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Da felicidade e outros predicados

Da felicidade e outros predicados

Repentinamente a palavra felicidade ganhou todo um novo sentido, adquirindo um carácter de obrigatoriedade. É determinante sermos felizes, repensarmos a vida e focarmo-nos no que verdadeiramente importa. As imagens e as frases inspiradoras (quem sabe, motivadoras) invadiram o nosso quotidiano e estão presentes em todos os contextos. A ideia de felicidade e também a ideia de viver a vida, de a aproveitar ao máximo dada a sua finitude. 

Somos convidados a reaprender a viver, olhando de uma outra forma para o que nos rodeia, para os pequenos detalhes que a pressa nos ensinou a ignorar. Ignoramos tanto, convencidos de que sabemos tudo, numa espiral voraz que nos vai impelindo para a frente, uma força motriz superior a qualquer um de nós mas que todos, sem excepção respeitamos. 

Até ao dia. Até ao dia em que deitamos a cabeça numa almofada com uma mensagem que nos faz pensar, o dia em que pegamos numa t-shirt, numa qualquer cadeia de pronto-a-vestir que afirma a liberdade individual, o dia em que o dedo pára na imagem do instagram que afirma, com letras bem grandes, que felicidade é viver. O que é viver?

Acredito que lhe perdemos o sentido.

Talvez por isso existam, já, tantas aplicações que se propõem a fazer-nos felizes.

Ou será mais felizes?

Talvez por isso, hygge para todos. Em manifesto, imagens e livros...

Estar aqui e estar agora, ter prazer nas pequenas coisa da vida, defender a igualdade para todos, viver e sentir o conforto que é também o nosso refúgio enquanto convivemos com quem é importante para nós?....

O que é, afinal, a felicidade?

Diz o dicionário que é o estado da pessoa feliz, associando também, a palavra ao êxito. Parece-me claro que será a ideia de êxito que causa a infelicidade, quando todas as formas e sistemas de comunicação nos inculcam uma determinada ideia de êxito ou sucesso. Nem sempre essa corresponde à ideia que cada um faz da palavra, provocando um estado de insatisfação entre aqui que é o sucesso, para cada um de nós, e o que nos dizem que o sucesso é. No capitalismo e cosmopolitismo moderno, sucesso é popularidade, visibilidade, muitos likes e seguidores que aplaudem imagens de sonho em locais inacessíveis. Não será antes o sucesso algo mais relevante, contudo menos estonteante, do foro pessoal e isento de exibicionismo?

Quantos likes vale o sorriso do nosso filho ou as pequenas vitórias do nosso dia-a-dia e que esquecemos a favor de algo menos importante? Não é o pôr do sol felicidade?

A autora norte americana Gretchen Rubin, no seu The Happiness Project descreveu um ano da sua vida, cujo objectivo era perceber o que é a felicidade para a atingir. Percebeu, também, que há muito tempo que andava ao lado da felicidade sem se cruzar com ela. Metodicamente, estruturou um plano para ser mais feliz. Identificou os erros e criou novos hábitos sempre com esse objectivo em mente: ser feliz. Não sei se será, hoje, mais feliz do que naquela tarde de chuva, quando a epifania lhe ocorreu. Mas a verdade é que criou um movimento em torno da felicidade. Nos Estados Unidos existem inúmeros grupos que discutem a felicidade, numa tendência que se espalhou ao mundo inteiro. Qualquer pesquisa, nas lojas de aplicações móveis, usando a palavra happiness devolve inúmeros resultados que vão desde as gargalhadas do 9Gag ao pensamento positivo e gratidão. Há, também, uma aplicação que se propõe a ajudar-nos a ser felizes, com tarefas e sugestão de comportamentos. O que fazer, para ser feliz?

Ser. Nada mais.

 

 

 

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