olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Produtividade e cenas das quais os patrões gostam. So not cool...

Produtividade e cenas das quais os patrões gostam. So not cool...

Nem a propósito. E, confesso, é por estas pequenas coisas que acredito sinceramente que o urbanista é um projecto que vale a pena o meu tempo, que vale o vosso tempo e que, a seu tempo, será maior do que posso, agora, imaginar. Esta manhã, sentada num amazing coffee shop (para quem não lê inglês, é só um local espectacular onde servem principalmente café e derivados) no centro de Londres, entre relatórios e outras tarefas não menos boring (chatas é apelido e boring não soa tão mal) bebia mais um cappuccino, igual ao que publiquei ontem no instagram. Como eu, outras pessoas usavam o seu portátil para, suponho, trabalharem. Nenhuma perdia tempo a olhar em volta e pareciam verdadeiramente concentradas, simultaneamente embaladas pelos sons das outras pessoas, o ruído da água na máquina de café, a máquina espremedora de laranjas, o tlim do que saía da cozinha, da porta que abria e fechava, das conversas e da música em fundo, quase em surdina.

E porque é que acredito? Porque esta manhã escrevi sobre quem trabalha em coffee shops  e que, consta, são mais produtivos, concluindo sobre a forma muito pouco flexível que a maior parte das empresas encara o trabalho e os seus colaboradores (ler). Agora, que revejo o que aconteceu por aqui e por aí, cruzo-me com a entrevista do Observador ao fundador da Trivago, que disse que, ligar a produtividade ao tempo de trabalho é "um completo absurdo". Pois é.

Eu sei isso e muitos de nós também. A pergunta é: e eles, também sabem?

Provavelmente sim, mas continuam a pensar que não porque precisam de medidas objectivas para pagar salários. Não serão os objectivos cumpridos medida suficiente? Na economia criativa e digital em que nos encontramos a maior parte das tarefas perde em rotina para ganhar em criatividade. Não podemos ser criativos se estivermos alheados do mundo, fechados numa sala ou dependentes de um horário. Podemos? Não creio.

Há uns tempos li um artigo que provava isso mesmo: não só há cada vez mais pessoas a fazerem coisas diferentes na sua vida profissional como o fazem em coffee shops. Em Maio, o Tristan e o seu amigo Andrew, que trabalham habitualmente na mesma coffee shop, decidiram perguntar aos que estavam por ali, o que raio faziam. E as respostas são surpreendentes! (ler)

O mundo que Charlie Chaplin tão bem caracterizou acabou há algumas décadas para a maior parte das pessoas. Muitas organizações esforçaram-se por reter os seus maiores trunfos esquecendo-se que, quando tentamos prender alguém, maior a vontade essa pessoa em fugir. A liderança (boa) dá liberdade e respeita os colaboradores, ensinando-os a respeitar, defender e promover a organização, resultando numa relação de cooperação em que todos trabalham para o mesmo fim, independentemente da localização em que se encontram. A presença e partilha entre os diferentes profissionais da mesma organização é fundamental. Não tenho dúvidas. Contudo, também estou certa de que são cada vez mais as pessoas que se cansam desta rotina definida, que quer fazer de nós máquinas de produção, arriscando e arriscando-se, optando pela iniciativa individual que se desenvolve em espaços de coworking ou, como eu fiz hoje, em coffee shops...

 

 

Papa Francisco: you gotta love him ♡

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Bronze no escritório? Segredos sem mãos cor-de-laranja | making the fake than (at) work

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