olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Regras para enfrentar a pressão social

Regras para enfrentar a pressão social

 Bitch don't kill my vibe (Kendrick Lamar)

 Bitch don't kill my vibe (Kendrick Lamar)

Eu sei que estão à espera que comece com: ignorá-las.

Não o vou fazer muito embora me pareça que a melhor forma de lidar com as regras que não estão escritas e que a sociedade nos impõe é ignorando-as. Contudo, porque nem todos conseguimos e nem sempre somos capazes, eis algumas regras, com base em três exemplos: o da gorda, o da mãe e o da figura pública.

A gorda (esta gorda), que já não é gorda, percebeu que perdeu parte da sua vida por causa da pressão social. deixou de fazer e de vestir porque tinha vergonha. Não sei se era gorda, não gosto do estereótipo. A própria afirma que sim. As lentes através das quais observamos os outros dizem muito sobre nós e sobre essas pessoas. Reparem no seguinte:

Quando estamos na rua, em contexto social, olhamos para alguém de pele escura e afirmamos "o preto". Quando avistamos um indiano dizemos "o monhé". Contudo, quando falamos sobre os nossos amigos que são monhés ou pretos, dizemos apenas o João ou a Maria, sem prefixo que lhes identifique o tom de pele. Da mesma forma, se temos um amigo com excesso de peso, não dizemos o João, o gordo, pois não? Mesmo quando carinhosamente é conhecido pelo bola... Porque razão os que nos são próximos são pessoas, e os outros são menos do que isso, transformando-se no estereótipo? Mesmo que tratemos o João por monhé ou a Maria por gorda, fazêmo-lo sem maldade. Mas não olhamos para a pessoa com um volume acima da média que se vem sentar ao nosso lado dessa forma, pois não?

Pois é. Chama-se preconceito e resulta em pressão. Como a Joana do Perna Fina explora, "encolhe a barriga. Sobe as mamas. Arredonda o rabo. Estreita as pernas. Tonifica os braços. Aumenta as pestanas. Define as sobrancelhas. Branqueia os dentes. Isto, todos os dias, como se o mais importante fosse isto". Não é. O mais importante não é mesmo isto. É sermos felizes independente das formas e feitios.

Regra: olhar para o lado bom do nosso corpo. É impossível que seja tudo (aparentemente) mau. Valorizar o que somos e não o que parecemos.

Já a Sónia Guedes, que publica no Capazes, explica outra coisa: ter apenas um filho não é crime. Não é. Por muito que queiram condenar quem opta por ter apenas um. E não, onde come um não comem dois, mesmo que se acrescente água à sopa. Porque nenhuma escola aceita o leve dois e pague um. Nem o médico. Nem... Sim, há escolas públicas. Clubes desportivos. Centros de Saúde. O problema coloca-se quando estamos ali naquele imperceptível limite entre um rendimento que permite apoios sociais e o outro, para quem escolas públicas só a partir do 1º ciclo porque, até lá, não há vaga, nem IPSS. Adiante. Valores à parte, o que vale é o sentimento e, independentemente de questões de saúde, uma mãe e um pai podem decidir ter apenas um filho. Sem terem que gerir a pressão do segundo porque alguém a impõe. Porque da mesma forma que quiseram ter um filho, também estariam no seu direito de não ter filhos e sentirem-se igualmente realizados, completos e felizes. Entendam de uma vez: não têm nada a ver com isso.

Regra: criar um escudo de aço impenetrável. Não responder. Não aceitar e responder (à letra). Explicar que o filho é único e não filho único. Afirmar a nossa decisão e felicidade.

Finalmente, é Jennifer Aniston quem afirma que, à semelhança dos pretos, das barrigas ou dos filhos, somos nós que decidimos a nossa vida e aparência, contra a objectificação e escrutínio de que somos alvo. Se nós, ilustres desconhecidas já somos alvo de olhares e comentários, imaginem-se numa paddleboard com mais cinco quilos, a serem fotografadas para os tablóides...

Loads of fun, isn't it? It's not.

Regra: contra o escrutínio, marchar, marchar. Nunca nos escondermos. Peace!

 

 

O que nos move?

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dias assim II

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