartazes, os custos de produção, embalagem e distribuição, apresentando, consequentemente, o preço e o lucro em cada peça.  Isto é que é, pensei. Estavam no Organii Eco Market e cativaram-me com a simplicidade da comunicação e das suas camisas e tshirts. Brancas e azuis. Brancas e verdes. Apenas isto.

E ISTO, quer tanto fazer referência à expressão que quer dizer que assim é que se faz como ao nome da marca que produz tshirts e camisas para homem. Querem ser independentes da cadeia da indústria e da pressão da moda criando, por isso, peças simples e intemporais, sem se vergarem às tendências do momento. São uma marca cheia de estilo, portanto. Para além da transparência, usam algodão orgânico (certificado GOTS), produzido na Turquia. Tudo o resto fazem aqui, em Portugal. Vendem directamente ao cliente para o preço ser bastante mais acessível. E não é que estes três gajos de Lisboa conseguiram? Isto é muito bullshit free e contra a ditadura da moda que cria colecções dentro da colecção e cápsulas e… bullshit, na verdade. Para ser perfeita, a ISTO deveria fazer peças femininas porque o conceito da marca tem de passar a servir também, às mulheres...

Rapidamente conclui que Portugal há já bons exemplos de inovação, produção sustentável e muito estilo. Será o caso do atelier de tecelagem manual Maria Descalça que produz sacos, bolsas, malas e carteiras a partir de sacos de plástico. Trata-se de um projecto que recupera a antiga técnica da tecelagem para reutilizar o plástico, dando-lhe uma nova utilização. Numa altura em que, literalmente, nadamos em plástico, a Maria Descalça sozinha, não irá mudar o mundo e recolher todo o plástico, mas nós podemos dar o nosso contributo escolhendo usar as suas criações.

O processo é lento e manual, transformando os sacos de plástico em tiras muito finas, todas do mesmo tamanho, que servem de fio para a tecelagem. A versão final assume formas diferentes, o forro é feito com capulanas, o que lhe dá um toque verdadeiramente diferente e especial. A marca está disponível no próximo fim de semana no Winter Market Stylista.

Quando há, mais ou menos um ano, tornei pública a minha decisão de não voltar a usar sapatos, passei a estar mais atenta a coisas novas para usar nos pés. Percebi que me tornei refém de marcas muito confortáveis mas, também, pouco éticas. Não me sinto satisfeita com isso mas não tinha, ainda, encontrado uma marca de ténis que me satisfizesse completamente. Gosto do nome, do modelo e das cores. Gosto principalmente do princípio: produção nacional e artesanal. Feitos cá no burgo, com reconhecimento internacional e venda em diversos países, a Freakloset reinventa os clássicos e permite a personalização total de cada par, adaptando-se ao estilo de cada um. Os sapatos personalizam-se e vendem-se online ou no showroom da marca, em Lisboa.

Também para os pés e num estilo completamente diferente, bastante mais arrojado, descobri a MDMA shoes que reinventa os clássicos sapatos de vela. Porquê?

São um clássico intemporal que todos reconhecemos e que, por isso mesmo, merecem ganhar uma nova vida, mais irreverente. O objectivo da marca é ter um impacto mínimo no meio ambiente e, por isso, a MDMA reutiliza e recicla materiais para produzir os sapatos. Depois de vários anos a trabalhar na indústria do calçado, Sara Pignatelli percebeu que era tempo de mudar e de produzir sapatos de melhor qualidade, com menor impacto ambiental. A chegada aos trinta anos fez a ficha cair a Sara, que percebeu que tinha de mudar. Comprometeu-se a nunca mais criar moda que não fosse sustentável. Tatuou a ideia no braço e decidiu colocar a palavra sustentabilidade na moda. Nasceu a assim a MDMA, sapatos que maximizam a ideia de arte e minimizam o desperdício. Soa melhor em inglês (minimize damage, maximize art) e foi em Londres que tudo começou, com coleções limitadas: um mínimo de 3 e nunca mais de 100 sapatos do mesmo modelo, que vende online para todo o mundo com uma estratégia única, porque os materiais impedem que cada sapato seja exactamente igual. A produção é nacional e, embora nos tenha explicado que há sempre o apoio de maquinaria na produção de calçado, sim, podemos afirmar que a marca tem uma produção de carácter artesanal.

Descubram-na aqui.

 

 

 

 

 




 

 

 

 

 

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