olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Coisas que fazem pensar III

Estive em Bruxelas e trouxe a notícia comigo. Ainda não tinha escrito sobre este tema e, há uns dias, logo pela manhã, enquanto misturava cereais no leite, com a outra mão liguei a rádio, sintonizada, como habitualmente, numa estação de palavra e notícias. Ouvi música. Parecia-me Tony  Carreira. Fitei a frequência. Antena 1. Deixei-me estar a ouvir. Reconheci, com segurança, a voz de David Ferreira e pensei: quem melhor do que ele para comentar esta coisa - não merece sequer o epíteto de polémica - da nega da embaixada portuguesa em frança, a propósito da atribuição da medalha de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras a Toni Carreira, pelo governo francês. Hoje, enquanto saltitava entre podcasts, cruzei-me novamente com esta questão, quase a morrer. Porque a actualidade renova-se instantaneamente, mesmo que as acções fiquem. Para quem as pratica, diz-se.

Não oiço Tony Carreira, não tenho as suas músicas nas minhas playlists mas reconheço-lhe o trabalho e profissionalismo. Estamos no domínio altamente subjectivo das questões de gosto e das noções de qualidade pelo que, como já antes o fiz, não me pronuncio sobre a sua música, mas sobre atitudes altamente preconceituosas de quem fecha as portas da representação de Portugal num outro país - que reconhece o trabalho de um artista nacional - e de quem comenta, com presunção tribalesca, que sonha com o dia em que irá assistir a um espectáculo de Toni Carreira, numa perspectiva sociológica. Como quem observa gorilas na savana, portanto.

A quem cabe a decisão de definir a alta e a baixa cultura? A embaixadores? Ministros? Parece-me que não. Como também me parece que o protocolo não terá costas suficientemente largas para justificar esta decisão.

Gostemos ou não da música do artista, achemos pimba ou menos pimba, trata-se de um self made man, produtor e profissional reconhecido por quem sabe ultrapassar o limite do preconceito. E David Ferreira explica-o, e bem, neste episódio de David Ferreira a Contar.

O prazer do silêncio

da arte da amizade