olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Liberdade. Freedom.

Liberdade. Freedom.

Sobre a liberdade e outros predicados, muito haveria a escrever. Sobretudo, o facto de não pensarmos sobre essa liberdade e a realidade de sermos livres. Ou quase livres.

Somos livres quando não perdemos um minuto a recordar que podemos pensar ou fazer o que quisermos, quando e como o desejarmos, no limite da possibilidade e da liberdade do outro. Como a felicidade, sobre a qual apenas pensamos na sua ausência, incapazes para reconhecer aqueles momentos em que somos, de facto, felizes. O que é diferente de ser - ou estar - grato.

Por isso, hoje tenho de reconhecer a liberdade e a gratidão: posso pensar e escrever o que quero, na forma e no momento em que o faço, limitada apenas à auto-censura que a auto-expressão supõe. E, se me apetecer gritar sem filtro, posso fazê-lo. Sem que as consequências ultrapassem a crítica e o julgamento dos meus pares ou da sociedade. Diferente de um local chamado Tarrafal.

Sou livre para viajar sozinha, criar o meu negócio, vestir-me como entender e expressar-me na comunicação social. Sem pedir autorização ou justificar as minhas opções. No limite do respeito por aqueles com quem decidimos partilhar a vida e amar, nada mais nos obriga - a nós mulheres - a explicar o que fazemos ou porque fazemos. A isso chama-se liberdade, cidadania e igualdade. Não fomos apenas nós, as mulheres, as cidadãs de segunda. Os retornados - alguns dos quais não retornaram a nada porque nem cá nasceram - também assim foram catalogados, muito embora o estatuto tenha sido modificado ainda durante o regime. A discriminação existiu e persiste, ainda que a Lei e a sociedade assobiem para o lado. Continuamos a usar a palavra retornados num sentido depreciativo para fazer referência aos que saíram das ex-colónias e vieram para a, na altura, metrópole. Também continuamos a achar que as mulheres são diferentes. Nem melhores ou piores, mas diferentes. Chama-se discriminação e aceitamo-la mais do que deveríamos.

Juridicamente, a mulher hoje está protegida, contudo, muito ficou por fazer no movimento revolucionário de Abril, que abriu portas a um novo olhar sobre o papel social da mulher, reconhecendo-lhe direitos que hoje nos parecem óbvios. Antes, a mulher deveria viver para a família, na dependência do marido a quem devia subserviência. Aquilo que tantas de nós hoje fazem naturalmente - como viajar sozinhas ou abrir um negócio - dependia de autorização. Votar era para eles. E era normal. Aceite como um facto, corroborado pela Lei e a prática social, como se, de facto, fossemos incapazes da emancipação que hoje se comprova. A mudança começou em Abril mas é um PREC, um processo revolucionário em curso.

Talk is cheap. Above all, very easy. To be free is not to think about freedom. As happiness isn't meant to be thought about, so does freedom.  We take freedom for granted and we forget to praise it. I admit it more often than I should.

Until 1974, Portugal was a free country without freedom. Individual freedom. Freedom of speech in the media. Thoughts weren't free. Culture and arts were censored. Education was a privilege and even if appeared to be a wealthy and progressive country, in fact, it was not.

Women were considered as second class citizens and one couldn't express himself about the society and the regime without fear. Censorship was considered business as usual and many emigrated to escape poverty, educational standards and political persecution.

April 25th, 1974 is a historical day for several reasons being the democratic revolution the most relevant. For me, one of the most significant improvements is women's rights. I am who I am because someone, someday decided to make a change and acknowledge us as equals, allowing women to vote, to have their privacy (can you believe that husbands were legally allowed to open their wife's correspondence?...), to become businesswomen without any kind of consent and to travel alone without the husband's authorisation. Just the perfect scenario for an independent woman like me, right?.... This is why I started writing this post about being free and seldom freedom. I usually forget the enormous steps we already climbed, moaning about what's still left to do without appreciating the much that as already been done... 

Taxi? Uber.

Pessoas normais.... Normal people...