olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

das imagens motivacionais e outras cenas do género...

Chamou-me a atenção esta imagem, num dia em que acordei rodeada de mensagens motivacionais, daquelas que nos fazem acreditar que é possível e que sim, devemos perseguir sonhos para fazermos o que gostamos.

Sai, cheia de energia para o compromisso já habitual, na rádio, onde gravo, semanalmente, o programa Em Nome do Ouvinte. É uma abordagem institucional à rádio que me dá tanto ou mais prazer do que qualquer programa de entretenimento pelo desafio que representa. Nem sempre conseguido, muitas vezes suado, para transformar aquilo que decorre da espuma dos dias em algo relevante para mim, os ouvintes e a rádio.

Influenciada por aquilo que li e escrevi ontem, decidi levar a diversidade e a discriminação à rádio. No mesmo dia, entre mensagens sub-reptícias (mas muito evidentes) que me diziam para fazer o que gosto e outras, menos óbvias, concluo pelo óbvio: quando gostamos do que fazemos, quando o fazemos com empenho e amor, mais cedo ou mais tarde somos reconhecidos.  

Na rádio falei sobre o papel dos media na sociedade e a sua importância para a diversidade que, por vezes, é tao pouco diversa. Descobri o #WednesdayWoman, da BBC no Instagram e duas mulheres, entre várias, que celebram as conquistas das mulheres pioneiras. Para além da Sharmeen Obaid Chinoy, fiquei a conhecer também a produtora e realizadora Sarah Moshman, que ganhou um Emmy pelo seu trabalho em prol das mulheres. O documentário que produziu, The Empowerment Project: Ordinary Women Doing Extraordinary Thingspromove mulheres normais que fazem coisas extraordinárias: mulheres que chegaram ao topo da carreira em diversas indústrias e têm estórias inspiradoras para contar. O ponto de partida é igual ao de cada um de nós...

What would you do if you weren't afraid to fail? 

Não faltam mulheres assim. Homens também mas todos sabemos que há detalhes sexistas e machistas que lhes facilitam a vida. Na verdade, como afirmei no programa que poderão ouvir esta semana, it is so important to celebrate and support diverse perspectives and voices in media, in front of, and behind, the camera. That's the way our society can be more equal; by having more opportunities for women and people of color to see themselves reflected on screen but also to be the ones creating the media behind the scenes as well. No mesmo dia, sem desculpas, cruzei-me também a curta metragem Excuse. Inspirei-me no que publicaram no Facebook para escrever este artigo. 

Sometimes when you go looking for what you want, you find exactly what you need

A curta metragem é dirigida por Diogo Morgado e conta com Daniela Ruah como protagonista. Diz o próprio Morgado que é uma história única, contada por uma equipa de apaixonados contadores de histórias. Não sei como é o filme, menos ainda a história. Mas sei que há aqui demasiados pontos de contacto para o tema escapar, especialmente porque a semana tem sido recheada de estórias de pessoas que não vivem - fazem que vivem -, de pessoas velhas - quando são novas - e de um país pequeno que poderia ser maior do que a geografia permite. Já foi. Não sei se quer voltar a ser. De um mundo cheio de preconceitos e ideias preconcebidas, de regras e imposições que nos limitam, que nos metem medo e tornam esta, uma sociedade mais redutora.

São as mulheres quem mais sente e sofre esta inevitável opressão que ataca todos os grupos mais frágeis - destaque para a homosexualidade que ainda querem trancar, a sete chaves, no armário - ou , simplesmente, os que são diferentes. A carta fora do baralho. A ovelha negra. Aquele. Ou aquela a quem não sabemos dar nome porque não é igual a nós. Saio à rua e vejo demasiada homogeneidade para poder acreditar que vivemos numa sociedade plural e diversa. Queremos ser essa sociedade mas ainda não somos. Não estou a defender os freaks ou aqueles que são tão diferentes que é impossível não reparar. Estou a falar de algo tão prosaico como aceitar que o diferente é o novo normal e que não temos todos, de agir, pensar ou fazer da mesma forma. Isso é absolutamente aborrecido, limitador e não contribui, nada, para nos desenvolvermos enquanto sociedade. Mina a criatividade e o empreendedorismo porque faz acreditar que o impossível é apenas isso: impossível. Não é.

O recado é simples: encontrem o que gostem e não o que podem, mantenham-se focados, não tenham medo e avancem. Somos todos extraordinários. Só querem que não acreditemos nisso.

bonitinha

Portugal dos Pequeninos

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