olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Ano novo. Vida nova?

Não necessariamente. 

O primeiro dia do ano é sempre igual. Ressaca de festas, família ou viagens, corpo amassado por uma época feliz que nos deixa de rastos. No segundo dia acordamos do primeiro e enfrentamos o mundo esperando que tudo aquilo acabe depressa para voltarmos ao nosso aconchego.

Ao terceiro dia começa o ano. Para mim, o ano começa antes. Viro o ano em Setembro, depois de um sabático Agosto em que nada acontece. Ou tudo acontece e nada respeita a trabalho, ou o trabalho acontece e tudo muda sem darmos conta. Nova página, depois de umas quantas deixadas em branco, cuja única ocupação foi estar de barriga para o ar.

Em Setembro ainda cheira a Verão - e o Verão estende-se cada vez até mais tarde - não custa acordar cedo, fazer exercício logo pela manhã ou ao fim do dia, já sem sol. Resoluções de novo ano, tomadas em Setembro custam menos do que as nos expõem ao frio e à chuva (acho).

Por isso, quando começo a ver as imagens das agendas, as fotografias no Instagram das secretárias muita arranjadas, prontas para receber o ano que começa e desenvolver os planos desembrulhados depois do Natal, olho para a minha e parece-me feia, cheia de trabalho, projectos para acabar, outros para começar, papeis com anotações, notas em documentos, folhetos para ler, bilhetes de concertos para arquivar. E penso que deveria dizer "não" mais vezes, agarrar-me ao que verdadeiramente interessa - ou ao que me dá prazer - e arrumar a secretária, colocar plantas e sei lá mais o quê que está sempre naquelas fotografias de catálogo e que devem ficar descompostas no minuto em que alguém se senta para... trabalhar sem fotografar.

Não sei como vocês trabalham, mas despacho assuntos com a secretária assim ou assado, sentada aqui ou ali. Habituei-me a trabalhar entre coisas, às portas de embarque nos aeroportos, à micro secretária no lugar do avião, às camas de hotel com almofadas que fazem de tabuleiro. O local do qual me abstraio para fazer o que tem de ser feito ou, simplesmente, o que me apetece fazer. É esta abstracção que também me abstrai da secretária que é bonita mas não tem o glamour dos espaços de trabalho que me inundam o Instagram. É isto. Amanhã continuo a trabalhar porque, afinal, virou o ano, mas eu já vou praticamente a meio do ano. E, que chatice, preciso de uma agenda nova*.

* não sugiram, por favor, aquelas agendas para gente estranha cujo ano começa em Setembro. Gosto de sentir-me igual aos outros e insisto numa agenda que começa em Janeiro e termina em Dezembro. Afinal, mudamos de ano...

Mãos

Mãos

Comer e conversar...

Comer e conversar...