olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

UNPLUG

Lembram-se do OFFLINE de sábado passado?

Para além da necessidade de ficarmos desligados, do inglês offline, há outra ideia que defendo e que, hoje, parece absurda: chama-se desligar o telefone, do inglês, unplug.

O iPhone tem uma funcionalidade maravilhosa chamada "do not disturb/não incomodar" que serve exactamente para que não nos incomodem. Para nos deixarem em paz. Apenas recebemos telefonemas dos números que estão na nossa lista de favoritos - vocês têm essa lista definida, não têm? - Todas as outras chamadas são silenciadas, bem como as mensagens. Tudo continua a funcionar, mas apenas os favoritos nos conseguem, de facto, contactar. E se está nos favoritos é porque tem direito a interromper a qualquer momento...

Defendo o direito a não sermos incomodados. A termos o telefone ligado para emergências ou (os favoritos) sem corrermos o risco de telefonemas profissionais interromperem o nosso final de dia (ou o fim de semana).

"Mas podemos perder alguma oportunidade, assim!..."

"Como fazemos se for algo realmente importante?..."

"Há coisas que não têm hora!..."

"Com a minha profissão/responsabilidade não posso..."

São questões que já me colocaram quando comentei a minha decisão de utilizar o do not disturb. Programei-o para se auto-activar diariamente a partir de uma determinada hora e, agora, nem me lembro que tal acontece... 

@imore

@imore

Para todas as questões colocadas a minha resposta é sempre... é uma opção. Porque se for verdadeiramente importante quem está do outro lado insiste. Envia uma sms ou um e-mail. Tenta novamente, no dia seguinte. Quem nos quer contactar não desiste porque às oito da noite não lhe atendemos o telefone. Se for realmente importante está nos favoritos e se não está, é porque não é, DE FACTO, importante, apenas profissionalmente relevante. Se não nos contactaram durante o horário laboral, então poderá (terá de) esperar. As coisas têm hora e cabe-nos a nós tomar essa decisão. Impedir que o trabalho invada a nossa vida privada tomando conta de tudo como se não houvesse ontem ou amanhã. Da mesma forma que o trabalho tem valor, não o podemos desvalorizar com a excessiva disponibilidade que hoje nos exigem, como se o telefone fosse uma janela sempre aberta para a nossa mesa de trabalho. Não é, mesmo que o número seja profissional (e pago por uma empresa). Não posso, argumentam alguns, ao que respondo sempre com um incisivo "porquê?". Não entendo a razão pela qual, subitamente, nos deitamos e acordamos olhando para o telefone, verificando mensagens ou o e-mail, como se às sete da manhã, ainda enrolados nos lençóis, se resolvesse alguma coisa...

Um dia decidi que o telefone ficaria fora do quarto. Acabaram-se as piscadelas de olho ao Instagram ou ao e-mail que nos retiram horas de sono e a atenção do que é importante. Contudo, voltei a trazer o telefone para a cabeceira. Uso uma aplicação que me regula o sono, indicando-me a hora exacta a que devo acordar. Regrei-me e, apesar do telefone estar à cabeceira, está em modo avião para não perturbar. É um despertador.

Na ubiquidade e excessiva presença da tecnologia precisamos traçar limites. Criar definições concretas do que fazemos e como fazemos, não deixando que aquele dia excepcional volte a tornar-se a regra. A interferência com a esfera pessoal e familiar pode arruinar cada um desses contextos e prejudicar seriamente o profissional.

@imore

@imore

Já fui assim. Já mantive o telefone sempre ligado. Já antendi telefonemas "importantes" a desoras, já aguardei o retorno de uma chamada a meio do jantar. Porque, do outro lado, estava alguém cuja agenda não lhe permitia ter aquilo a que chamamos "horário". Porque excepcionalmente precisei da sua resposta para dar seguimento ao meu trabalho. São excepções. Não defendo fundamentalismos. Um dia percebi que era demais. Que o que fazia sentido não era isto e que temos de começar por algum lado. Continuo a aceitar uma ou outra excepção. No geral, o trabalho tem horas, as urgências são no hospital, o que é importante manter-se-á importante na manhã seguinte e sim, as coisas têm hora e todos podemos - temos o direito - à nossa individualidade, espaço e privacidade.

 Por isso defendo o direito a desligar. Acima de tudo, o direito a não atender o telefone a partir de uma determinada hora. Primeiro regrei a utilização dos sites de redes sociais, especialmente no que respeita à resposta às mensagens. Depois o e-mail e, finalmente, o telefone. Está nas nossas mãos aceitar que a tecnologia nos domine, ou aprender a dominá-la...

Tramp, though not TRUMP.

About misconceptions (mal entendidos)

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