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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Era uma vez o amor: tales of love at first sight

Era uma vez o amor: tales of love at first sight

O amor. Sempre o amor. Em Português and in English, a love story...

(scroll for english, please)

photo @m_sessions

Nada me ocorre para escrever sobre amor. O amor. Esse. O tal. Aquele que menosprezamos e que, afinal, tanta falta nos faz. Gosto muito quando começo a ouvir aquela conversa sobre o amor, numa certa lassidão e a teoria de que amar o cão, o gato, o amigo, até um filho, também é o amor. Não é. Quem diz que para amar temos de amar uma pessoa? Não temos. Mas tudo o resto é bullshit e nós sabemos. Nem todos queremos ou temos de casar. Sequer, viver em comunhão. Às vezes penso ideal seria melhor aplicar ao amor a regra da proximidade relativa: nem demasiado perto, nem demasiado longe. Uma casa é sempre demasiado pequena.

Contudo, independentemente do regime, todos queremos aquele alguém especial que nos faz voar sem tirar os pés do chão. Que nos recebe com um abraço ou nos beija o pescoço quando menos esperamos. Quando mais precisamos. Sem pedir. 

Homem ou mulher? Pouco importa. Mas um animal de estimação jamais nos fará sentir assim. Ou um irmão. Um amigo. Ou?… O amor é todo ele, amor. Mas este é um amor diferente. Apenas isso: diferente. Ciumento. Possessivo. Transgressivo. Inconformado. Não é assim, também, o amor fraternal? Paternal? É. Mas este, aquele amor, continua a ser diferente. Porque reage ao toque de uma forma única. Mesmo quando começa por ser carnal e, só depois espiritual, é diferente. Quando é platónico, é diferente. Porque mesmo o amor platónico quer ser mais do que isso. Disso, não tenhamos ilusões. Por isso, quando me dizem que não precisam dele, não acredito. Enganem-se a vocês, mas não enganem os outros. Porque os outros até podem dizer que sim quando intimamente estão a pensar que não. Ninguém acredita. Não somos pedras.

E, por isso, o amor, esse amor, é difícil. Não o é quando nós queremos ou como queremos. Depende do outro. Do amor e da sua forma de amar. Da intensidade e da necessidade. O outro é sempre um problema. Melhor, o outro é o problema. Normalmente insolúvel, se o considerarmos um problema. Por isso, temos de o aceitar. Ao problema. Ou ao outro. É igual. Aceitar quando ele nos aceita a nós. O que, normalmente, é outro problema. Por isso ou aquilo. Ou por nada e porque sim. Acabamos sozinhos. Alguns solitários. Outros, eternamente sós, embora permanentemente rodeados do outro que nunca chega a ser o tal. Cheios de amor, que é tudo menos o amor.

O que é o tal?

Não sei. Na maior parte do tempo pensamos que o encontrámos, mesmo quando, outras vezes, nos sentimos perdidas, como se ainda procurássemos. No que resta desse tempo gostávamos que ele fosses mais assim Ou menos assado. Mas se o fosse já não gostaríamos dele. Confuso. Muito. Parecemos todos loucos, mesmo que não o sejamos. É por isso que este — esse — é o tal. Não é porque lhe cederíamos um rim sem pensar. É porque este — esse — não é igual todos os dias e, quando o encontramos (nos encontrou?) não temos dúvidas. Não havia uma barba mal feita, mesmo que houvesse; um cabelo do qual não gostamos, mesmo que não gostássemos; ou um tique que nos esforçamos por aceitar. Não há tique ou não nos incomoda. Deveria incomodar?

Nunca sabemos quem encontra quem. Terá sido ele a encontrá-la? Também não sei. Saberá alguém?…

Mas sei que um dia todos deixamos de procurar. Há um momento em que procurar se torna, simplesmente, cansativo. Uns desistem. Outros ficam como estão. Outros pensam que vão ser felizes para sempre. Depois? A vida acontece e uns são mesmo felizes, outros fazem que são, e outros assumem a sua infelicidade afastando todos os que se tentam aproximar.

Dizem que encontrar e ser encontrado neste percurso atabalhoado, acidentado, despudorado e sem igual é o maior objectivo da maior parte das pessoas. Não sei se assim será, mas é um facto que muitos não deixam de procurar até ao dia em que o swipe deixa de fazer sentido uma qualquer espécie de Tinder se desinstala.

