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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Este país Não é para novos (ou velhos)

Este país Não é para novos (ou velhos)

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Não são jovens, porque os jovens acham sempre que precisam de muito dinheiro para uma vida sofisticada e cheia de coisas boas. Seja lá o que isso for. Com excepção das ideias geniais que permitem vidas muito desafogadas com tempo e dinheiro, muitos esfalfam-se a trabalhar para gozarem o que o dinheiro pode comprar durante meia dúzia de dias por ano.

Outros, desaprendem de viver a vida e apenas trabalham. Vivem em casas faustosas e conduzem carros de luxo, esquecendo-se do que motivou tal esforço.

Muito tempo e pouco dinheiro não satisfazem ninguém. Mas muito dinheiro e pouco tempo, também não.

Por vezes olho para algumas pessoas e invejo aquele tom de pele, de quem tem tempo para passar dias a fio na praia. Não invejo a cor. Jamais seria a minha. Invejo o tempo. Raramente os imagino ricos, muito ricos - porque esses não param aqui - mas imagino quarentões que, um dia, perceberam a diferença entre o valor do dinheiro o dos ideais. Aprenderam a valorizar aspectos importantes como o tempo ou a disponibilidade para apreciar a vida. Como dizia o anúncio, nada do que têm valor se compra. Andamos (quase) todos esquecidos disso. Temos sede de poder e o que este oferece, esquecendo os seus piores defeitos. Somos atraídos por coisas que nos roubam o que de melhor a vida tem para nos dar. E o melhor da vida não se paga. Vive-se.

Muitos não sabem, ainda, como a viver, preocupados em encontrar uma forma de o fazer. Talvez saibam o que querem da vida mas não sabem como lá chegar. São demasiadas portas fechadas e janelas entreabertas com pessoas lá dentro que não os deixam entrar. Do outro lado, queixam-se que tem janelas abertas e portas escancaradas sem entrarem as pessoas certas. E que quando arriscam sair para as procurar, também não encontram. Quer-se bom, bonito (de preferência) e barato. Com experiência, mas não demasiada, para não ter vícios e poder socializar-se neste contexto que é nosso, tão nosso que o consideramos único, embora seja, com pequeníssimas diferenças, igual a todos os outros. O eldorado das oportunidades existe e ninguém sabe onde está. Desdobram-se em contactos e estabelecimento de relações que depois resultam em muito pouco, entrevistas que raramente são o que esperam (de ambos os lados da barricada) e expectativas goradas todos os dias. É válido para os millennials e os outros, millennials em tudo menos na idade e que, por isso mesmo, porque são velhos - ou simplesmente, mais velhos - também não se encaixam. São experientes. Têm vícios. São caros. Foram chefes. Estão há demasiado tempo fora do mercado de trabalho e tantas outras afirmações que já ouvimos por aí... Para estes, oferecer um estágio é tão ridículo quanto as frases feitas sobre os seus perfis, mas que as empresas teimam em usar. 

O INE diz que foram 134 mil pessoas as que emigraram em 2014. Outras tantas terão ficado por cá, tentando ser empreendedoras com ideias que querem colocar em prática. E que nem sempre conseguem. Há uma nova geração que se mistura com uma velha geração que se recusa a envelhecer. Têm em comum o facto de se movimentaram de forma fluída e rápida, de pensarem pela sua própria cabeça, de serem flexíveis e de conhecerem os detalhes da crise, porque a têm sentido mais perto do que se possa imaginar. Mesmo que não tenham nascido com um dispositivo digital como acessório, aprenderam a usá-lo e integraram-no como elemento indispensável das suas vidas. Porque o mundo mudou e estas pessoas conseguiram mudar com ele, sentem-se desenquadradas quando lhes apontam o dedo por causa do factor idade. Se, para alguns casos ou profissões, a idade poderá ser relevante (profissões de desgaste rápido, por exemplo), a idade significa maturidade e experiência, que deve ser combinada com a vivacidade da inexperiência e a loucura da imaturidade, criando novos métodos, reinventando os espaços e métodos de trabalho, adaptando mais as empresas ao que é, de facto, a sociedade contemporânea.

Talvez uma (ou a única) vantagem do factor crise seja o facto de se ter constituído como um catalizador para a criatividade, energia e perseverança, empurrando para canto a inércia e os preconceitos relativamente ao modo de vida. Se alguém ainda acredita num emprego para a vida, convém esclarecer que até ao nível das profissões, já poucas nos servem a vida toda. Passámos a ser mais exigentes do que a geração (gerações, talvez) anterior e alterámos os principais conceitos relativos ao emprego e estabilidade profissional. Não só não a conseguimos como não a desejamos. Parar é morrer e a estabilidade (excepção feita para a financeira) limita as ideias. Imobilidade significa estagnar. Não se coaduna com a velocidade a que vivemos nem como aquilo em que a maior parte de nós se transformou.

Não faltam exemplos de sucesso e outros tantos de rotundos falhanços. Pessoas de valor com detalhes de personalidade ou de história de vida, empurradas para uma espécie de reduto onde se encontram os inadaptados a quem a sociedade temporariamente paga para estarem quietos, calados e sossegados. Para, no entretanto, serem criticados por isso mesmo sem que uma oportunidade lhes seja apresentada. No entretanto, os melhores vão gradualmente saindo sem ideia de regresso. O que andamos aqui a fazer? Há duas semanas partiu mais uma. Hoje, outro foi de malas feitas sem data para regressar. Estes millennials (de idade e mentalidade) podem demorar a sair mas, quando se vão, provavelmente não voltam.

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