olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Coisas que as mães não dizem (ou se esquecem de dizer...)

Coisas que as mães não dizem (ou se esquecem de dizer...)

As coisas que a mãe nunca diz são as melhores. 

A minha, por exemplo, esqueceu-se de me dizer que ser mãe deverá ser a profissão mais difícil do mundo. A mais exigente e, ainda assim, gratificante. A mais cansativa e, contudo, que nos enche de energia. A mais irritante e, no entanto, para a qual temos mais paciência. Também se esqueceu de me avisar que, com a maternidade, viriam secas valentes. Não falo dos desenhos animados repetidos à exaustão, das músicas das quais só elas conseguem gostar, dos bonecos que vestem e despem para apanharmos roupa pela casa - logo nós que nos recusamos a apanhar roupa do chão seja de quem for... Nesta secas incluem-se passeios e viagens que, de outra forma, jamais faríamos. O pior é que gostamos. Fazemos por prazer, mesmo reclamando a maior parte do tempo...

Por ela fui à Disney, espreitei a parada das personagens por baixo do braço de um pai com o filho às cavalitas enquanto me equilibrava com ela... nas minhas cavalitas. Por ela entrei numa diversão que me deixou enjoada para, no fim, me dizer que queria voltar à Torre Eiffel. Para a ouvir responder, quando lhe perguntam o que mais gostou em Paris? De subir à Torre Eiffel! Para limitar a Disney a um balão do Mickey e umas orelhas da Minnie...

Eu deveria saber.

Who cares about Disney quando estamos na cidade (supostamente) mais romântica do mundo?

Não contente, repeti a brincadeira levando-a ao Winter Wonderland, esperando uma boa meia hora (ironia pura...) para patinar numa pista que só aparentemente é de gelo, ouvindo-a, então, dizer que é divertido mas que é uma pena a pista ser falsa, porque não é de gelo. Não. Eu não estive em pé rodeada de pessoas incapazes de manter a distância para o vizinho da frente (sou só eu a implicar com aquele estranho tipo de pessoa que não entende que há uma espécie de espaço que não deve ser invadido, que nos separa da pessoa à nossa frente na fila?); ver cabelos a brilharem ao sol e conseguir perceber-lhes as três (ou quatro, vá...) tonalidades das tintas que tem, já teve ou ainda irá ter; ou aqueles que estão na fila para patinar no "gelo" e aspiram a andar na roda gigante (que é apenas assim mais ou menos grande, ou seja, pequena)...

Eu não fui mãe para isto. Ou fui? A minha esqueceu-se de me contar os pormenores. Estes pormenores. Como também tive de chegar à idade adulta para perceber a razão pela qual, por vezes, bufava pela casa afirmando entre dentes "quem me dera ter nascido homem": Também se esqueceu de me explicar que temos de trabalhar o dobro, porque acumulamos o trabalho - aquele a que chamam trabalho pago - com o resto - que não é pago e nos rouba horas intermináveis - enquanto vamos entrando na competição da mãe perfeita que faz bolos para a festa da escola, que tem sempre tudo pronto e impecável para levar para as actividades de férias ou que nunca se atrasa. Da mulher espectacular porque continua a ter tido no sítio, da profissional incansável, da qual invejam o segredo para conseguir alcançar todos os objectivos, da mulher apaixonada que leva o seu maridinho ao colo com mimo, da amiga presente e da filha perfeita. 

É só um bocadinho que eu já volto. Vou ali ser uma mulher real (imperfeita) e avisar todas as mães para não se esquecerem destes... pormenores...

Beyoncé no Coachella. O que significa isso, para nós?

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O direito a...

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