Poderia ser sempre assim...

 

Inspired by Love in the Times of Cholera an essay on love and lovers...

It was love at first sight. Then he met her and promised to love her forever. So he did, even if in a very promiscuous way. His way, to get through the fifty years that life took to let their love blossom. I can’t help but wonder if a love like this could resist, today. Fifty years…
Even if he led himself to a life of carnal affairs and never stopped counting them, even if he did fall into numerous women’s arms, he wasn't loving none. The broken hearted is Florentino Ariza, the love poet and obsessive, impassioned sex addict that magically Gabriel Garcia Márquez described in Love in the time of Cholera, back in mid-eighties.

Times were different, yet, love is the same, since the XIX century, as in Florentino years. Main issues are still the same an unsolved: love, sex and loyalty come hand in hand all through history. Love is part of who we are. Relationships help define who we are and sex… well .. sex and money are the true powers in the world. But I find it hard to believe that today love could resist fifty years. Nor even as much fifty shades…
I sometimes wonder what makes people fall in love. 
That unique moment when everything changes and you never feel the same about something. 
Or someone. A crush is the most overwhelming thing that can happen in one’s life. It makes you feel amazingly beautiful, walking on clouds the whole time. It is much more than just a feeling, purely spiritual or a brain processed information resulting from trigger and response mechanism?
Don’t know. Don’t even know if neuroscientists know it for sure. What I can say is that in that same moment, nothing will ever cease to amaze us. Never again anything will be as before. We spend part of our time looking for answers that we are, by definition, unable to find. What we want the most is what we will never know: how it all began. What happens in a given moment that made us look differently at someone that has always been at your reach.

Besides the fact that relationships and dating are getting harder by the day, there are still honest, caring and long-lasting relationships. For singles, these are rare and hard to find. We push people away and refuse to connect without quite seeing it that way. Oftentimes most important people in our lives suffer because we are too busy, or too clueless to notice. We have been told to prioritise tons of things above love. Relationships. Friends and family. If we think carefully, we sacrifice whatever has lasting potential to bring us closer. 
Two make a relationship. Of its own kind. And keeps on being a relationship as long as both feel part of it. But what if one is far more demanding than the other? If what one needs is not what the other is available to offer? That's when the talk is the most important part of it. And couples often don't talk. They do, but there's always one not listening. Doesn't care. Doesn’t notice. Doesn’t consider it relevant. Tired of complaints and accusations. Thinking about how demanding the other can be.
We have been programmed to find a stable partner, settle down and procreate. Which doesn’t mean that things have to be (just) like that. No matter what, most people are unhappy and lonely, in a relationship. Or needy, trying to find that significant other, just like Florentino. Not because society tell us to. Because it is really important for us to have someone to connect with. And relationships crash and burn without warning. Just sex and one night stands are easier to find. Sex got easier, love got harder. It’s the “it’s complicated” era, with social media leading the way as the place for people to find new connections. Sorry, I meant new soulmate. Sweetheart. Flame. Date. Sex. Friend with benefits?
In many cases, they complain about them, because guys don’t want to be emotionally attached. Guys argue that they are acting as predators, having casual sex without any kind of commitment. Who’s right?

As far as I know people are living their lives through online social networks, which might help us understanding the interactive configuration of contemporary society. Everything and everyone is interconnected, surpassing the six degrees of separation we used to know. Online social networks allow us to create a profile in articulation with other users, their list of connections and others within the system. We are, therefore, able to create our own personal space and communicate with our networks of contacts, which, by definition, include our friends and friends of friends. Is far easier to reach new people than ever before. We cross the online and offline dimensions of our lives, trading experiences, communicating and relating with others. 

Loneliness behind the screen makes us believe in this virtual socialisation, gathering a rich and complex diversity expectations, likes and dislikes, with deeper emotion and proximity than within some face-to-face meetings. This new relationship paradigm, wavering the physical presence is changing the way we build and maintain identities. Maybe that can explain the success of online dating and, above all the match Tinder is producing. But I can’t help but wonder, does Tinder fuels our relationships? Everything is in relation, but not related at all. A relation that only them are able to understand. After all, relations aren’t made for others to understand, right? Every relationship is unique and established within the sense of being of each, no explanations required, no categories established nor predefined boundaries. 

Don't we all wish it could always be like this?...

Love at first sight? 

Strawberry fields forever...

(ao) espelho