olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Dá-lhe com canela?!...

Não são raras as vezes que me detenho a pensar na comida. Não por ter fome. Não pela gula. Mas porque tenho procurado reflectir mais sobre as razões pelas quais apontamos o dedo aos gordos e tantas vezes achamos que os magros - demasiado magros - podem ser um exemplo. Não são . Em ambos os casos, algo poderá estar mal. Ou, no mínimo, menos bem. Também tenho percebido que, na maior parte das vezes, muito acontece por falta de informação. Porque o rótulo diz que é saudável e a publicidade facilmente nos engana a todos.

Há uma certa epidemia na comunicação social e nas redes em torno da saúde, com equivalente no bullying a quem não encaixa nas medidas certas. Novamente, ambos estão errados.

Isto de comer e passar fome tem muito que se lhe diga. Não faltam as dicas para comer e não engordar, como evitar engordar, como reduzir o apetite... Umas melhores, outras completamente disparatadas. Na verdade, nós - mulheres (e alguns - poucos - homens) - passamos boa parte da vida numa luta inglória contra o peso. Normalmente para perder, raras vezes para não ganhar. Outras tantas para engordar. Há inúmeras pessoas que sofrem do problema contrário, mas concentramo-nos sempre na gorda que tem - porque tem - de perder peso.

Ora, eu cá sou das que acha que cada um faz o que quer, come o que quer, vive como quer. Mas também sou das que acha que os meus impostos não devem servir para pagar bandas gástricas aos que, não tendo um problema real de saúde que os faça ganhar peso, querem perdê-lo. Por razões meramente estéticas. Também não me agrada que, quem não adopta um estilo de vida saudável se queixe da vida. Agrada-me ainda menos a inconsciência de quem prescreve sem prevenir. Todos temos o dever de conhecer o nosso corpo, saber o que nos prejudica e assumir as consequências das nossas opções.

Não acontece. Há milhares de pessoas que se estão a entupir de gordura, sal e açúcar de forma inconsciente. Que não sabem ler os rótulos, que desconhecem princípios básicos de nutrição, porque os mesmos se foram gradualmente perdendo, por força de uma sociedade cada vez mais apressada nas suas decisões, uma indústria cada vez mais poderosa e tentacular, responsável por muitas das doenças do mundo moderno.

Desenganem-se os que pensam que como e não engordo. Não é verdade. Engordo se comer o que me apetece. E, sim, apetecem-me muitas coisas que só fazem mal. Engordo se comer normalmente e não praticar exercício. Há uns quantos (eu sei porque já me disseram) que acham que eu não engordo. Ou que não como tudo o que aparece no Instagram. Não é verdade. Tal como tocarmos com as mãos no chão num alongamento começa num processo de interiorização mental, também o "não comer o que não devo" depende muito de uma certa força de vontade.

É vergonhoso o que a indústria alimentar tem feito ao longo das últimas décadas e o esquema no qual a maior parte de nós se deixou entrar, facilitando, até os maus hábitos se tornarem inconscientes. Uma mentira repetida até à exaustão torna-se verdade (Goebbels, propaganda alemã. Ring a bell?). Iludimo-nos quando escolhemos produtos light, sem açúcar, fat free e etc. Porque na verdade, miracles happen, mas não neste caso. Se retiramos um ingrediente, ou componente desse ingrediente, é necessário adicionar qualquer coisa para manter o sabor ou  a textura. E ninguém gosta muito de comer aquelas coisas que sabem a esferovite, pois não? 

