olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Um artigo chamado Bruxelas

Um artigo chamado Bruxelas

A Bruxelas que conheço é esta: uma cidade para correr  no jardins.

A Bruxelas que conheço é esta: uma cidade para correr  no jardins.

Bruxelas é assim:  waffle de chocolate negro na mão, circulando a pé na zona histórica

Bruxelas é assim:  waffle de chocolate negro na mão, circulando a pé na zona histórica

A semana deveria ser de aniversário. O primeiro ano deste projecto que começou ao estalar de uma ideia e de um par de dedos, num MacBook Air e que foi evoluindo para se consolidar num iMac recheado de ferramentas multimédia, assumindo-se como algo que me enche de orgulho. 

Não posso ignorar os factos. Vocês não ignoram. Ninguém o faz, mesmo querendo (muito) fazê-lo. A primeira reacção foi a de escrever ao A que vive em Bruxelas e que eu sabia que estaria num outro destino. Melhor confirmar. E estava. A seguir, fui procurar o B para me assegurar que também não estava por lá e ainda procurei o C através dos sites de redes sociais para me certificar de que estaria bem. Demasiadas pessoas espalhadas pelo mundo, tantas em Bruxelas. 

Paris é já ali e tem, ainda, as feridas abertas depois do Bataclan. Bruxelas está agora (ainda) mais perto. As ameaças tornaram-se concretização, instalou-se (de novo) o medo e há quem festeje nos sites de redes sociais. Os que se autoproclamam Estado, os que têm apenas uma agência de notícias autorizada no califado, infiltram-se, também, no telegram e no twitter para garantir a propaganda e a contra-propaganda. Dominam.

Saberá alguém o que pensar, e o que está para vir? A guerra instalou-se e temos medo de usar a palavra. Maior receio do seu significado do que daquilo que aconteceu recentemente em Paris e, hoje, em Bruxelas. Chamam-lhe terrorismo. Acredito que estes actos terroristas não resultem de acções isoladas mas, antes, que façam parte de uma estratégia concertada para derrubar o Ocidente. Como se o mundo se dividisse entre duas áreas, como se não fossem muito mais do que uma mera representação geográfica. A carga simbólica entre o Ocidente e Oriente, a tensão entre Norte e Sul, as diferenças entre Este e Oeste não nos trouxeram aqui. A história, a ambição e os jogos de poder - económico, financeiro e político - colocaram-nos a todos num limbo difícil de definir e num equilíbrio impossível de manter. Não adiantam resoluções e acordos no papel porque a questão subjacente é mais antiga e profunda do que qualquer discussão ocidental nos possa fazer crer. Não acredito nas aparentes soluções, nem me parece que qualquer um de nós saiba, na verdade, o que move aqueles que se fazem explodir em nome de uma causa maior. A causa maior é a vida. O amor. A paz. Sem isso, não existem causas ou valores. Sem respeito pela vida nada pode justificar-se. Talvez estejam, no século XIX, a cobrar vidas passadas, vidas perdidas numa outra vida. Num outro século. Porque, afinal, se esquecemos facilmente de onde viemos e, acima de tudo, o que já fizemos, ha quem se esforce por nos recordar. A velha Europa curva-se, quase sem reacção, a cada novo ataque, cuja origem todos conhecem e teimam ignorar.

A minha Bruxelas é assim: reluzente, mesmo com céu nublado.

A minha Bruxelas é assim: reluzente, mesmo com céu nublado.

Se Bruxelas perder a sua luz, a Europa também se apagará

Se Bruxelas perder a sua luz, a Europa também se apagará

Joséphine sans filtre...

No, I'm not.