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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

dos dias em que ser mulher não chega

dos dias em que ser mulher não chega

Em Março há um dia só nosso. Não chega. Nossos, são todos os dias, mesmo que o tentem ignorar.

Não é discurso feminista porque, como dizemos aqui, a palavra tem inúmeras conotações. Poucas boas. O feminismo não é um rótulo mas sim uma atitude. Um estado de alma. Felizmente, há muitos homens que também a assumem. Deveres iguais? Direitos iguais. Não somos iguais nem teremos de o ser, porque é essa a riqueza da humanidade. Há, contudo, muitas situações, contextos e desigualdades que devem acabar. Entre homens e mulheres. Entre mulheres. Entre homens.

O problema não é exclusivo das mulheres porque vivemos numa sociedade que, por um lado, resiste à luta pela igualdade de direitos e oportunidades e, por outro, nos limita em relação a todas as oportunidades que o mundo nos oferece. Na maior parte das vezes somos nós que nos auto-censuramos, limitamos e rejeitamos a ideia de mudança. Porquê?

A sociedade tem um peso demasiado naquilo que somos e como somos. Nem todos podemos ser Beyoncé's ou JLo's estratosféricas que sussurram e se fazem ouvir. Mas podemos tentar...

A JLo from the block tem a lot e a Beyoncé runs the world com as suas girls. Nós podemos ver, de longe, aplaudir e partilhar, ou arregaçar as mangas, adoptar uma postura mais proactiva e perseguir os nossos sonhos. Na maior parte das vezes refugiamo-nos na desigualdade e na falta de oportunidades, esquecendo-nos de as criar. Cruzei-me, há dias, com este artigo no Observador do qual retiro a melhor parte:

Zero F*ck Given

A receita é simples e pode significar a diferença entre ser feliz. Ou não.

A palavra não é bonita mas, em inglês, não soa tão mal quanto o seu significado. Na verdade, se não nos preocuparmos com o que os outros pensam - excepção feita para aqueles que importam, os que respeitamos e os que nos sabem fazer críticas construtivas - seremos incomensuravelmente mais felizes, simplesmente porque eliminamos da equação, seja ela qual for, o peso do olhar alheio. Isso liberta-nos. O escrutínio nas redes sociais torna-se irrelevante e o padrão transforma-se naquilo que entendemos ser o nosso padrão. Não é fácil, obriga a uma grande disciplina interior, um crescimento em relação a tudo o que durante demasiado tempo demos importância, rejeitando boa parte das ideias que nos serviram, até ao momento em que, simplesmente se tornam incómodas.

O Observador seleccionou oito coisas que nos preocupam e prendem os movimentos. Uma lista da qual devemos riscar a totalidade dos elementos, para sermos mais felizes: preocuparmo-nos demasiado com o que é adequado para "a idade"... Parece-me bem que importa apenas o bom senso e os limites (ou limitações físicas) que a idade possa acarretar. Limitarmo-nos em função do que os outros poderão pensar.  É, sem dúvida, o melhor exemplo para "I don't give a F*". O emprego.... Mesmo que nem o trabalho abunde, ser infeliz uma vida inteira para manter o estatuto social não pode ser uma opção. O medo. Todos temos. Há uns bonecos bons para isto. Chamam-se papa monstros e entregam-se às crianças pequenas para lá colocarem os seus medos. Querem um? Libertarmo-nos do passado, da atitude derrotista do "é a vida" e não pensarmos demasiado no futuro para sermos capazes de gerir expectativas, enquanto abandonamos a atitude interesseira de tantas pessoas, para aprendemos a dar sem esperar nada em troca. Acreditem que recebemos em dobro do que damos. Finalmente, os padrões. Definir quem somos e escolher quem queremos ser. Sem medos.

Aceitação social pode ser importante e valida-nos enquanto pessoas. Todos queremos essa aceitação.

 A que preço?

Medo?

Medo?

Who run the world?...

Who run the world?...