olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Porrada nelas, pá

Porrada nelas, pá

Hoje é o Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Há tanto para dizer, mais ainda para fazer...

Quando decidi escrever sobre este tema debati-me com uma discussão interna sobre aquilo que nós - que não somos vítimas de violência  e independentemente das estatísticas - consideramos ser violência. Alarguei a discussão aos meus alunos no ISCSP e pedi-lhes um contributo que hoje partilho. Contributo esse que em muito superou as minhas expectativas, culminando numa amostra de 298 jovens, maioritariamente mulheres entre os 19 e os 24 anos, numa relação. O que também vai ao encontro das estatísticas, uma vez que as vítimas são maioritariamente do sexo feminino.

Portanto, de que falamos quando falamos de violência numa relação?  Falamos de tudo o que atente contra a integridade física e psicológica do outro. Da falta de respeito à humilhação, passando pelo controlo excessivo e obsessão, a manipulação e agressividade são formas de violentar o outro. No limite, a agressão física. Sobre a pior forma de agressão numa relação, destaco esta resposta:

Não considero, pois se há violência não pode haver relação

As bofetadas geram unanimidade. Para 99% das pessoas que responderam a estas perguntas, dar uma bofetada é um acto de agressão física que deve ser repudiado, o mesmo acontecendo com gritos quando há diferença de opiniões (78%) ou, pior, quando alguém nos agarra pelo braço para nos forçar a aceitar as suas opiniões e ideias. Para 99% destas pessoas, isso é violência.

A roupa também gera consenso, uma vez que, para quem participou nesta recolha de opinião, a frase "não saio contigo à rua se levares essa roupa vestida" é sinónimo de violência, como expressam os valores das respostas.

© Francisco Silva (estudante de media digitais, ISCSP)

© Francisco Silva (estudante de media digitais, ISCSP)

Da mesma forma, a intrusão na nossa privacidade também é considerada uma forma de violência. Perguntar "quem é" quando o telefone toca, vasculhar o correio electrónico, o telefone, perfis sociais ou o computador é visto como uma acto intrusivo e, por isso, violência, como indicam os números.

© Andreia Neves (estudante de media digitais, ISCSP)

© Andreia Neves (estudante de media digitais, ISCSP)

Estes jovens reiteram as minhas opiniões sobre a noção de violência entre duas pessoas, e que esta não é apenas física. Sobre a violência invisível, que também destacaram, reparem nesta afirmação:

É a que é invisível, que não deixa marcas físicas. É quando um dos membros submete qualquer tipo de vontade e caminho pré-definido na vida do seu parceiro. Este pára de viver uma vida “sua” para ser uma extensão da vontade da outra, e creio que isso seja uma forma de violência. Quando não se deixa a outra pessoa atingir as suas ambições, vontades e potencial

Não há violência melhor ou pior. Todas as formas de violência são consideradas negativas por estes jovens que estão bastante conscientes do que é, ou não, aceitável numa relação. Contudo, resta saber se, quando nos toca, sabemos como reagir, como limitar e terminar o processo que, como demonstram as estatísticas da APAV, tende a arrastar-se entre 2 e 6 anos.

Os números da APAV falam por si e ficamos quase sempre imóveis, deixando acontecer. Da mesma forma, raramente intervimos na relação daqueles que são vítimas, mesmo quando acontece em público. Foram várias as histórias partilhadas durante os dias em que recolhi informação, com jovens que contavam, escandalizados, já ter assistido a situações de violência entre namorados sem que ninguém interviesse. Houve quem, ao intervir, tivesse sido também ameaçada sem que mais ninguém tentasse ajudar...

Que sociedade é esta e em que pessoas nos tornámos quando consideramos que bater no outro, pressionar, manipular, desprezar ou diminuir são atitudes aceitáveis? Não só seria positivo que mais mulheres começassem a pensar como a super mulher, explicando, não por palavras mas também, por acções, que respeito é bom e nós gostamos.

Caracterização socio-demográfica

Idade

Género

Quem está numa relação

Empreender

Empreender

Se uma mulher incomoda muita gente...

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