olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Portugal dos Pequeninos

Portugal dos Pequeninos

Ontem escrevi um artigo, aparentemente sem nexo ou razão. Pode ser sobre trabalho ou relações pessoais. E não aconteceu por acaso. Porque nada é fruto do acaso. Nesse artigo, em poucos parágrafos, falo de tudo o que nos acontece, porque já aconteceu a todos nós, mesmo que não saibamos dar nome ao facto ou atitude. Chama-se preconceito e má vontade. São tabus sociais. Estão em excesso nos mais variados contextos da nossa sociedade. Especialmente no local de trabalho. 

A notícia circulou de forma discreta. Esta manhã cruzei-me com o segredo para a equipa perfeita e percebi a razão pela qual a Google estava tão preocupada em descobrir o segredo da produtividade no local de trabalho. É simples e não é sobre produtividade, mas sim sobre a felicidade. Pessoas felizes trabalham mais e melhor. Mas isso, já sabíamos...

The Googlers looked hard to find a magic formula—the perfect mix of individuals necessary to form a stellar team—but it wasn’t that simple. “We were dead wrong,” the company said.

Afinal, basta que sejamos nice people. Sabem o que significa? Pessoas cordiais, educadas e disponíveis. Nice people, portanto. Ou seja, menos invejosas, menos preconceituosas, menos coscuvilheiras, menos faladoras, menos críticas. Menos. Porque menos é mais. 

O meu trabalho é altamente solitário. O que não significa que não faça parte de diferentes equipas. Já conheci - e conheço - grandes equipas de trabalho com as quais atingi, ajudei a atingir ou vi atingirem-se grandes resultados. O trabalho de equipa não é sobre o "eu", é sobre o "nós". Como numa relação, existe o eu, o outro e o nós. Se fizermos tudo pelo nós, este vai sobrepor-se ao indivíduo e chegar mais longe.

The best teams respect one another’s emotions and are mindful that all members should contribute to the conversation equally. It has less to do with who is in a team, and more with how a team’s members interact with one another.

É necessária alguma maturidade e desprendimento. Sermos capazes de abdicar um pouco de nós e voltar o foco para o que, conjuntamente produzimos, exige uma abnegação de que nem todos serão capazes. Por isso há, ainda, tantas equipas aparentemente perfeitas que fracassam. A Google identificou-as nesta busca de perfeição. E, mesmo que não existam equipas perfeitas, há umas mais perfeitas do que outras. Sabem porquê?

São feitas de nice people. Esses, os da abnegação.

Porque isto agora? Porquê isto hoje?

Ilustração de @JordiLabanda3 disponível em @UNAIDS (twitter)

Ilustração de @JordiLabanda3 disponível em @UNAIDS (twitter)

Não discriminação. Zero Discrimination Day. Que poderia muito bem ser o dia zero para uma sociedade mais justa e igual.

Vivemos numa sociedade cheia de dogmas e preconceitos. Ideias cravadas na pedra que não conseguimos apagar. Mesquinhez, ignorância e inveja misturadas de tal forma que produzem pessoas amargas, incapazes de ver para além dos limites do seu muro. Que constroem muros onde deveriam existir prados, que se limitam ao pontão quando deveriam embarcar para descobrir o mundo.

A UNAIDS definiu o tema deste ano: STAND OUT. I do. Porque quero contribuir para destruir o preconceito em todas as suas formas. A discriminação que insiste e persiste. O género ou a idade, a nacionalidade ou a identidade étnica, a orientação sexual e a religião. As mais óbvias e reproduzidas. Mas também as subjectivas e subreptícias, os estigmas sociais que nos afectam sem que disso, nos consigamos dar conta. E ainda o sexismo, a inveja, os tabus sociais. Aquilo que fazemos todos os dias e que deveríamos calar. Ou tentar.

Façamos deste o dia zero para uma sociedade melhor. Vamos?

 

MAIS?...

IMAGINE THAT: After years of intensive analysis, Google discovers the key to good teamwork is being nice

2016 Zero Discrimination Day

das imagens motivacionais e outras cenas do género...

hoje