olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Eles. E nós.

Eles. E nós.

My first boyfriend was Muslim. The one after that, Bolivian. The third boy I ever loved was African American. Growing up my best friends were Filipino, Chilean, Greek, Serbian, Iranian and Spanish. Growing up in Sweden... This is what life was! I never contemplated the difference between me, from an "all-Swedish" family, and my friends who were all first, second or third generation immigrants. I didn't contemplate the difference because there was none. We all went to the same schools, fell in love with the same boys and complained about our homework the same. I grew up in a tapestry of diverse families where everyone was accepted and there was only things to gain from living in a multi-cultural society. I'm friends with most of these people to this day. Right now, I'm an immigrant. I've spent the past decade living in different countries and I now live in Aruba, a country where I wasn't born, and I'm grateful to have residency here through my husband who's native; part Aruban, part Dutch. The island inhabits 83 nationalities. Because of the color of my skin and the status of my passport, I've never experienced judgement or hostility arriving to a new country. When I hand airport officials my passport, they greet me with a smile. Sadly... This is not the case for most people in the world and I am becoming acutely, painfully aware of my privilege. Looking at the developments during these past months, we're heading in a different direction now. The accepting society I grew up in is starting to feel very far away. The situation in Sweden has changed drastically and in the US, the president is trying to ban an entire religion from entering the country (conveniently excluding countries where he has business ties). It's almost unbelievable but it's real. Over 65 million people in the world have been forced from their homes. These are people fleeing from war, from famine, from horrors worse than we can ever imagine sitting here in our comfortable homes scrolling trough Instagram on our iPhones. How are we heading in a direction that's moving away from love, away from helping those in need? It's 2017. Why is everything so backwards? #NoMuslimBan

Uma foto publicada por Rachel Brathen (@yoga_girl) a

Há algo nesta imagem que me faz pensar na forma como nos concentramos demasiado em nós, apontado-os a eles, como os outros. Aqueles que não nos são nada, de quem nos afastamos quando deveríamos aproximar. A Rachel Brathen está grávida de muitas semanas e talvez isso possa interferir no seu raciocínio. Afinal, está prestes a dar à luz num mundo complexo, cheio de ódio e preconceito. Contudo, as suas palavras são tão objectivas e concretas, verdadeiras e pragmáticas que me parece não haver influência das hormonas. Ou, pelo menos, não da forma que todos entendem que a mulher se altera por força da maternidade...

Sigo-a há tempo suficiente para saber que é apaixonada pela vida, expondo essa paixão através da prática do yoga. Nesta publicação recorda-nos a pouca importância que damos a um certo estado de graça que norteia a vida da maior parte dos caucasianos. Também eu me sinto verdadeiramente privilegiada. Vivo em paz e, sempre que viajo, também a minha tez e cor do cabelo acrescentam um sorriso a quem me inspecciona o passaporte.

No questions asked

@everlane

@everlane

Nunca namorei um preto ou um latino porque, afinal, não nos faltam machos latinos. Há muitos anos tive uma crush por um árabe. Não façam perguntas. Era muito português e a crush não durou tempo suficiente para saber o apelido ou conhecer a árvore genealógica.

Durante muito tempo, partilhei a carteira, na escola, com um preto. Éramos amigos. Mais velho do que eu, repetente e um exemplo clássico de como o sistema funciona para uns e não para outros. Tinha uma irmã de quem eu gostava de ser amiga e que não me ligava nenhuma. Encontrei-a anos mais tarde e conversámos. Perdi o rasto ao Carlos, disse-lhe. Contou-me que vivia nos Estados Unidos e que trabalhava numa das grandes equipas de basquetebol, no marketing. Fiquei radiante. De facto, na maior parte das vezes, o problema não somos nós, são os outros, criando uma situação em que temos de ser nós a mudar, em vez de valorizarem os nossos melhores atributos. Também ela partiu para se encontrar com o irmão e trabalhar numa multinacional da cosmética e perfumaria.

Como a Rachel, nunca me preocupei muito com as diferenças. Se é certo que éramos mais os portugueses e brancos, também é verdade que não fazíamos grandes diferenças em relação aos outros, porque eram apenas aqueles com quem estudávamos e partilhávamos parte da nossa vida. Lembro-me de uma chinesa cheia de estilo, amiga de uma grande amiga minha, que tinha um irmão ainda com mais estilo. A diferença atraia as miúdas na escola sem que reflectíssemos sobre isso. Também me lembro de um cigano, nos tempos da escola primária, e não me recordo de olharmos para ele, atribuindo-lhe alguma conotação. O nosso bullying era despretencioso, porque catalogava em função de características físicas ou de personalidade, sem requintes de malvadez e, sobretudo, sem estereótipos de raça: a tagarela, o canina, o bola, a perna longa.

No fim do dia, como refere a Rachel, queixavamo-nos todos do mesmo: dos trabalhos de casa. A aceitação era maior, a consciência de uma sociedade multicultural era menor e, contudo, mais evidente porque simplesmente, não se questionava. As diferenças existiam, recaiam principalmente sobre os retornados, muito evidentes entre adultos, que consideravam os pretos como pessoas de segunda que vinham das ex-colónias para trabalhar nas obras ou nas limpezas. O peso das palavras ainda existe e não usamos retornado sem pensar duas vezes no significado que a palavra, em si, encerra. Da mesma forma, não sabemos muito bem como fazer referência aos Africanos, que afinal são Portugueses, mas cujo tom de pele é mais escuro do que o nosso. Também, entre eles, não há consenso em relação à forma como gostam de ser tratados pelos pulas (brancos) e, tal como nós, também sentem, muitas vezes, aquela desconfiança em relação ao outro.

Somos nós. São os outros.

É mais o que nos une do que o nos separa. O vídeo, apesar de promover um canal de televisão, é muito claro quanto à necessidade de anularmos estas "diferenças". O mundo mudou (muito) e nós mudámos muito pouco, fazendo prevalecer estereótipos associados a preconceitos e receios que vamos aprendendo ao longo da vida. A inocência, dos tempos do recreio, devia prevalecer porque, até prova em contrário, somos à partida, inocentes. Isto só lá vai com boa vontade e compaixão. Pensemos mais nisso.

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