olá.

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da arte da amizade

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Hoje assisti aos ensaios de uma peça de teatro sobre arte. Não. Sobre amizade. Chama-se arte porque a narrativa gira em torno de uma obra de arte. Ou do subtexto que podemos entender da obra em si. Porque como em tudo na vida, nem sempre que se vê é o que é, e o que é, nem sempre se vê.

Porque as pessoas são como são e não estão à vista. Como a obra de arte, são o que queremos ver até ao momento em que as conseguimos perceber, tal como realmente são. Onde antes estavam traços magenta e linhas de cor, passa a estar um eterno é infindável branco. Ou negro, porque o preto está associado tantas vezes ao desconhecido. A ausência de cor, ao absorver todos os raios de luz, não reflecte nenhum, surgindo como desprovida de clareza. Tal como as pessoas, algumas das quais para além de clareza, falta-lhes também a inteligência para se verem reflectidas ao espelho e, nessa ausência, projectam o seu reflexo nos outros, imaginando aquilo que são, reflectido na sociedade.

É por isto que existem pessoas boas e más. As boas reflectem luz, estão cheias de cor e permitem que os outros as vejam tal como elas são, sem o subterfúgio do branco que, na sua extrema clareza, reflecte todas as cores do espectro. Esse reflexo são o eu e o outro, aquilo que sou e aquilo que o outro entende de mim, bem como aquilo que sou e aquilo que projecto. No preto, que são todos os outros, não há projecção. Pena que não consigamos ver nada além da abjecção das atitudes daqueles que, simplesmente, pelo suposto excesso de brilho preferem ver tudo a negro, catalogando os outros nas suas escuras e medíocres categorias, como se o mundo e as pessoas que lá vivem fossem uma projecção do seu próprio mundo.

Todos nós já conhecemos alguém assim, não já?

Coisas que fazem pensar III

Coisas que fazem pensar II