olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Needless...

Needless...

... to say: we own to much.

Porque, na verdade, a felicidade precisa de muito pouco.

Eu, tu, céu aberto e nada mais. 

Não se trata da estafada estória do amor e uma cabana. Simplesmente, temos muitas coisa. Coisas demais. É quando viajo que percebo a quantidade de objectos dos quais podemos abdicar para reduzir a nossa vida ao essencial. Num hotel temos apenas o indispensável. Regra geral, vivemos bem com isso. Talvez melhor.

Um quarto de hotel - melhor: um bom quarto de hotel - deixa-me sempre feliz.

Parece superficial? Não é.

Um hotel com boa localização, decoração contemporânea, quartos confortáveis, bem organizados e dimensionados deixam-me sempre a pensar na tralha. Ou na necessidade de destralhar. A palavra existe? Se não, deveria porque precisamos de vidas mais simples, mas mais ricas. O poder da posse transforma-nos. Não entendo a necessidade que todos sentimos de possuir. Uma casa. Um carro. Outra casa. Outro carro. Quadros e outros objectos de arte. Livros e discos. Roupas e coisas. Muitas coisas. Temos. Temos. Temos.

Não sinto necessidade de ter mais do que aquilo que é substantivo. Admito mais sapatos e sneakers do que aqueles de que realmente necessito. Roupas, também. Porque as vou acumulando, mesmo que ofereça muito daquilo que já não uso. Tiro do roupeiro para da, nunca de uma arrecadação ou de um baú.

Sempre que chego a um hotel, com uma bagagem minimalista, tenho o mesmo pensamento, independentemente do local em que me encontre: o que possuímos e o que poderíamos abdicar.

Check in, entrar no elevador, arrastar a mala corredor fora até encontrar a porta daquela que vai ser a minha casa durante uns dias. Pequena e essencial. Pode ser difícil para a maior das pessoas mas, para mim, é revigorante. Felizmente vivo com alguém que pensa exactamente da mesma maneira. Possuir o fundamental. Hipotecas? Não. Sem propriedade não há hipoteca. Sem dívidas, não há preocupações. Ou, pelo menos, menores preocupações e um certo sentimento de liberdade associado ao arrendamento de um imóvel. Viver aqui, ou em qualquer outro lugar com a facilidade de apenas mudar. O mesmo acontece com um hotel. É nosso enquanto lá estivermos. Por isso, depois de entrar, sentir o espaço, pousar a mala, retirar a coberta que colocam (quase sempre) aos pés da cama (nunca se sabe o que aconteceu ali...) posso finalmente deitar-me nos lençóis brancos, imaculados, encostar-me às almofadas e pensar: poderia viver aqui? Na maior parte das vezes, a resposta é sim. Porque precisamos menos do que realmente temos. Não há maior liberdade do que essa.

No 9Hotel Republique tenho-me sentido em casa. Mesmo não estando. 

O espaço tem uma aura especial - não apenas por se ter transformado num ponto de encontro de eternos namorados, com a visita relâmpago/surpresa do meu marido. A sala de estar, com vista para a entrada, parece a nossa sala, onde apetece ficar. A ler, a beber um chá e a conversar. Esticar as pernas e apoiar os pés na mesa de apoio como só em casa podemos fazer. Os quartos, aparentemente pequenos - como em qualquer hotel de Paris - servem as necessidades de qualquer casal. Os detalhes fazem  a diferença: cama grande e confortável, almofadas macias que aconchegam, pressão da água no duche perfeita, toalhas aquecidas e uma certa preocupação ambiental que simultaneamente nos mima o corpo.

Outros mimos, durante o dia, com chá, café e chocolate quente sempre disponíveis, bolachas e waffles para acompanhar. E o pequeno almoço: chá, café, chocolate quente... Sumos de fruta, pão e delicatessen francesas, fruta e vegetais, yogurt artesanal, carnes frias e queijo, waffles, ovos mexidos e ovos para cozer na altura... Mimos que apetece repetir todas as manhãs...

A localização não é maravilhosa, a não ser que conheçamos a cidade. Para quem chega a primeira vez, parece longe do centro e demasiado perto de uma zona menos bonita de Paris. Na verdade, sabendo por que ruas caminhar, está a menos de 10 minutos da agitação da Rue Rivoli e do Châtelet, que é o mesmo que dizer Hotel de Ville, Notre-Dame ou Saint Michel. Fica muito perto da Place de la République (expliquei aqui) num bairro tipicamente Parisiense. É algo que me agrada, a ideia de, apesar de estar num hotel, sentir que faço parte daquela cidade, viver quase como os locais, numa intimidade serena que me aproxima da atmosfera local e me faz sentir em casa. O 9Hotel Republique é assim: parece uma casa. É acolhedor e tranquilo, como a nossa casa, com o serviço que a nossa casa teria se nos levantássemos do sofá para tratar do assunto. Que é tudo o que não queremos quando nos apetece apenas estar... É uma casa estilo boutique com cinco andares e cerca de 5 quartos em cada piso. Grande, mas não o suficiente para nos perdermos ou perdermos um certo sentido de conforto.

É assim em todos os hóteis do grupo, incluíndo o mais recente em Lisboa, muito embora o 9Hotel Republique seja, para sempre, único.

 

 

 

 

Écletisme bourjouis

Écletisme bourjouis

Joséphine sans filtre...