olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Mulheres: uma história de luta

Quatro. Zero.

Essa idade tão temida que, gradualmente, se vem transformando num agradável estado de passagem, entre a fabulosa bestialidade do que já é, mas ainda ninguém assume, e o que não é, e ninguém quer que seja.

Aos quarenta não somos novos.

Nem velhos.

Hoje, somos os novos "novos", porque a juventude é um estado de alma e se transformou num estilo de vida. Aos quarenta as mulheres são olhadas de outra forma. Apesar de tudo, sentem-se muito melhor do que aos vinte e mais bonitas do que aos trinta.

"100 Homens sem preconceitos - um passo pela igualdade"

"100 Homens sem preconceitos - um passo pela igualdade"

As mulheres há muito que deixaram de ser apenas mães e mulheres de alguém. Mas continuam a tratar-nos como a filha de; a namorada de; a mulher de; a mãe de....

E isto, de ser qualquer coisa e não apenas nós próprias diz muito sobre a condição feminina.

Apesar da óbvia evolução, em boa verdade, ainda precisamos de lutar pelos nossos direitos como se estes fossem um benefício e não um direito.

Não tenho dúvidas quanto à discriminação social. Mulheres. Minorias. Homossexuais. Negros. Hispânicos. Qual a razão para esta incapacidade que temos em aceitar a diferença? No caso das mulheres, qual a razão para presumir a inferioridade?...

Em inúmeros locais do globo as mulheres são discriminadas. Em outros tantos não são porque têm consagrados os mesmos direitos mas trabalham mais, ganham menos e são muitas vezes tratadas de forma desigual.

Num ranking de igualdade de géneros, na Turquia as mulheres não têm voz política activa, o número de crimes e violência doméstica contra as mulheres não diminui.

Elif Shafak, reconhecida escritora turca, afirma que a Turquia tem uma cultura sexista e patriarcal na qual se diz às mulheres o que dizer, o que fazer ou o que vestir, interferindo nas decisões pessoais das mulheres, limitando as suas escolhas e possibilidade de desenvolvimento pessoal.

Aqui não dos dizem o que dizer, fazer ou vestir. Mas continuam a olhar de lado para aquelas que ousam pensar pela sua cabeça, ser independentes e escolhem o seu aspecto sem considerar as principais normas sociais.

A perseverança para penetrar num mundo masculino como o da política tende a masculinizar essas mulheres, facto que, se olharmos atentamente, também acontece na sociedade supostamente moderna e aberta da Europa e Estados dos países ocidentais. Na verdade, às mulheres que ascendem ao poder a sociedade não espera que se mantenham com um suposto papel verdadeiramente feminino, porque este está demasiado conotado com uma condição dependente, sensível e fraca. Contudo, desde sempre que a astúcia das mulheres mostrou que esta imagem de fragilidade é apenas uma das camadas na multidimensionalidade feminina. A mesma mulher que chefia uma equipa e toma decisões cruciais, é mãe, tem uma relação amorosa, gere os dramas da melhor amiga, zela pelo bem estar dos seus pais, telefona à empregada e ainda garante algum (pouco) tempo de qualidade para si. É essa capacidade única de gerir diferentes dimensões simultaneamente ou fazer várias coisas de uma só vez que assusta e faz perdurar uma certa tendência para a ausência do pleno respeito pela mulher.

A história da nossa sociedade é também a história de lutas e desigualdades: da escravidão dos negros à luta pelo direito à adopção por casais do mesmo sexo, muitos têm sido os protestos e formas de luta. Nenhum contudo, com a dimensão da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos da América que, na década de 1960 ganhou visibilidade com Martin Luther King ou Malcom X. Da mesma forma que a cor da pele não pode ser uma razão para discriminar, também o género é um tema que deve ser abordado.

"100 Homens sem preconceitos - um passo pela igualdade"

"100 Homens sem preconceitos - um passo pela igualdade"

Não temos todas de ser uma Simone Veil mas continuamos a precisar de mulheres que defendam a condição feminina sem que a mulher tenha de se adaptar ao modelo social implementado que é tendencialmente masculino.

O pai de Simone de Beauvior dizia-lhe, num tom elogioso

you have a brain of a man, my girl

e, de facto, Simone de Beauvior é o arquétipo da feminista que sabe controlar as suas emoções, para manipular os outros em torno da sua própria felicidade. De facto, a inteligência feminina é muitas vezes menosprezada... Tal tem-nos permitido alcançar feitos notáveis e, apesar da pressão social ou força bruta masculina, vamos paulatinamente conquistando o nosso lugar na sociedade, teimosamente ignorado durante a história. Porque, em boa verdade, quando experimentam pôr-se no nosso lugar, a mudança acontece.

"100 Homens sem preconceitos - um passo pela igualdade", exposição que resulta da iniciativa da revista Máxima para a promoção dos direitos da Mulher. Homens Portugueses deixaram-se fotografar em saltos agulha criados por Luis Onofre. A exposição estará no CCB até 2 de Abril. As fotografias foram publicadas em livro, cujas receitas das vendas revertem para a associação Laço.

"100 Homens sem preconceitos - um passo pela igualdade"

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