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da Liberdade e do ser Livre

da Liberdade e do ser Livre

© Observador

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Nenhum homem é verdadeiramente livre.

A liberdade não supõe qualquer tipo de dependência. Se dependemos de alguém, se alguém depende de nós ou se estamos amarrados a um salário não podemos ser verdadeiramente livres. Mas gozamos da liberdade que é, também, essa condição de pensarmos e afirmarmos o que nos apetece na forma e momento que desejamos. É essa liberdade que permite (a alguns) regozijar com a morte de uma figura de Estado. É essa ideia de liberdade - levada ao extremo - que nos faz destilar pequenos ódios de estimação numa qualquer rede que a rede das redes suporta, que nos faz publicar antes de pensar, comentar antes de reflectir sobre o que estamos a dizer, o que queremos dizer e o que a liberdade - essa liberdade - permite.

Nenhum homem é completamente bom, ou mau.

O ser humano, pela sua natureza, obedece ao princípio egoísta do prazer num conflito permanente entre o seu lado racional e irracional, razão pela qual o carácter de alguém não pode apenas ser avaliado por aquilo que se mostra. Ou o que se quer ver. Essa opção é de uma limitação igual à liberdade que as redes - as tais - permite, na ilusão de que tudo sabemos e observamos. É tanto - ou menos - quanto o que sabemos sobre alguém que se mostra publicamente e cujas acções nos afectam.

Nenhum homem é sempre consensual.

Não pode ser, ou colocaria em causa a sua própria essência. Independentemente de se gostar ou não, a liberdade supõe também o respeito pelas figuras de Estado, especialmente quando partem e já não podem defender-se. Nada contra ou a favor em relação ao ex-Presidente que agora partiu, mesmo nunca esquecendo que, apesar de ser um slogan propagandandístico, Soares é fixe. Foi repetido à exaustão, inclusivamente nas brincadeiras ao fim do dia lá na rua, no tempo em que brincar na rua era fixe e jogar às escondidas também.

Nunca gostei de me pronunciar sobre a política e, menos ainda sobre políticos. A política é feita por pessoas envolvendo muitas outras pessoas com uma pequena e indirecta interferência. As pessoas são... Pessoas. Isso impede-nos sempre uma visão objectiva das coisas, da mesma forma que não facilita uma condução igualmente isenta dos processos. Resta-nos a liberdade para pensar que não existem mundos perfeitos e que essa utopia da perfeição se esgota nas pessoas. Porque quando nos retiram a liberdade para pensar tiram-nos tudo. Se nos roubam os sonhos matam-nos um bocadinho. Essa liberdade para pensar, sonhar e manifestar as nossas ideias é nossa, conquistada a pulso por muitos que já não recordamos e outros tantos que ignoramos. Mesmo que depois possam ter falhado, essa liberdade e abertura ao mundo já ninguém nos tira e, nem que seja apenas por isso, Soares foi muito fixe.

urbanista 2017: trabalho

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