Morangos biológicos da Quinta Brancos

Morangos biológicos da Quinta Brancos

Aditivos. Conservantes. Espessantes. Corantes. Aromatizantes. Intensificadores de sabor. Estabilizantes. Edulcorantes. Tudo coisas boas que vieram acrescentar-se ao sal e vinagre, conservantes naturais,  para aumentar o tempo de conservação, dar cor ou sabor aos alimentos. Se a conservação nos veio permitir a despensa recheada e o frigorífico cheio durante vários dias, aliviando a carga e o número de vezes que nos deslocamos ao supermercado, por outro lado, basta pensarmos no seguinte: quanto mais cozinhamos um alimento, mais este perde as suas qualidade nutricionais. Certo? Em comparação, quanto mais industrializado for um alimento, menor a sua qualidade nutricional. Com a agravante que alguns aditivos são tudo menos positivos para a nossa saúde. Complicado? Um pouco. Mas é simples escolher, sem perceber nada de conservantes e aditivos: quanto maior a lista destes ingredientes, pior. Quanto maior o prazo de validade, pior. Sigo esta regra há bastante tempo. Confesso que o período de adaptação entre a fase - não olho para o rótulo - e a outra - ler o rótulo em detalhe - provocou uma valente dor de cabeça. 

Primeiro porque me obrigou a perceber quais, dos ingredientes maus, eram os menos maus. Depois, porque implicou demoradas visitas ao supermercado, incursões solitárias para não depender dos humores de mais ninguém. Confesso que recebi uns quantos telefonemas para saber se teria acontecido alguma coisa. Afinal, ia ao supermercado com uma pequena lista. A resposta era sempre a mesma: "estou a ler rótulos". Do outro lado, um descansado "ok, até logo".

Ele procurou e compilou informação. Eu digeri a informação e fui ao supermercado. Se já era selectiva, passei a ser mais. O carrinho das compras, ao início, vinha quase vazio e a conta era maior. Um aspecto que considero vergonhoso e discriminatório: os melhores produtos em termos da sua qualidade nutricional são bastante mais caros. E não me refiro aos corredores macrobióticos, sem glúten ou vegetarianos. Refiro-me a qualquer corredor. Na comparação, os produtos "mais naturais" não vencem a batalha do preço. O que é um atentado à saúde pública.

Por isso, concentremo-nos no que é naturalmente natural e façamos mais viagens ao supermercado. Menos bolachas. Menos cereais daquelas marcas que todos conhecemos e que fazem anúncios que nos arregalam os olhos. Menos enlatados. Menos pré-preparados. Mais produtos integrais. Mais produtos que temos de temperar e cozinhar. Menos temperos prontos a usar. Mais folhas e especiarias em vaso. Mais fruta, da época e da que nasce aqui, em Portugal. Que só é mais cara e menos saborosa nas grandes superfícies. Na loja do bairro, no vendedor de rua ou nos mercados de fim de semana são BBB (boas, bonitas e baratas). Menos sal. Menos gordura vegetal hidrogenada. Menos óleo alimentar. Menos produtos refinados. Menos leite (ponto) UHT ou mais leite (vegetal). Mais frutos secos. Sem sal. Mais fruta feia e produtos que escapam à norma. Nós somos normalizados?...

Mais tempo e paciência para digerir isto tudo...

Sopa da Cafetaria do Museu de Marinha

Sopa da Cafetaria do Museu de Marinha

Tentar ser saudável, hoje, é um processo. Não acontece de um dia para o outro. Mas, quando entramos nesse caminho, não há retrocesso. Tudo o resto nos parece, simplesmente, estranho.

Neste artigo encontrei um conjunto de dicas interessantes. Muitas só servirão a quem já tem mais informação sobre o assunto, outras são uma certa apologia da skinny bitch culture.  

Gostei da sugestão da canela. Mas atenção. Não é por encher um pastel de nata com canela que este deixa de engordar....

16 truques para reduzir o apetite (e perder peso)

De facto, havendo saúde, cada um deverá orgulhar-se do seu corpo e das suas características, desprezando os estereótipos impostos durante décadas às mulheres. Para haver saúde há que mudar alguns hábitos. O resto, muitas vezes é consequência dessa mudança. Não havendo mudança e se não existem padrões (excepto para modelos) para a altura, porque raio havemos todas de ter os 90-60-90?.... 

#loveyourbody #healthychoices #bodyimagemovement

Dá-lhe com canela?!...

Dá-lhe com canela?!...

#bim rockin' your body. Em Português ❤️