olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Se o problema fossem os saltos... From heels to flats in style....

Se o problema fossem os saltos... From heels to flats in style....

(...) If fictional women like Murphy Brown did not need high heels to reach through the glass ceiling, and real women didn't catwalk into the workplace wiggling in her stilettos, where did they come from, and why have they become married to the way we think of feminine power?

- Huffington Post

 

O problema não são os saltos altos ou bolhas nos calcanhares. O problema é sempre o mesmo, aplicando-se aos sapatos, aos vestidos e às calças justas, à despensa vazia, a quem cozinha o jantar ou outros predicados tipicamente femininos que apenas alguns homens conseguem assimilar. E adoptar. O problema também não são as compras ou quem as carrega mas aquela preocupação pequenina, que fica lá ao fundo, no nosso interior, a repetir-se, para que não nos esqueçamos de pormenores domésticos em função das outras preocupações que nos enchem o dia. Até podem ser eles a ir comprar mas somos (quase) sempre nos a verificar se ainda há leite no frigorífico. E o leite não é o problema. O problema é maior.

O problema é uma sociedade patriarcal que aceitou a nossa emancipação e valoriza a igualdade desde que isso não se aplique ao dia a dia. O problema, portanto, é que a sociedade vai dizendo que sim para ficar bem na fotografia, obrigando-nos a lutar diariamente, nas coisas mais pequenas, por essa paridade. Umas meias caídas no chão são um pormenor? São. Mas provam que ainda há quem pense que as podemos apanhar por si. Não custa nada. De facto, não custa. É simbólico.

Eu não abdico. 

 

O problema não são os saltos. Muito embora tenham sido os saltos a fazê-la saltar dali para fora.

O que fariam no seu lugar?

Aceitariam?

Muitas vezes aceitamos por falta de opção. Por medo e necessidade do pão em cima da mesa. E se, um dia, deixássemos todos de aceitar? Sim, todos. Porque se para nós o problema são os saltos, para eles outros problemas existirão. Porque um homem pode ser pai, mas e se dividir a licença de maternidade com a mãe? Ainda são os mariquinhas que ficam em casa. Um pai dificilmente pode argumentar em relação aos horários para ir buscar os filhos à escola. Afinal, numa sociedade machista (como ainda somos, e este artigo prova-o), o pai garante o sustento de uma família matriarcal, na qual a mãe cuida dos filhos... Entre as suas múltiplas tarefas diárias, porque já são mais as mães que se multiplicam do que as que optam pela maternidade a tempo inteiro. Correcção: são menos as mães que podem optar pela maternidade a tempo inteiro. 

E se, um dia, disséssemos todos NÃO ao preconceito?

Se respondêssemos NÃO aceito e lutássemos mais pelos nossos direitos sociais e laborais? Não seria tão bom?... 

When London-based Nicola Thorp was sent home from her temp job at financial company PwC for not wearing high heels, she started a petition online to bring attention to the ludicrous expectation that women be physically uncomfortable throughout the length of the workday.

- Huffington Post

I'm pro-sneakers, pro-flats, pro-ballerinas. Most of all, I'm pro-freedom to feel, do and wear what we want, according to the context we're in and good sense. Dress codes are a simple way to organize social and professional situations. I'm not against dress codes, but I'm against unreasoning demands. Like wearing heels at PwC. Like wearing heels anywhere, because I can't remember any professional situation that can't be handled in flats. Why the heels? They make us look taller, with more slender legs. It's about elegance. But it's also about seduction. Our bodies are forced to tilt, emphasising bottoms, waist and boobs. We look more elegant, confident and maybe more authoritative. Besides that, just knee stress, lower back pain, agonising feet.

Dear Nicola, you did good. Very good!

 

 

 

 

 

Basileia deixa saudades. Missing Basel ♡

O método da Mafalda