olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

I'm (not) a Barbie girl....

A Barbie nunca foi perfeita. Ou bonita. E a Barbie nunca foi, simplesmente, uma boneca. É uma representação e, como representação simbólica que é, assume-se como um ícone cultural de um certo pós-guerra capitalista e conservador.

Gosto de uma frase que já ouvi e li por aí, cujo autor desconheço, que afirma que passamos 10 anos da nossa vida a brincar com Barbies e outros 20 a querer ser como ela. Talvez por não ter brincado com Barbies, ainda que tenham sido um sucesso entre as meninas da minha idade, nunca me ocorreu que aquele fosse um exemplo de perfeição. Sempre a achei inexpressiva e com um corpo esquisito. Tinha uma Tucha de longos cabelos castanhos escuros a quem determinei um Bob para o resto da vida e uma Nancy desarticulada a quem poderia cair a cabeça, um braço ou uma perna num movimento mais radical. Na verdade, a Nancy era uma boneca articulada, que podia sentar, dobrar os braços e virar a cabeça. Mas os tempos não eram os da nanotecnologia. Era, por isso, uma Nancy desarticulada. Comprada em Badajoz. Cortei, muitas vezes, o cabelo aos Nenucos que se amontoavam aos pés da cama e a quem teimava em tapar, cuidadosamente, todas as noites antes de adormecer. Mas entendiavam-me porque não cabiam nas minhas casas de Lego nem os podia sentar nos carros que construía para circularem nas cidades de blocos coloridos.

A Barbie precisava reinventar-se como a Lego o fez há um par de anos. O mundo mudou, as crianças são diferentes e nós acompanhamos (ou tentamos) essa mudança. Uma boneca que representa a superficialidade da mulher, a sua objectificação, uma imagem corporal distorcida e sexualizada - ninguém tem aquela cintura - não consegue impor-se num contexto em que se criticam esses padrões e em que os padrões, em si, se alteram.

Mudamos devagar e nesse processo emergem movimentos que nos tornam mais conscientes dessa mudança, deitando por terra conceitos e preconceitos que nos tentaram definir como Mulheres. Já era tempo de a Barbie ser mais do aquilo que é. De ver o mundo a cores e diferentes dimensões. Se imita a mulher pois que tenha diferentes formas. Se reproduz o nosso make believe, que o faça como o believe realmente é. Se quer ser, de facto, uma representação social, pois que seja como a sociedade é: heterogenea e real. Só assim poderão ser estética e socialmente interessante. Talvez relevante.

Do. Go. Love.

Do. Go. Love.

Ponto (.)

Ponto (.)