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Se uma mulher incomoda muita gente...

Se uma mulher incomoda muita gente...

Nos E.U.A a excitação relativa aos candidatos presidenciais turvou bastante a percepção real do contexto real e do que poderia acontecer. Que aconteceu. Muitas mulheres  ficaram decepcionadas com os resultados e outras tantas ainda mais decepcionadas quando perceberam que, afinal, mulheres votaram em Donald Trump. Quisemos acreditar nos finais felizes... 

A vitória de Hillary não teria sido uma vitória da candidata mas da igualdade de oportunidades e a representação da mudança social. Que afinal não muda, apesar da mudança evidente no percurso feminino, ao nível educacional e profissional, com consequências para o contexto social e político. Contudo, o mundo mudaria por termos uma mulher na presidência dos E.U.A.?

Não necessariamente. O simbolismo seria fundamental mas jamais determinaria o ainda longo caminho que há a percorrer ao nível das políticas públicas que garantem direitos iguais, remunerações equivalentes, acesso à educação e cuidados de saúde para todas as mulheres.

Um estudo recente da Independent Women's Forum revela que as mulheres valorizam aspectos que garantam um equilíbrio entre a vida profissional e a família, da mesma forma que esperam uma remuneração que corresponda à responsabilidade das suas funções.

Entre outros aspectos:

  • trabalho igual, salário igual
  • flexibilidade laboral (horários, por exemplo)
  • política da empresa relativamente à igualdade de género

Por outro lado, o estudo Women in the Workplace 2016 traça o perfil da mulher no mundo empresarial americano. Resultado de uma parceria entre a organização LeanIn.Org e a McKinsey & Company, procura fornecer informação para promover a liderança feminina e fomentar a igualdade de género no mercado de trabalho. Os resultados mais recentes demonstram que as mulheres têm menos oportunidades para ascender na carreira e são muitas vezes preteridas no processo de selecção para cargos de direcção, da mesma forma que também não são incluídas nas iniciativas que visam a promoção das suas carreiras. O que é o mesmo que dizer que nos lugares de topo das empresas há poucas mulheres. Portanto, mudou o mundo, há mais mulheres com graus académicos de nível superior, as mulheres passaram poder exercer profissões que antes lhes estavam vedadas mas chegar ao topo continua a ser difícil. Chama-se glass ceiling, aquele tecto invisível que ninguém quer ver mas que está lá. Been there... More than once...

Porque razão importa discutir e alertar para este tema? Porque, apesar da mudança, ainda anão há igualdade de género nas empresas, ao nível do emprego da remuneração, da liderança e cargos de direcção, entre outros aspectos, na articulação da vida profissional, pessoal e familiar. E se, por vezes me atrevo a pensar que o acesso à educação está garantido, são elas mais vezes as grandes prejudicadas, pelo que é um tema que deve continuar no topo das nossas preocupações.

Em Portugal há mais mulheres licenciadas do que homens mas a participação da mulheres nos órgãos de decisão continua inferior e a sua dedicação à família continua a ser superior, responsáveis por mais 232 minutos de trabalho doméstico em relação aos homens. Com isto, ainda tem de haver tempo para fazer tudo igual aos homens, mesmo com todas as estatísticas contra nós.

O relatório de 2016 da PwC (Mulheres em Portugal | Onde estamos e para onde queremos irrevela que 48% da população activa é do sexo feminino e que é nas empresas mais novas que há mais mulheres em cargos de direcção, verificando-se o inverso nas empresas mais antigas (com mais de 20 anos). Não somos um exemplo do nível do emprego a tempo parcial ou dos apoios à natalidade (e não faltam histórias de quem abdica da maternidade pela estabilidade ou possibilidade de progressão na carreira) e, no que respeita à igualdade salarial também não somos exemplo, com uma diferença de 15,7% entre a remuneração dos homens e das mulheres.

Se uma mulher na presidência de um país como os Estados Unidos iria mudar o panorama? Tenho algumas dúvidas. Mas seria, seguramente, um marco importante. Não sendo, é uma forma de nos fazer acreditar que ainda há muito para fazer e que cada vez mais as mulheres precisam unir-se nas suas diferenças para, juntas, alcançarem mais: liberdade, diversidade, igualdade e respeito.

Porrada nelas, pá

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LEAN IN = lean on?

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