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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

3 verdades sobre #socialmedia

3 verdades sobre #socialmedia

Começar o ano a escrever sobre a suposta mitologia moderna não só é parvo como é inútil. É, aliás, verdadeiramente inútil remar contra a maré. Eu sei disso mas insisto. Faz bem aos braços, tonifica as costas e exercita a paciência. Ou então é só teimosia.

Por vezes precisamos sair daqui para ver melhor. Sempre que nos afastamos do nosso contexto este torna-se invariavelmente mais pequeno e, por isso, mais fácil de analisar e compreender. Também às vezes é preciso sairmos daqui para visitar um amigo e percebermos que nos escapa o melhor, enquanto nos lembramos do irmão de uma amiga que, do nada, abandonou os sites de redes sociais para ter mais tempo para si e o que verdadeiramente importa. Recordamos o título de um artigo no qual o autor afirma que o melhor a fazer, se queremos apostar a nossa carreira profissional, é abandonar os media sociais. Pode parecer estranho, num contexto em que aparentemente a nossa exposição profissional também depende da nossa presença na rede, mas os argumentos fazem sentido. Como faz sentido a afirmação desse amigo, quando dizia que deixou de perder tempo com o Instagram e o Facebook. Desistiu da obrigação de publicar, da escravatura das imagens bonitas. Publica quando lhe apetece. Apenas isso. 

De facto, quando acordamos a pensar numa hashtag ou olhamos para algo e imaginamos uma legenda, algo está mal. Ou, então, que esse é o nosso trabalho: Menos mal. De facto, já dei por mim em quartos de hotel a escolher ângulos ou a pensar no melhor tipo de fotografia em relação às estatísticas da página. Mesmo não trabalhando para o meu reconhecimento - no sentido de ser reconhecida na rua - mas para que cada vez mais pessoas descubram o urbanista, isto pode ser um problema. E, se este depender da minha presença e imagem para crescer, então temos um outro problema. Há, para mim, uma diferença entre as palavras - e o que estas podem querer dizer - e as imagens. Porque nem sempre uma imagem vale mil palavras. Há, também, uma diferença entre ser reconhecido pelo contexto e a opinião ou o lado visual que os media sociais tanto endeusam. E obrigam?...

É óbvio que existem muitos que sentem que este é o caminho. Sempre gostaram de se (re)ver nas imagens, de reproduzir quem são e o que representam nas suas mais variadas formas. Têm, hoje, um expositor aberto ao mundo. Ainda bem. Também gosto de me ver, caso contrário tudo isto seria um (enorme) suplício. Mas não sei se gosto de fazer a mala pensando nas diferentes combinações que a roupa permite ou de percorrer uma cidade forçando locais e aparentes instantâneos, criando aquele supposed-to-be que tantas pessoas aplaudem mas que, no final do dia, é apenas isso mesmo: muito pouco. Naturalmente que ao relato da vida real podemos juntar um filtro, melhorar o contraste ou aumentar-lhe a luminosidade, transformando um dia cinzento num jogo de contrastes. Contudo, a forma como o aparente pode condicionar-se, determinando-se por aquilo que parece e não por aquilo que é, já me parece um bocadinho demais. Sobre isto, já fiz os mais variados testes e usei muitas fórmulas: o voyeurismo vence sempre. Gostamos de espreitar a vida alheia, mesmo que dela não façamos parte, inspirando e aspirando ao que mais nos motiva. Não me recordo da última vez que viajei sem a fotografia em mente: locais e legendas misturam-se com o quotidiano, ganhando uma relevância que efectivamente não têm, na voracidade das publicações que nos obriga a estar sempre presentes para evitar sermos ignorados. Será que evita?

Os outros seguem-nos porque temos algo a dizer ou a mostrar. E quando o que temos é igual ao que os outros têm? E quando não temos, forçando este jogo do gato e do rato em que ninguém sai vencedor? Desistimos, dando razão  a quem afirma que causam dependência, que são desinteressantes e pouco verdadeiros, ou fazemos exactamente o que nos apetece?

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Publicamos.

De facto, a GRANDE verdade sobre media sociais é estes que servem para muito mais do que aparentam e o que a maior parte de nós publica. Se tirarmos o que de melhor acontece nestas redes estamos a limitarmo-nos à grandeza do nosso jantar, diminuindo o poder de partilha e mobilização que está na sua natureza.

 

 

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